Um dia após o temporal que impactou parte de Nova Santa Rita, a terça-feira (22), é marcada pelo sol e, consequentemente, por muito trabalho, com colocação de telhas e o recolhimento de entulhos.
PublicidadeHouve, entretanto, quem não possui mais nem a casa, como o caso de Dionara Viegas de Aguiar. A santa-ritense de 48 anos viu a casa desabar sobre ela e a família durante a madrugada de segunda-feira (21).
Dionara Viegas de Aguiar em frente ao que sobrou da casa que ela vivia antes do temporal de segunda-feira (21) Foto: PAULO PIRES/GES
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Ainda abalada pela situação, Dionara comenta que a dimensão que o caso ganhou na imprensa resultou em carinho e doação por parte de amigos e estranhos, que se sensibilizaram ao saber da história.
Após um dia difícil, o melhor aconteceu à noite, quando ela conta ter recebido contato de um empresário, que se prontificou a garantir uma nova moradia de alvenaria a ser construída onde hoje só restam escombros.
“Recebemos a notícia ganharíamos uma casa”, revela. “Vão fazer uma casa para a gente. Eu não sei de detalhes e não sei nem se a pessoa gostaria que eu divulgasse, mas já estava feliz que ninguém acabou machucado e, agora, estou mais feliz que apareceu uma pessoa de bom coração.”
PublicidadeInstalada agora, provisoriamente, na casa da sobrinha, Dionara aproveitou a interrupção da chuva para recolher algumas roupas que ainda puderam ser salvas após a passagem do temporal, mas não restou muito.
Desempregada, Dionara agradece também a todos que estão buscando o endereço dela, na Estrada Passo da Taquara 360, com mantimentos, roupas e cobertores em um momento que é sensível.
“Eu vivo na casa com a minha filha, que está grávida de 32 semanas, e mais meus dois netos pequenos. Não digo que perdemos tudo, porque estamos vivos e bem, mas agradeço, sim, a todos que vieram e ajudaram. Porque até o enxoval do bebê se perdeu”, salienta.
PublicidadeSol colaborou nesta terça-feira (22) com moradores de Nova Santa Rita que necessitavam consertar o telhado Foto: Paulo Pires/GES
TraumaEra meio da madrugada desta segunda-feira quando o vento forte abalou a estrutura da residência de Dionara. Ela estava com a filha de 30 anos e mais dois netos, de 3 e 6 anos, na pequena casa, no momento em que tudo desabou.
“Foi um desespero”, contou. “Era três e meia da manhã quando abriu uma janela com o vento. Fui fechar e quando a vi a casa veio abaixo. Minha filha gritava debaixo de uma parede e eu não conseguia chegar nela para ajudar.”
PublicidadeA moradora lembra de que, após conseguir tirar um dos netos de dentro da casa, ao voltar, viu a filha grávida de 32 semanas segurando uma parede para que não caísse sobre o neto menor.
“Dormi à noite, mas acordei assustada durante a madrugada”, desabafa. “Aquela imagem do meu neto pedindo socorro não sai da minha cabeça. Parece que ainda não consegui sair da casa.”
O trauma perdura também para as crianças que estavam na residência. Ela observa que, desde o episódio, o neto menor se assusta ao ouvir qualquer barulho mais alto e precisa ser acalmado.
Publicidade“Ele ouve algum barulho e se assusta”, lamenta. “Tudo que aconteceu é muito recente.”
TrabalhoAlém da casa de Dionara Viegas de Aguiar, pode-se observar muitos prejuízos ao percorrer o bairro Caju. A maior parte diz respeito a telhados levantados durante a tempestade.
PublicidadeAos 81 anos, o aposentado Dionildo Santos Machado passou a manhã desta terça-feira em cima do telhado. O objetivo era remover as telhas quebradas e colocar as novas antes que a chuva volte.
“Minha casa virou um riacho”, lamenta. “A água entrava como uma cachoeira. Molhou tudo. Só não estragou a TV porque arredamos rápido. Agora é só trabalhar antes que a chuva volte.”
Publicidade PrejuízoE não apenas casas acabaram com prejuízos contabilizados. Houve negócios impactados além das propriedades. Alex Pereira, 49 anos, observou a gráfica que montou perder completamente o telhado.
“Eu só ouvi o estouro”, lembra. “Quando saí para a rua com a lanterna estava o telhado amontoado no pátio. Nem parei para pensar no tamanho do prejuízo, porque perdi muito.”
Defesa CivilA Prefeitura de Nova Santa Rita decretou situação de emergência ainda nesta segunda-feira, quando apontou que, pelo menos, 500 casas acabaram afetadas devido ao temporal.
A reportagem entrou em contato com a Defesa Civil e a assessoria do prefeito Rodrigo Battistella para atualizar a situação, no entanto, a Administração informou que atualizará o quadro mais tarde.
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