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Professora da USP vê ilegalidade em modelo da FFU

Professora da USP vê ilegalidade em modelo da FFU
Documento afirma que sócia controla direitos de arena e decisões estratégicas de clubes bloco diz que estrutura preserva autonomia. Leia no Poder360.

Um parecer da professora Paula Forgioni, titular da Faculdade de Direito da USP (Universidade de São Paulo), concluiu que o modelo de negócios da FFU (Futebol Forte União) “viola claramente o direito brasileiro”. O documento foi obtido pela coluna Mônica Bergamo do jornal Folha de S.Paulo nesta 3ª feira (21.jul.2026).

Segundo a coluna, o parecer aponta que a estrutura transfere à investidora Sports Media Entertainment, sócia da FFU, poderes sobre os direitos de arena e as decisões estratégicas dos clubes das Séries A e B do Brasileirão.

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A análise teria sido encomendada por Botafogo, Vasco e Corinthians. Os clubes avaliam protocolá-lo no processo em andamento no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), que investiga possível ato de concentração e conduta anticompetitiva, de acordo com a coluna.

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A Sports Media comprou entre 10% e 20% dos direitos de transmissão e propriedades de campo dos clubes referentes ao Campeonato Brasileiro das Séries A e B. A organização foi proibida de criar obstáculos à saída dos clubes conforme decisão em caráter preventivo do então superintendente do Cade, Alexandre Barreto, do dia 25 de junho.

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O parecer de Forgioni também conclui que a permanência dos clubes no modelo não pode ser imposta por prazo superior a 5 anos. Cláusulas que mantêm as equipes vinculadas por até 50 anos são classificadas pela professora como nulas e como “fraude à lei”. 

Forgioni recomenda que a convenção do CFU (Condomínio Forte União), estrutura jurídica da FFU, seja alterada para adequar sua governança à Lei Geral do Esporte e ao Código Civil.

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As mudanças deveriam impedir que um investidor minoritário exerça controle sobre os direitos de arena e garantir que a permanência dos clubes dependa de manifestação efetiva de vontade ao fim de cada período de 5 anos.

OUTRO LADO

Em nota, o CFU afirmou que o modelo foi negociado durante quase um ano entre a Sports Media e os clubes, com assessoria jurídica, financeira e estratégica, e que a estrutura preserva a autonomia das equipes.

Para rebater o documento de Forgioni, o CFU cita o parecer jurídico independente dos advogados Fábio Ulhoa Coelho e Rodrigo Rocha Monteiro de Castro.

O texto afirma que o modelo de negócios não realiza transferência de competências esportivas ou configura violação à autonomia das entidades responsáveis pelas competições. Leia a íntegra do parecer (PDF—817KB). 

Eis a nota do CFU: “A estrutura do CFU (Condomínio Forte União) está em conformidade com a legislação vigente e amparada por parecer jurídico independente, assinado pelos professores Fábio Ulhoa Coelho e Rodrigo Rocha Monteiro de Castro. O documento conclui que os direitos de arena constituem direitos patrimoniais disponíveis dos clubes, cuja alienação parcial e constituição de copropriedade com investidores privados são plenamente válidas, sem qualquer transferência de competências esportivas ou violação à autonomia das entidades responsáveis pelas competições.

“A operação foi negociada durante quase um ano entre o grupo investidor e os clubes, que contaram com assessoria jurídica, financeira e estratégica interna e externa ao longo do processo. A estrutura estabeleceu uma divisão equilibrada de direitos, riscos e responsabilidades e sustentou o desempenho comercial do ciclo 2025–2029, que alcançou receitas recordes para todos os clubes integrantes do CFU.”

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