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PL da Dosimetria permite que condenados por coação, incêndio e outros crimes saiam antes da prisão Política Valor Econômico

PL da Dosimetria permite que condenados por coação, incêndio e outros crimes saiam antes da prisão Política Valor Econômico
Projeto de lei de redução das penas dos condenados pelos atos golpistas discutido pela Câmara dos Deputados pode ter impacto também sobre outros criminosos, aponta estudo técnico

O projeto de lei de redução das penas dos condenados pelos atos golpistas discutido pela Câmara dos Deputados pode ter impacto também sobre outros criminosos — com uma progressão mais rápida de regime para pessoas consideradas culpadas por coação no curso do processo, incêndio doloso e resistência contra agentes públicos, entre outros crimes. É o que considera um estudo técnico feito por três partidos.

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O relator do texto, deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP), no entanto, diz que a interpretação está errada e que apenas envolvidos na trama golpista serão afetados. O projeto foi aprovado pela Câmara na madrugada desta quarta (10) por 291 votos a 148 e ainda terá que passar pelo Senado.

Atualmente, a legislação prevê que crimes cometidos com violência ou grave ameaça só terão progressão após o cumprimento de 25% da pena, caso o condenado seja réu primário. Isso elevaria o tempo que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ficaria em regime fechado e, por isso, o projeto altera a lei para permitir que a mudança de regime possa ocorrer antes, mesmo em caso de crimes violentos.

Bolsonaro foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por cinco crimes pelo Supremo Tribunal Federa (STF), entre eles abolição violenta do Estado Democrático e tentativa de golpe de estado, que exigem "violência ou grave ameaça". O projeto permite que nesses casos a progressão de regime ocorra após o cumprimento de 16% da pena, como já acontece nos crimes sem uso de violência.

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A progressão de regime é a transferência de um preso para um regime penal mais brando (de fechado para semiaberto, ou de semiaberto para aberto), após cumprir requisitos de tempo de pena e bom comportamento.

Para evitar que outros crimes violentos sejam também beneficiados, o relator Paulinho da Força colocou exceções no projeto: os crimes violentos ou com grave ameaça não podem constar dos capítulos 1 e 2 do Código Penal (que listam crimes contra a pessoa ou contra o patrimônio).

No entanto, há crimes que não estão nesse rol e que também podem ser cometidos com uso da violência, e cujos condenados poderão ser beneficiados com uma mudança de regime prisional mais rápido, que pode levar ao semiaberto ou à saída total da prisão.

Controvérsia legislativa

Durante a votação do projeto, Paulinho subiu à tribuna para dizer que o texto foi feito por juristas renomados e não vai beneficiar presos por crimes comuns. "O projeto trata apenas do 8 de janeiro, não tem nenhuma possibilidade de esse texto beneficiar crime comum."

De acordo com levantamento do PSB, entre os criminosos que poderão ser beneficiados estão aqueles condenados por resistência (caso alguém use de violência ou ameaça para impedir ou dificultar ato legal de funcionário público) ou por usar de violência para impedir ou perturbar cerimônia religiosa.

Outros que podem se aproveitar do projeto são os condenados por coação no curso do processo (como ameaçar testemunha para alterar depoimento), atentado contra a segurança de transporte (usar de violência para tomar controle de veículo, aeronave ou embarcação) e incêndio doloso (pode ser praticado usando violência ou ameaça para expulsar alguém antes de atear fogo).

Crimes contra a organização do trabalho também terão progressão antecipada de pena, caso a lei seja alterada de acordo com o projeto proposto. Estariam incluídos o uso de violência ou ameaça para impedir alguém de trabalhar, paralisação de trabalho mediante violência e invasão de estabelecimento industrial ou comercial com violência.

Líder do PSB na Câmara, o deputado Pedro Campos (PE) afirma que o relatório atingirá condenados por outros crimes. "A medida que estão falando que serve para beneficiar o Bolsonaro e o pessoal do 8 de janeiro, o que já seria um absurdo pode servir para muita gente que está presa hoje ou que ainda vai cometer crime passar menos tempo no regime fechado", diz.

Paulinho da Força afirmou à Folha de S.Paulo que a interpretação está errada. Segundo ele, apenas envolvidos no caso específico da tentativa de golpe de Estado serão afetados. "Não tem outra mudança não", disse.

Apesar disso, deputados do PL afirmam que procuraram o relator com a preocupação de que condenados por outros crimes possam ser beneficiados com a saída mais rápida da prisão.

Deputado Paulinho da Força, relator do projeto — Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados/Agência Câmara de Notícias Mais recente Próxima Comissão do Senado aprova PL Antifacção; texto vai ao plenário ainda hoje Suas buscas no Google agora podem ter mais Valor.

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