Diante de um cenário que expõe as fragilidades de uma sociedade ainda marcada pelos feminicídios, diferentes vozes se unem para romper o silêncio e transformar a informação em um instrumento de prevenção, proteção e enfrentamento à violência contra a mulher.
PublicidadeFoi nesse contexto que o Grupo Sinos lançou, em fevereiro deste ano, a campanha ?Silêncio aprisiona. Informação liberta?. Naquele momento, o Rio Grande do Sul já contabilizava 13 feminicídios, depois de encerrar 2025 com 80 casos.
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Durante o fórum, houve o lançamento da cartilha e cartazes com informações sobre o tema Foto: fotos Vandré Brancão/GES-Especial
Os dados acumulados ao longo deste ano evidenciam a dimensão do problema. Entre janeiro e agosto, 52 mulheres foram vítimas de feminicídio no Estado.
A mobilização ganhou um novo capítulo na quinta-feira (20), com a realização do Fórum Silêncio aprisiona. Informação liberta, na Unitec, em São Leopoldo. A iniciativa é uma campanha do Grupo Sinos com patrocínio master da DGT e Ela Segura, apoio institucional da Prefeitura de Igrejinha e Prefeitura de Canoas, e parceria de entidades ACI NH/CB/EV/DI/IV, CDL Novo Hamburgo, CDL São Leopoldo e Acist São Leopoldo.
Publicidade VozesO debate reúne diferentes experiências para mostrar que o enfrentamento à violência passa por várias frentes. Participam a major da Brigada Militar Bibiana Beck Menezes, a professora e sobrevivente de violência doméstica Michelle Selliach Duarte, a doutora em Liderança Transformacional e empreendedora social Paula Togni e a diretora de Tecnologia Rita de Cássia dos Santos. As quatro abordam prevenção, proteção, transformação social e o uso da tecnologia no combate à violência.
ResultadosO fórum também marca o lançamento da cartilha e dos cartazes oficiais da campanha ?Silêncio aprisiona. Informação liberta?. Produzidos pelo Grupo Sinos, os materiais levam ao público orientações para identificar situações de violência, compreender os mecanismos de proteção e encontrar os canais disponíveis para denúncia e atendimento.
Um dos pontos abordados é o ciclo da violência, apresentado desde os primeiros comportamentos de controle, desrespeito e agressividade até episódios mais graves. A publicação explica ainda a fase de reconciliação, período em que o agressor pode demonstrar arrependimento, pedir desculpas e mudar temporariamente o comportamento antes que novos episódios ocorram.
PublicidadeA publicação também apresenta os mecanismos legais disponíveis às vítimas. Entre eles estão a Lei Maria da Penha e normas relacionadas à violência no ambiente digital. O objetivo é mostrar quais direitos amparam as mulheres e quais caminhos podem ser percorridos para acionar a rede de proteção.
Para levar esse conhecimento além dos veículos do Grupo Sinos, a cartilha ficará disponível nos canais digitais e deverá chegar a escolas, entidades, associações e prefeituras da região. A presença nesses espaços busca aproximar o conteúdo das mulheres e também envolver famílias e comunidades na identificação dos sinais de abuso.
PublicidadeSegundo a gerente comercial do Grupo Sinos, Larissa Schneider, outra frente é a disponibilização de cartazes com os canais de denúncia e atendimento. A proposta é que empresários e comerciantes utilizem as peças em seus estabelecimentos, fazendo com que os contatos da rede de proteção estejam presentes em diferentes locais da região.
?Cada um de nós tem um papel muito importante, sejam as mulheres, os líderes, os homens, pais, mães ou professores?, afirmou Larissa. A iniciativa parte desse envolvimento coletivo para fazer a informação chegar a quem precisa e contribuir para que situações de violência sejam identificadas e denunciadas.
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Publicidade Ciclo de ViolênciaDo controle sobre a rotina às agressões físicas e sexuais. O relato da professora de educação física e sobrevivente de violência doméstica Michelle Selliach Duarte mostrou, durante o fórum, como diferentes formas de violência podem se suceder e ganhar intensidade. Uma trajetória que reforça justamente um dos objetivos da campanha: levar informação para que os primeiros sinais sejam reconhecidos.
Michelle contou que precisava prestar contas diariamente sobre o período em que estava na escola. ?Como foi, com quem tu falou, com quem tu andou, onde é que tu estava?, relatou. Aos poucos, passou a evitar telefonemas e até o contato com familiares por receio das consequências.
Publicidade RompimentoSegundo ela, o controle evoluiu para agressões físicas recorrentes. Em algumas ocasiões, dentro do carro, era submetida a questionamentos e ameaças. ?Eu respondia para não apanhar?, afirmou.
A violência chegou a um novo patamar em 30 de abril de 2025, data que Michelle diz não esquecer. Naquele dia, sofreu um espancamento e violência sexual. Também relatou ter sido ameaçada com uma faca.
PublicidadeHoje, ao compartilhar a própria história, Michelle busca alertar outras mulheres para comportamentos que antecedem agressões mais graves. Seu depoimento reforça a mensagem da campanha de que reconhecer diferentes formas de violência e ter acesso à informação pode ser determinante para romper o ciclo de abusos.
Bibiana Beck MenezesPara a major da Brigada Militar Bibiana Beck Menezes, romper o silêncio é o primeiro passo para que a rede de proteção possa atuar. Ela destacou que as forças policiais integram um sistema mais amplo de enfrentamento e precisam ser acionadas para que os mecanismos legais funcionem. ?Essa mulher precisa vir até nós. E esse primeiro movimento é o mais importante?, afirmou. Segundo Bibiana, ampliar o acesso à informação ajuda a vítima a reconhecer que está em uma situação de violência e, a partir disso, compreender onde e como procurar ajuda.
Michelle Selliach DuarteA experiência da professora e sobrevivente de violência doméstica Michelle Selliach Duarte reforça a importância de vencer o medo e buscar os canais de proteção. Ela relatou ter recorrido diversas vezes às forças de segurança e destacou o acolhimento recebido pela Polícia Civil, Brigada Militar, Ministério Público e Patrulha Maria da Penha. ?Todas as vezes que eu chamei, eles me acolheram, me receberam?, contou. Para Michelle, falar sobre essa experiência também ajuda outras vítimas a superar a insegurança e entender que procurar ajuda pode ser decisivo para romper o ciclo de violência.
Paula TogniA doutora em Liderança Transformacional e empreendedora social Paula Togni trouxe ao debate a importância de transformar conhecimento e consciência em ação coletiva. Ao contar a trajetória da abolicionista norte-americana Harriet Tubman, que escapou da escravidão e depois retornou para ajudar outras pessoas a conquistar a liberdade, Paula estabeleceu uma relação com a capacidade de agir pelo outro. ?Ela chegou à conclusão de que não deveria ter chegado lá sozinha?, destacou. A reflexão reforça a lógica da campanha: romper o silêncio não significa apenas buscar a própria liberdade, mas também compartilhar caminhos que possam libertar outras pessoas.
Rita de Cássia dos SantosPara a diretora de Tecnologia Rita de Cássia dos Santos, a informação também pode chegar às vítimas por meio da inovação. Ela destacou que ferramentas tecnológicas podem fortalecer a atuação do poder público e aproximar mulheres em situação de violência dos serviços disponíveis. ?A tecnologia é o elo que liga e cria uma rede de apoio entre a vítima, o poder público e as políticas públicas de enfrentamento à violência?, afirmou. Nesse contexto, a tecnologia deixa de ser apenas uma ferramenta operacional e passa a contribuir para que informação, proteção e políticas públicas cheguem a quem precisa.
Fórum aborda ações realizadas por municípiosfotos Vandré Brancão/GES
Lançamento do cartazfotos Vandré Brancão/GES-Especial
Fórum promove painel com participação de entidades e municípiosVandré Brancão/GES-Especial
Fórum promove painel com participação de entidades e municípiosVandré Brancão/GES-Especial
Fórum promove painel com participação de entidades e municípiosVandré Brancão/GES-Especial
Fórum promove painel com participação de entidades e municípiosVandré Brancão/GES-Especial
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