Após o Conselho de Ética (Coética) da Câmara de Vereadores de Novo Hamburgo aprovar, nesta segunda-feira (8), por unanimidade, a recomendação de cassação do mandato da vereadora Professora Luciana Martins (PT) por assédio moral, a parlamentar reafirmou sua inocência e criticou a motivação do processo em entrevista ao jornalista João Paulo Gusmão no programa NH10, da rádio ABC 103.3 FM, na manhã de hoje (9).
PublicidadeO processo, que segue agora para votação em Plenário, foi motivado pela denúncia de duas funcionárias da Procuradoria Especial da Mulher.
Vereadora Luciana Martins durante entrevista à Rádio ABC, onde contestou o processo de cassação Foto: Reprodução/YouTube
A parlamentar negou todas as acusações e declarou que espera que a cassação não seja aprovada pelo Plenário. “Tenho feito debates importantes para a vida real das pessoas. Isso me coloca em conflitos dentro do Plenário, mas não justifica a forma como este processo foi conduzido”, declarou.
Para ela, o conjunto dos elementos apresentados não sustenta a punição mais grave prevista pelo colegiado. “O que está em discussão aqui não é decoro parlamentar. É um ataque a uma parlamentar e não de uma apuração de decoro parlamentar”, disse afirmando ser “alvo de perseguição política” devido ao seu “mandato combativo e posicionamento como oposição ao governo”.
Questionada sobre a condução do caso, Luciana classificou o processo da Comissão de Ética como “frágil e repleto de irregularidades”. “Há várias nulidades, testemunhas não foram ouvidas e não há qualquer elemento que configure assédio moral”, afirmou.
Publicidade Falta de elementos, afirma a vereadoraEla reforça que, até o pedido de deslocamento de setor, jamais recebeu manifestação das funcionárias sobre qualquer desconforto no ambiente de trabalho. “Todas as pessoas ouvidas falam de situações de corredor. Ninguém vivenciou nada diretamente e o ponto mais mencionado é o fato de eu esquecer o nome de uma funcionária, o uso de uma toalha durante um evento e outras situações que descontextualizadas inclusive podem trazer para opinião pública algo que não é real”, apontou.
Em contrapartida, o presidente do Conselho de Ética, Juliano Souto (PL), defendeu a legitimidade do processo e a atuação do Conselho, mas admitiu o peso da decisão. Souto explicou o conceito de assédio moral como “comportamentos repetitivos de grosseria, pressão e humilhação no ambiente de trabalho” e destacou que a comissão atuou de forma legítima, sem viés partidário.
O presidente do Conselho admitiu que julgar um colega é um processo “muito difícil e complicado”. Ele afirmou: “Não é algo que desejamos vivenciar, julgar um colega. Por isso, pretendo me eximir dessa atividade nos próximos três anos”, afirmou.
Publicidade Relembre o casoO relatório do vereador Ico Heming (Podemos) foi aprovado por unanimidade -Juliano Souto e Giovani Caju (PP) acompanharam-, pedindo a perda do mandato da vereadora. O parecer de 27 páginas conclui que as colaboradoras foram tratadas com “discriminação e preconceito” devido ao seu nível de instrução e posição funcional.
A cassação é pedida com base no relato de desrespeito, humilhações, menosprezo, violência à integridade psíquica e “claro abuso de poder hierárquico”. O relatório também apontou que a estagiária Mariana teria sofrido abalo psicológico, necessitando de atendimento psiquiátrico, uso de medicamentos e afastamento do trabalho.
PublicidadeA defesa alegou a existência de falhas técnicas e formais no processo, como prazos reduzidos, falhas na coleta de depoimentos e questionamento da composição da Coética (pela presença de líderes do governo), pedindo a nulidade do processo.
Próximo PassosCom a aprovação unânime do parecer no Conselho de Ética, o caso segue para votação no Plenário da Câmara. A data ainda não foi definida. Caberá aos vereadores decidir se Luciana Martins será absolvida ou terá o mandato cassado por quebra de decoro, necessitando de dez votos favoráveis no Plenário para a cassação.
“O que está em discussão aqui é um ataque a uma parlamentar", afirma Luciana MartinsAssista a este vídeo no YouTube Publicidade PublicidadeCategorias Novo Hamburgo Política Tags CONSELHO DE ÉTICA política relator Publicidade PublicidadeTodo conteúdo