Na pista, a diferença entre um Cavalo Crioulo de qualidade e um campeão pode estar em detalhes que passam despercebidos para quem não conhece a raça. Estrutura física, características raciais, mobilidade, temperamento e funcionalidade são alguns dos critérios observados pelos jurados. [Veja vídeo mais abaixo]
PublicidadeCavalo é preparado desde pequeno para entrar na arena Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial
Fora dela, porém, o resultado dessa seleção também pode ser medido em cifras: a cadeia do Cavalo Crioulo movimenta R$ 5,36 bilhões por ano no Brasil e gera mais de 160 mil empregos diretos e indiretos, segundo estudo da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC) em parceria com a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP).
A Expointer ocupa um espaço importante nesse mercado. A feira reúne animais selecionados para as competições morfológicas e funcionais e também concentra parte relevante dos negócios da raça. Em 2026, 248 exemplares da raça estão previstos em oito dos 25 leilões programados para a feira. No ano passado, seis remates comercializaram Crioulos e movimentaram R$ 14,51 milhões.
Na última Expointer, leilão de Cavalos Crioulos movimentaram mais de R$ 14,5 milhõesDário Gonçalves/GES-Especial
Muito além da pista, Cavalo Crioulo movimenta R$ 5,3 bilhões por ano no BrasilDário Gonçalves/GES-Especial
Muito além da pista, Cavalo Crioulo movimenta R$ 5,3 bilhões por ano no BrasilDário Gonçalves/GES-Especial
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?Bonito, mas funcional?É na pista, porém, que começa parte do processo de valorização. Para Darlei Hess, um dos jurados da Morfologia, a avaliação não se resume à aparência do animal. O objetivo é encontrar um cavalo que reúna as características consideradas próprias da raça sem perder a capacidade funcional.
?O cavalo Crioulo, além de ser um cavalo morfologicamente muito bonito, a gente busca um cavalo também funcional?, explica Hess. Segundo ele, são observados aspectos como qualidade de avanço e mobilidade, além do temperamento, para que o animal possa ser utilizado tanto por profissionais quanto por amadores.
A combinação entre genética, morfologia e funcionalidade ajuda a explicar por que exemplares de destaque podem alcançar valores elevados no mercado. De acordo com o jurado, o preço varia conforme as características de cada animal e, principalmente, sua carga genética e potencial de reprodução.
Publicidade?Essa raça de cavalo agrega bastante valor, até porque segue como exemplo e vai ser usado como reprodução, como pai, por muitos anos?, afirma Hess. Segundo ele, dependendo do exemplar, os valores podem ultrapassar os R$ 2 milhões.
Veja vídeo:O que faz um Cavalo Crioulo se destacar na Expointer?Assista a este vídeo no YouTubeCaracterísticas vencedorasA valorização, no entanto, é resultado de um processo que começa muito antes de o animal entrar em uma pista de julgamento. O criador catarinense Gilberto Éder de Oliveira Junior, 37 anos, acompanha de perto esse processo com o ?Sedutor do Capão Redondo?, seu cavalo de quatro anos, que é finalista pela segunda vez na Expointer.
A preparação envolve cuidados nutricionais, veterinários e sanitários desde os primeiros anos de vida, além de mão de obra especializada. O objetivo, segundo Oliveira Junior, é garantir que o animal desenvolva estrutura muscular e óssea sem comprometer sua saúde. ?Isso envolve tempo, envolve dedicação, mão de obra qualificada, que é muito importante hoje em dia. Tem que pensar em preservar sempre pela saúde do bicho e pela beleza também?, afirma.
Publicidade Na última Expointer, leilão de Cavalos Crioulos movimentaram mais de R$ 14,5 milhõesDário Gonçalves/GES-Especial
Na última Expointer, leilão de Cavalos Crioulos movimentaram mais de R$ 14,5 milhõesDário Gonçalves/GES-Especial
Na última Expointer, leilão de Cavalos Crioulos movimentaram mais de R$ 14,5 milhõesDário Gonçalves/GES-Especial
Muito além da pista, Cavalo Crioulo movimenta R$ 5,3 bilhões por ano no BrasilDário Gonçalves/GES-Especial
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Sedutor chama atenção, segundo o proprietário, por características como tipicidade racial, profundidade de tórax, estrutura e saúde óssea, além de ser um cavalo manso. Depois da experiência na Morfologia, o próximo passo é levá-lo para as provas funcionais, ampliando a utilização do animal dentro do circuito da raça.
Essa combinação entre beleza e função também ajuda a explicar a transformação do mercado do Cavalo Crioulo. Embora a origem da raça esteja diretamente ligada à lida no campo, os animais passaram a ocupar diferentes modalidades esportivas e a atrair proprietários que não necessariamente trabalham com pecuária.
PublicidadeGilberto é proprietário de um Cavalo Crioulo bifinalista da Expointer Foto: Dário Gonçalves/GES-Especial
?O cavalo Crioulo foi forjado na lida de campo?, lembra Hess. As provas, segundo o jurado, foram desenvolvidas justamente para reproduzir na pista situações que faziam parte do cotidiano das fazendas. Com o tempo, porém, a raça passou a conquistar novos públicos e modalidades.
Termômetro para os negóciosPara o presidente da ABCCC, André Luiz Narciso Rosa, a expansão das atividades em torno da raça mostra que o Cavalo Crioulo deixou de estar restrito à sua utilização tradicional. A entidade registra crescimento da presença da raça em diferentes regiões brasileiras e destaca a importância das competições, dos eventos e dos leilões para esse mercado.
Na Expointer, a programação reúne diferentes etapas do calendário da raça, incluindo a Morfologia, o Freio de Ouro e a Supercopa Jovem. A edição de 2026 também marca a participação de 257 animais na Morfologia, selecionados após um circuito de 24 passaportes e outras etapas de habilitação.
PublicidadePara Rosa, os leilões realizados durante a feira funcionam como um dos principais termômetros comerciais da raça. São nesses remates que criadores colocam no mercado animais que carregam anos de seleção genética e investimento.
Cavalo é preparado desde pequeno para entrar na arenaDário Gonçalves/GES-Especial
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PublicidadeDesta forma, conforme Rosa, o animal que entra na pista para ser avaliado representa apenas a ponta de uma cadeia que envolve criadores, veterinários, profissionais de manejo, competições, transporte, eventos, genética e comercialização. Na Expointer, a busca pelo campeão também funciona como uma vitrine para um mercado que, ano após ano, tenta transformar qualidade genética e funcionalidade em valor.
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