Um homem suspeito de se passar pelo técnico do Grêmio, Luís Castro, para aplicar golpes em jogadores foi preso preventivamente nesta quarta-feira (2), em Itaperuna, no Rio de Janeiro. Segundo a Polícia Civil, o investigado usava no WhatsApp uma linha telefônica registrada em nome de terceiro e uma foto do treinador para abordar atletas e conquistar a confiança das vítimas.
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Prisão aconteceu no Rio de Janeiro na manhã desta quarta-feira Foto: Reprodução
A investigação apontou que o suspeito chegou a convencer um atleta a transferir R$ 22,5 mil via Pix, sob a justificativa de que o dinheiro seria usado na compra de cestas básicas para um grupo social.
Para dar credibilidade à abordagem, o falso técnico também pediu a um jogador, o zagueiro Walter Kannemann, que chegasse mais cedo ao centro de treinamento para uma conversa.
Golpista se passava pelo técnico Luís Castro Foto: Reprodução
A prisão ocorreu durante a Operação Falso 9, deflagrada pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul com apoio de duas delegacias da Polícia Civil do Rio de Janeiro.
Até a publicação desta matéria, a Polícia Civil não havia divulgado os nomes dos jogadores abordados pelo suspeito. Contudo, conforme apuração, entre os atletas procurados estão alguns dos principais nomes do elenco do Grêmio.
Publicidade Falso técnico ganhou confiança antes de pedir dinheiroCom o colombiano José Enamorado, o golpista manteve contato por vários dias. Durante as conversas, perguntou sobre a rotina, a família e o desempenho do jogador nos treinos e fez elogios à dedicação dele.
Em determinado momento, pediu que o atleta não comentasse o contato com os demais companheiros de elenco. A estratégia, conforme pontuou a apuração, tinha como objetivo evitar que a fraude fosse descoberta e, assim, manter o atacante isolado.
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PublicidadeFoi apenas após construir essa relação de confiança que o suspeito fez o primeiro pedido financeiro. Ele contou que ajudava um grupo social do Rio de Janeiro por meio da doação de cestas básicas e perguntou se o jogador gostaria de contribuir.
O golpista pediu o pagamento de 300 cestas básicas, a R$ 75 cada, totalizando R$ 22,5 mil. Em seguida, enviou uma chave Pix aleatória e afirmou que pertencia a uma suposta responsável pela instituição.
PublicidadeA primeira tentativa de transferência foi barrada pelo limite diário de movimentação bancária do atleta. O suspeito então combinou que o pagamento fosse feito na manhã seguinte e voltou a pedir sigilo.
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No dia 7 de maio de 2026, a transferência foi realizada. O suspeito chegou a encaminhar ao atleta uma suposta confirmação de recebimento das cestas pela instituição.
PublicidadeSegundo a Polícia Civil, o dinheiro foi enviado para uma conta bancária controlada pela organização criminosa.
Suspeito tentou obter mais R$ 50 milAinda no mesmo dia, o homem tentou ampliar o prejuízo. Ele disse a Enamorado que outro jogador, que estaria fora do Brasil e impossibilitado de responder por causa do fuso horário, também gostaria de contribuir com a suposta ação social. Por isso, pediu que o colombiano adiantasse o pagamento, com a promessa de ressarcimento posterior.
PublicidadeDesta vez, seriam 600 cestas básicas, equivalentes a R$ 50 mil. A transferência, porém, não foi realizada porque o valor também ultrapassava o limite diário de movimentação financeira do atacante.
Os outros três atletas do mesmo elenco também foram abordados pelo perfil falso, mas não chegaram a realizar pagamentos.
Publicidade Outros jogadores também foram abordadosA investigação apontou que o suspeito manteve contato com diversos outros jogadores de futebol ligados a clubes de diferentes estados brasileiros, além de um atleta de uma equipe europeia e de um artista nacionalmente conhecido.
A análise do fluxo financeiro indicou que o investigado operava a partir de uma estrutura localizada em Itaperuna. Os valores obtidos nos golpes eram depositados em contas de moradores da região antes de chegarem à esfera do investigado.
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A experiência do suspeito no futebol teria sido um dos fatores que facilitaram a aplicação do golpe. Segundo a Polícia Civil, ele possui passagens por clubes e conhecia o meio esportivo, o que ajudou a dar credibilidade à falsa identidade. O investigado também havia sido preso em flagrante, em 2024, por crime semelhante.
O nome da Operação Falso 9 faz referência à função do futebol em que o jogador atua de forma diferente da posição que aparenta ocupar em campo. A expressão foi usada pela Polícia em alusão à falsa identidade adotada pelo suspeito.
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