Milton Leite é alvo de operação contra infiltração do PCC no sistema de transporte de SP
Alvo da Operação Vectura Corrupta, feita nesta quinta-feira (17) pelo Ministério Público (MP) e pela Polícia Civil de São Paulo, o ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal da cidade Milton Leite (União Brasil) afirmou que é inocente das acusações, negou que está foragido, disse que está em viagem e que vai se apresentar às autoridades em até 24 horas.
➡️ Milton Leite é alvo de mandado de prisão por suspeita de envolvimento num esquema criminoso. Segundo apuração da GloboNews, a investigação aponta que decisões estratégicas relacionadas a empresas de transporte suspeitas de ligação com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) dependeriam do conhecimento ou da aprovação política de Milton Leite (leia mais abaixo).
Em nota enviada por sua assessoria, Milton Leite afirmou que pretende provar sua inocência.
"Estou em viagem, não estou foragido, e vou me apresentar às autoridades em até 24 horas. Vou provar minha inocência em todas as acusações", informa Milton no comunicado.Por telefone, o ex-parlamentar disse à TV Globo que a operação demonstra uma "perseguição" contra ele.
"Eu não tô trabalhando. Eu nem conversei com o advogado. Me parece ser perseguição. Nego qualquer acusação das afirmações apresentadas. Que apresente uma única prova", afirmou. "Eu nego veementemente as acusações. E não estou foragido. Vou me apresentar."
A Polícia Civil de São Paulo considera o ex-parlamentar foragido. Milton Leite não foi encontrado pelos policiais que foram à sua casa para cumprir o mandado.
Segundo apurou a GloboNews, a polícia passou a considerá-lo fugitivo diante das circunstâncias encontradas no imóvel. Policiais permanecem no local para cumprir mandado de busca e apreensão.
De acordo com informações obtidas durante a diligência, Milton estava em casa até a tarde de quarta-feira (16). Uma funcionária relatou aos policiais que ele saiu à noite para um compromisso de campanha.
Também foram presos Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans, e Danilo Marco Morgado Silva, ex-candidato à Prefeitura de Praia Grande e atual candidato a deputado estadual.
➡️ A SPTrans é uma empresa estatal da cidade de São Paulo, responsável por planejar, programar e fiscalizar o sistema de ônibus da capital.
Ao todo, a operação busca cumprir 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão em São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão.
1 de 2 Buscas na casa de Milton Leite — Foto: TV GloboBuscas na casa de Milton Leite — Foto: TV Globo
Investigação aponta influência de Milton LeiteSegundo apuração da GloboNews, a investigação aponta que decisões estratégicas relacionadas a empresas de transporte suspeitas de ligação com o PCC dependeriam do conhecimento ou da aprovação política de Milton Leite.
A conclusão foi sustentada, segundo investigadores, pela análise de interceptações envolvendo operadores e por elementos de outras investigações relacionadas ao papel decisório do ex-vereador.
No pedido que embasou a operação, Milton é citado como responsável direto pela operação de algumas das empresas que, segundo a investigação, seriam controladas pela facção.
O documento também menciona declarações de policiais militares, prestadas em procedimento no Tribunal de Justiça Militar (TJM), segundo as quais ele seria o dono de fato da Transwolff.
Milton Leite deixou a vida pública no ano passado, depois de sete mandatos como vereador e de ter presidido a Câmara Municipal por quatro vezes. Atualmente, ele é presidente do União Brasil na cidade de São Paulo. Em julho, foi eleito presidente estadual da Federação União Progressista (UP), formada pelo União Brasil e pelo Progressistas (PP).
A Operação Vectura Corrupta é realizada pela Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes de Mogi das Cruzes, com apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo.
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Histórico das investigaçõesO avanço de hoje é um desdobramento direto de duas operações anteriores. Em abril de 2026, a Polícia Civil e o Ministério Público realizaram a Operação Contaminatio, focada na estrutura de uma fintech gerida pela facção. O objetivo do grupo era usar a empresa de tecnologia financeira para se infiltrar em prefeituras e assumir o gerenciamento do recebimento de tributos, taxas e o contato direto com os munícipes. Naquela etapa, a investigação desarticulou a rede de doleiros e de operadores de criptoativos usada na lavagem do dinheiro e prendeu um ex-vereador de Santo André.
Toda a apuração teve início em agosto de 2024, com a Operação Decurio. Após a apreensão de 30 quilos de drogas em Itaquaquecetuba, os investigadores extraíram dados do celular da mulher de um dos líderes da facção. As informações do aparelho levaram à identificação e prisão de chefes da chamada "Sintonia Final" e à descoberta da fintech, que chegou a movimentar cerca de R$ 8 bilhões.
Foi também na primeira fase que surgiram as evidências iniciais do braço político da organização, com a identificação de campanhas de vereadores patrocinadas pela facção e o envolvimento de servidores comissionados em prefeituras do estado.
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