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Megaoperação no Rio: número de presos no Alemão e na Penha enviado ao STF não bate com o que foi divulgado pelo governo

Megaoperação no Rio: número de presos no Alemão e na Penha enviado ao STF não bate com o que foi divulgado pelo governo
No documento sobre a Operação Contenção, o governo do Rio informa que 99 pessoas foram detidas, sendo 82 em flagrante e 17 com mandados

O número de presos durante a megaoperação do último dia 28, que consta no relatório entregue pelo governador Cláudio Castro ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), é diferente do divulgado anteriormente por autoridades da Segurança do estado. No documento sobre a Operação Contenção, o governo do Rio informa que 99 pessoas foram detidas, sendo 82 em flagrante e 17 com mandados. Entre elas, há dez menores.

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Após a ação policial nos complexos da Penha e do Alemão ? em que houve 122 mortes ?, foi divulgada a prisão de 113 suspeitos numa coletiva concedida por representantes das secretarias estaduais de Segurança, de Polícia Civil e de Polícia Militar. Oito dias depois da megaoperação, entidades como a Defensoria Pública ainda não tiveram acesso à lista com os nomes dos presos.

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1 de 9 Foto aérea mostra corpos retirados da mata pela população

2 de 9 Com corpos retirados de mata e levados para praça na Penha, já são mais de 120 mortos na operação mais letal do Rio. ? Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

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3 de 9 Pessoas lamentam a morte de alguns familiares ? Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

4 de 9 Familiares fazem reconhecimento dos corpos ? Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

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5 de 9 Mais corpos chegando à praça ? Foto: Fabiano Rocha/Agência O Globo

6 de 9 Moradores levaram dezenas de corpos para a praça ? Foto: Fabiano Rocha/Agência O Globo

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7 de 9 Cadáveres teriam sido retirados da área de mata da Vacaria, na Serra da Misericórdia, onde ocorreram os confrontos mais violentos entre policiais e traficantes ? Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo

8 de 9 Alguns familiares fazendo reconhecimento de corpos ? Foto: Gabriel de Paiva/Agência O Globo

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9 de 9 Entre os que acompanham a cena predomina o silêncio profundo, enquanto muitos se aproximam para tentar reconhecer os mortos. ? Foto: Pablo PORCIUNCULA / AFP

Mais corpos foram retirados por moradores de mata na Penha Continuar Lendo

?Informações duplicadas?

A Polícia Civil informou, por meio de nota, que ?alguns presos em flagrante já tinham mandados expedidos contra eles, por isso houve uma duplicação das informações iniciais?.

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Em nota, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ) afirmou que ?espera que as informações sobre a Operação Contenção sejam amplamente divulgadas à sociedade e aos órgãos competentes, em razão do princípio da transparência?. A entidade instalou o Observatório de Investigações para acompanhar todos os desdobramentos da ação policial. ?A OAB-RJ adotará as medidas cabíveis para a obtenção de informações precisas e consistentes sobre os fatos?, informou.

? É uma amostra de como o governo não age de forma profissional. A operação contou com centenas de policiais, inclusive policiais civis, que têm o dever de investigar, fazer apuração e registros ? disse Rodrigo Mondego, coordenador na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados.

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No documento entregue anteontem ao STF, o governo do Rio também detalha que, entre os 99 detidos, há 29 pessoas de outros estados e 17 com mandados de prisão em aberto. O objetivo da Operação Contenção era capturar cem procurados. Já entre os 115 suspeitos mortos identificados ? material de dois corpos ainda está sendo submetido a exames ?, havia 59 pessoas com mandados de prisão. As autoridades só não esclarecem se elas estavam entre as cem que a megaoperação buscava prender.

Nas 26 páginas do relatório, Castro enumerou argumentos para o ?uso proporcional da força? diante da ameaça imposta pelo Comando Vermelho (CV) nos complexos da Penha e do Alemão. Depois de citar que a facção enfrentou as polícias Civil e Militar ? que empregaram 2,5 mil agentes ? com ?armas de uso restrito? e com ?táticas típicas de guerrilha urbana?, Castro admitiu que, no geral, ?as capacidades técnicas e os armamentos das forças policiais, em muitos aspectos, se mostram em desvantagem frente a organizações criminosas de perfil paramilitar?.

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O documento menciona que cerca de 500 bandidos usavam roupas camufladas para percorrer ?trilhas clandestinas em meio à vegetação?, assim como lançaram granadas contra os policiais, por meio de drones. Procurado ontem, o governo do estado ressaltou que os traficantes têm armas de alto poder de destruição, que, por lei, não podem ser usadas pelas forças de segurança. ?A polícia está limitada a fuzis 7,62 e 5,56, não pode usar granadas nem drones com capacidade de ataque?, argumentou.

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Mil fuzis nos complexos

A nota diz ainda que os bandidos da Penha e do Alemão têm de 800 a mil fuzis em mãos e que usam ?técnicas de defesa territorial baseadas no conhecimento total do terreno, com rotas de fuga, túneis, minas terrestres, barricadas e pontos de observação que dificultam o avanço das equipes policiais?. ?Mesmo diante dessas limitações, as forças de segurança do estado atuam com planejamento, inteligência e respeito absoluto à lei?, acrescentou.

O relatório entregue a Alexandre de Moraes pontua essa diferença entre os armamentos. Destaca o ?elevado poder bélico e métodos capazes de gerar risco letal difuso? dos bandidos, mencionando fuzis automáticos de uso militar e ?armas de altíssima potência?, como os fuzis .30 e .50. Por outro lado, os policiais estavam equipados com fuzis semiautomáticos e pistolas, por exemplo.

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Rildo Anjos, consultor de segurança e especialista em armamento e ex-integrante das Forças Armadas, explica a diferença:

? Com um fuzil semiautomático, é tiro a tiro: a cada disparo, é preciso apertar o gatilho. Já o automático, à medida que está com o dedo no gatilho, ele está disparando.

O especialista confirma que os fuzis .50 e .30 não podem ser usados pelas polícias, o que coloca o criminoso em vantagem.

? O .50 é um fuzil sniper, de altíssima precisão, enquanto o .30 pode ser usado como antiaéreo ? completa.

O número de armas apreendidas no relatório também é discrepante: o documento cita 122, enquanto, anteriormente, havia sido informado um total de 118. Na lista atualizada, são 96 fuzis (inicialmente eram 91, corrigido depois para 93), 25 pistolas e um revólver. Há ainda a informação de que foram apreendidos 260 carregadores e 5,6 mil projéteis, além de 12 artefatos explosivos.

Clique aqui para ler a íntegra de relatório enviado por Cláudio Castro a Alexandre de Moraes sobre operação no Alemão e na Penha

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