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Quando o ataque é ao hospital: o que a 1ª morte por crime digital no Reino Unido revela sobre novo risco global Tecnologia Época NEGÓCIOS

Quando o ataque é ao hospital: o que a 1ª morte por crime digital no Reino Unido revela sobre novo risco global Tecnologia Época NEGÓCIOS
Caso mostra como a fronteira entre o mundo virtual e o real desapareceu e como a cibersegurança virou questão de vida ou morte

Em junho, a Fundação King’s College Hospital, em Londres, na Inglaterra, confirmou que um paciente morreu após um ataque cibernético ocorrido no ano passado que comprometeu os serviços médicos e atrasou exames essenciais.

Reportagem do Daily Mail relata que os criminosos usaram um ransomware, software malicioso que bloqueia o acesso a sistemas, arquivos ou dados até que um resgate seja pago, para tentar extorquir dinheiro do hospital.

O ataque atingiu o laboratório de patologia Synnovis, responsável por processar exames de sangue de hospitais e clínicas no sudeste da capital britânica. Este foi o primeiro caso documentado de morte de um paciente do NHS, o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido, causada por um crime digital.

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“É inevitável que mais vidas sejam perdidas se hackers atacarem serviços essenciais como o NHS”, observou Alan Woodward, especialista em segurança cibernética da Universidade de Surrey, ao Daily Mail.

Ele acrescentou: “Essas pessoas são criminosos do pior tipo. Não devemos esperar que escolham alvos de modo a minimizar o risco à vida - ao contrário, escolhem onde a urgência é maior para forçar o pagamento.”

Saira Ghafur, líder em saúde digital do Instituto de Inovação em Saúde Global do Imperial College London, salientou que houve um grande aumento nas tentativas de ataque cibernético desde a pandemia de covid-19, quando o uso de serviços digitais do NHS foi expandido.

“O número de tentativas de violação, não apenas no NHS, mas em sistemas de saúde em todo o mundo, cresceu enormemente”, salientou.

Para se ter uma ideia da gravidade do problema, o IBM Cost of a Data Breach Report 2025, relatório anual sobre os custos de ataques cibernéticos, revelou que pelo 14º ano consecutivo o setor de saúde foi o que mais sofreu financeiramente com crimes digitais.

Em média, cada ataque custou aos hospitais £5,5 milhões (aproximadamente R$ 40 milhões) e levou nove meses para ser contido.

O Reino Unido já acumula uma longa lista de episódios. Em 2017, quase um terço das unidades do NHS foi atingido por um crime digital, que resultou no cancelamento de 7 mil consultas e custou cerca de £92 milhões (R$ 662 milhões na cotação atual) em reparos de TI.

Em março deste ano, dados de até 150 mil pacientes foram vazados na dark web após um ataque ao NHS Dumfries & Galloway, que se recusou a fazer o pagamento do resgate.

E, mais recentemente, além do King’s College Hospital, Guy’s and St Thomas’ e Evelina London Children’s Hospital tiveram de cancelar cirurgias e exames de sangue após um grupo russo de cibercriminosos chamado Qilin invadiu os sistemas da Synnovis, roubando dados e interrompendo o processamento dos testes.

Segundo o DailyMail, uma revisão apontou que o ataque causou a interrupção de mais de 10 mil atendimentos e resultou em cinco casos de “dano moderado” -em que pacientes precisaram de tratamento ou cuidados emergenciais - e 114 de “dano leve”, em que foi necessário prolongar a observação ou o tratamento.

Relatórios oficiais do governo britânico indicam que uma infiltração em metade da rede do NHS poderia afetar todo o sistema, com impactos imediatos no atendimento e aumento do risco clínico. Pesquisas internacionais corroboram o alerta: um estudo da Universidade de Minnesota, dos Estados Unidos, mostrou que a mortalidade entre pacientes hospitalizados durante ataques cibernéticos aumentam em até 41%, já que exames e tratamentos se tornam indisponíveis.

O levantamento estimou que, entre 2016 e 2021, de 68 a 75 pacientes hospitalares nos EUA morreram diretamente como resultado de crimes cibernéticos.

O NHS afirmou estar reforçando sua defesa digital, com investimentos de £338 milhões (R$ 2,4 bilhões) nos últimos sete anos. Junto a isso, mantém um centro de operações cibernéticas em Leeds, que monitora ameaças 24 horas por dia, sete dias por semana.

Mesmo assim, especialistas alertam que o risco zero é uma ilusão. “É como ladrões que andam por aí testando maçanetas de portas — eventualmente, vão encontrar uma destrancada”, informou. “É inevitável que os invasores consigam entrar em algum momento, por isso o NHS precisa se preparar para o fracasso.”

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