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CEO da Rain vê mercados preditivos mais perto de ativos que de bets

CEO da Rain vê mercados preditivos mais perto de ativos que de bets
Roy Shaham defende marco regulatório próprio para o setor no Brasil depois de plataformas serem bloqueadas no país. Leia no Poder360.

O CEO da Rain Protocol, Roy Shaham, afirmou que mercados preditivos são diferentes de apostas esportivas e defendeu a criação de um marco regulatório específico para o setor no Brasil. Em entrevista ao Poder360, o executivo disse que os contratos de previsão são mais próximos da negociação de ativos financeiros do que de uma aposta.

Shaham também falou sobre o uso de inteligência artificial para resolver disputas, os riscos de manipulação em mercados com baixa liquidez, o uso de informações privilegiadas e os limites para contratos relacionados a guerras, epidemias e desastres naturais.

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Mercados preditivos são plataformas em que usuários negociam contratos vinculados à ocorrência ou não de eventos futuros. Os preços desses contratos mostram a probabilidade atribuída pelo mercado a determinado resultado. Os contratos podem ser negociados antes da definição do evento e abranger temas como eleições, esportes, economia, clima e outros acontecimentos mensuráveis.

Leia a íntegra da entrevista:

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Poder360: Os Estados Unidos já permitem que plataformas como a Kalshi operem sob um marco regulatório. O que ainda precisa acontecer para que mercados preditivos baseados em blockchain possam funcionar de forma regulada no Brasil?

Roy Shaham: Os reguladores brasileiros têm uma responsabilidade importante: proteger os consumidores e, ao mesmo tempo, permitir a inovação. Acredito que o caminho correto seja construir um marco específico junto com provedores responsáveis de infraestrutura e operadores. Mercados preditivos são uma nova categoria financeira, e as regulamentações devem reconhecer suas características próprias, em vez de tentar enquadrá-los em categorias existentes.

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Poder360: Neste ano, o governo brasileiro bloqueou 27 plataformas de mercados preditivos. Mesmo assim, a Rain decidiu lançar sua plataforma globalmente, inclusive para usuários brasileiros. Por que entrar no mercado brasileiro neste momento?

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Roy Shaham: Nós não estamos entrando no mercado brasileiro. A Rain é uma infraestrutura global acessível a partir de muitas jurisdições. O Brasil é um país importante, com usuários sofisticados, mas nosso objetivo não é mirar o Brasil especificamente. As recentes medidas de fiscalização também mostram que já existe uma forte demanda aqui. Nossa esperança é que, ao longo do tempo, operadores responsáveis e reguladores possam trabalhar juntos para criar um marco que permita a inovação enquanto protege os consumidores brasileiros.

Poder360: A Rain utiliza inteligência artificial para ajudar a resolver disputas. Quanto da tomada de decisão pode ser delegado à IA e onde o julgamento humano continua sendo essencial?

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Roy Shaham: A 1ª etapa da resolução normalmente é nosso sistema de consenso de IA. Múltiplos LLMs pesquisam de forma independente na internet a resolução correta com base na descrição do mercado e nas evidências públicas disponíveis e, então, chegam a um consenso. Isso resolve a grande maioria dos mercados. Quando um caso é ambíguo ou contestado, a revisão humana continua sendo essencial.

Poder360: Em mercados com pouca liquidez, um único participante pode alterar os preços dos contratos e influenciar a probabilidade percebida de um evento. Como a Rain reduz esse risco?

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Roy Shaham: Os mercados naturalmente corrigem os preços por meio da oferta e da demanda. Se alguém empurra o preço para longe do valor justo, está criando uma oportunidade para que outros negociem contra essa pessoa. À medida que a liquidez cresce, o preço se torna cada vez mais eficiente. Como em qualquer mercado, menor liquidez significa maior volatilidade, mas os mercados naturalmente convergem para o valor justo.

Poder360: A Rain permite que usuários criem seus próprios mercados preditivos. Há limites para mercados relacionados a guerras, epidemias ou desastres naturais? Como você responde às críticas de que esses mercados transformam tragédias humanas em ativos negociáveis?

Roy Shaham: O protocolo, por si só, bloqueia apenas conteúdos ilegais e mercados que envolvam violência. Além disso, esperamos naturalmente que cada operador defina seus próprios padrões para criação de mercados com base em sua jurisdição, obrigações regulatórias e valores.

Poder360: Mercados preditivos podem beneficiar pessoas com acesso a informações materiais não públicas. Como a Rain busca reduzir o risco de insider trading ou do uso indevido de informações privilegiadas?

Roy Shaham: Uma das maiores vantagens do blockchain é a transparência. Cada negociação fica visível na rede, então qualquer pessoa –não apenas o operador– pode analisar a atividade de negociação, identificar padrões suspeitos e levantar preocupações. Se um operador tiver informações de KYC, essas descobertas podem ser investigadas e verificadas. De muitas maneiras, o insider trading fica mais exposto em uma blockchain pública do que em plataformas centralizadas tradicionais.

Poder360: Algumas pessoas comparam mercados preditivos a apostas esportivas. Quais são as principais diferenças e por que essa distinção é importante do ponto de vista regulatório?

Roy Shaham: Mercados preditivos são um mercado para precificar e negociar a probabilidade de resultados futuros. Os participantes compram e vendem contratos cujos preços refletem a visão coletiva do mercado sobre a probabilidade de qualquer evento, e essas posições podem ser negociadas a qualquer momento antes de o resultado ser conhecido. É muito mais próximo de negociar um ativo financeiro do que de fazer uma aposta.

Esportes são apenas uma categoria possível de resultados futuros. A mesma infraestrutura de mercado pode precificar eleições, inflação, desempenho de empresas, clima, descobertas científicas, riscos de seguros ou praticamente qualquer evento mensurável. Enquanto as apostas esportivas estão concentradas em um tipo de evento, os mercados preditivos são uma infraestrutura de mercado de uso geral para descobrir e negociar probabilidades.

Poder360: Depois que o Brasil regulamentou as apostas esportivas, o país registrou uma rápida expansão das plataformas de apostas. Você acredita que os mercados preditivos podem seguir um caminho semelhante nos próximos anos ou são produtos fundamentalmente diferentes, voltados a públicos diferentes?

Roy Shaham: Na verdade, acho que eles são fundamentalmente diferentes. Mercados preditivos estão se tornando uma nova infraestrutura de informação financeira. Seu papel de longo prazo não é apenas entretenimento. É ajudar as pessoas a precificar incertezas, transferir riscos e agregar informações em praticamente todas as áreas da economia. É uma oportunidade muito mais ampla do que as apostas esportivas, e acredito que, no fim, alcançará usuários e casos de uso muito diferentes.

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