oMelhor.Net

Policial civil é acusado de arrombar delegacia do Vale do Sinos para furtar celular de traficante abc+

Policial civil é acusado de arrombar delegacia do Vale do Sinos para furtar celular de traficante abc+
Sumiço do aparelho prejudicou investigação contra lideranças de facção criminosa

O rol de acusações contra o policial civil de São Leopoldo Lucas da Silva Santos, 31 anos, preso há dois meses por tráfico de drogas e tortura, atingiu as raias do absurdo. Ele foi indiciado também por invadir uma delegacia na madrugada para furtar o celular apreendido de um traficante.

Publicidade

CLIQUE AQUI PARA FAZER PARTE DA COMUNIDADE DE SÃO LEOPOLDO NO WHATSAPP

Prédio em São Leopoldo foi invadido na madrugada de 5 de maio por uma janela dos fundos Foto: Google Street View

O sumiço do smartphone acabou prejudicando uma investigação contra facção criminosa. A defesa de Santos considera as acusações ?infundadas? e afirma que ele é vítima de perseguição.

Conforme o inquérito, concluído no fim de agosto e mantido sob sigilo, o escrivão arrombou uma janela dos fundos da 2ª Delegacia de Polícia de São Leopoldo, por volta das 5h30 de 5 de maio. Invadiu o prédio e ficou circulando à procura de algo.

LEIA MAIS: Enterrada no pátio: Caso de mulher que foi morta pelo ex tem desfecho quase 2 anos após crime em Canoas

Santos havia deixado há poucos dias a distrital, que não funciona à noite. Tentou ser discreto. Não acendeu lâmpadas. Com uma lanterna, segundo a investigação, encontrou o que buscava na sala do cartório. Era um iPhone 11 preto. Ele pegou o aparelho e deixou outro no lugar, de mesmo modelo e cor, para que a troca passasse despercebida.

Publicidade A descoberta na hora da análise

O furto acabou sendo descoberto em junho, quando o aparelho foi recebido pelo setor de análise de dados da Polícia Civil. Os peritos se negaram a extrair os dados porque o IMEI, código de identificação do celular, não correspondia ao descrito na ocorrência de apreensão.

O iPhone substituto não aceitava carga nem acionava a tela. Estava cadastrado em nome de um morador do bairro Campina, em São Leopoldo, apontado como ?laranja? do traficante dono do celular furtado na DP.

O delegado da 2ª DP leopoldense, Rodrigo Camara, responsável pelo indiciamento do escrivão, não pode falar sobre o assunto por orientação da Corregedoria-Geral da Polícia Civil (Cogepol).

Publicidade Telefone tinha informações estratégicas

O celular foi apreendido com um conhecido traficante, que supervisionava a venda de drogas no bairro Campina na tarde de 30 de abril. O homem é apontado como gerente dos negócios da facção Os Manos na área.

A análise do aparelho, conforme as investigações, tinha potencial de trazer novas informações sobre a organização criminosa. Relacionaria o gerente a lideranças já conhecidas e poderia identificar membros do grupo até então ocultos ou sem provas contra eles.

Publicidade

Clique aqui e siga o ABCmais como sua fonte favorita no Google

Uma das linhas de investigação é de que o policial, por ter trabalhado recentemente na 2ª DP, foi escalado pela facção para sumir com a prova. Há outros indícios de premeditação. O inquérito apurou que o escrivão foi à delegacia em um Volkswagen Tera, locado um dia antes e devolvido três dias após a invasão. O aluguel foi feito pelo próprio policial.

Flagrado com smartphone de última geração na cela

Não é o primeiro crime atribuído ao escrivão com celular no centro das atenções. Nesta segunda-feira (31), a reportagem do Grupo Sinos revelou que ele foi flagrado com um iPhone 17 Pro Max na cela, no prédio da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), considerada unidade de elite da Polícia Civil, no bairro Partenon, em Porto Alegre.

Publicidade

Santos está preso desde 2 de julho. A suspeita é de que vinha ameaçando testemunhas com o aparelho. A Cogepol apura como o aparelho foi entregue ao detento. E por quem.

A prisão preventiva do escrivão decorre da acusação de envolvimento com traficantes em Charqueadas, município que abriga o maior complexo prisional do Estado. Santos foi indiciado no inquérito, junto com a namorada e três supostos comparsas. Também há denúncia do Ministério Público, já recebida pelo Judiciário. O processo criminal, que tramita sob sigilo, está em fase inicial.

Publicidade Acusado de torturar filho de colega e desviar drogas

A acusação de tortura tem como vítima o filho de um policial civil. Ele passou um dia sob espancamento em área de mata porque teria furtado dinheiro do escrivão na casa dele, em São Leopoldo.

O mesmo imóvel onde o agente costumava reunir colegas e amigos para churrascos. Ao menos outros dois policiais civis do Vale do Sinos são investigados como comparsas.

Publicidade

VEJA TAMBÉM: Mortes em Canoas podem ter ligação? Polícia investiga se dois dos três homicídios estão conectados

Santos é também investigado por desviar drogas apreendidas em operações policiais. Seriam 10 quilos, entre cocaína e maconha. Os crimes teriam ocorrido quando ele trabalhava na 2ª Delegacia de Polícia de São Leopoldo.

Ele começou a carreira na 1ª DP da cidade. Chegou a trabalhar um mês na DP de Estância Velha.

Início era considerado promissor

De família de classe média alta de São Leopoldo, ingressou na Polícia Civil em 2020, aos 24 anos. Logo começou a se destacar em investigações contra o crime organizado, que resultaram em expressivas apreensões de drogas. Ganhou notoriedade na instituição e chegou a ser considerado por colegas um dos melhores policiais da região.

?Servidor público de conduta ilibada?

O policial trocou de advogado esta semana. Antenor Colombo Neto é o terceiro defensor desde que Santos foi preso. Por meio de nota à reportagem, na tarde desta quinta-feira, o criminalista rechaça as acusações contra o cliente e faz elogios ao trabalho dele na Polícia.

?Trata-se de um servidor público de conduta ilibada e policial exemplar que, segundo relatos consistentes de seus próprios superiores, sempre teve atuação brilhante e decisiva no combate ao tráfico de drogas na região do Vale do Sinos. Justamente por sua extrema honestidade e desempenho muito acima da média, o policial tornou-se alvo de inimizades e perseguições, promovidas tanto por grupos criminosos quanto por setores da própria Polícia Civil.?

O advogado contesta as investigações. ?Logo ao assumir o caso, esta defesa identificou no processo uma série de nulidades patentes, provas manifestamente montadas e várias tentativas de alterar a ordem cronológica dos fatos com o claro intento de prejudicar o policial Lucas em fatos que não possui qualquer vinculação.?

E mencionou a conversa com o réu no parlatório da prisão. ?Lucas reafirmou de forma categórica sua absoluta inocência quanto aos fatos imputados. Com o suporte integral de sua equipe jurídica e a devida atuação do Poder Judiciário, restará plenamente comprovada a grande perseguição promovida contra o seu nome e sua trajetória profissional. A verdade prevalecerá.?

PublicidadeCategorias Polícia São Leopoldo Tags celular Charqueadas conteúdo sensível corregedoria crime organizado Escrivão ESTÂNCIA VELHA faccao FURTO policia civil porto alegre SÃO LEOPOLDO Vale do Sinos Publicidade PublicidadeTodo conteúdo