O número de ocorrências de violência contra mulheres registradas em ambientes digitais pelo Disque 180 aumentou 188,6% nos primeiros 5 meses de 2026 em comparação com o mesmo período de 2025. Os registros foram de 5.795 para 16.725, segundo dados do Ministério das Mulheres.
O espaço digital passou da 7ª para a 5ª posição entre os cenários que concentram o maior número de denúncias do país. Uma das mudanças aplicadas pelo canal de denúncias foi a capacitação das atendentes.
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publicidadeA iniciativa faz parte da campanha ?O Digital é Nosso Lugar?, alinhada ao Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio e aos decretos 12.975 e 12.976.
publicidadeA ministra das Mulheres, Márcia Lopes, disse a jornalistas, nesta 2ª feira (22.jun.2026), que o aumento dos casos se deve à melhora dos mecanismos de registro e acompanhamento das ocorrências.
publicidadeSegundo a ministra, a ampliação dos registros ajuda o governo a formular políticas públicas mais precisas. ?Ter os dados da realidade é muito importante. Só vamos acertar nas respostas pelos governos, pelas políticas públicas, quando tivermos mais realismo nas informações?, disse.
Atualmente, cerca de 30% dos atendimentos realizados pelo Disque 180 resultam em denúncias formais. O restante corresponde a pedidos de orientação sobre direitos, canais de atendimento e medidas de proteção. Em 2025, a central registrou mais de 1 milhão de atendimentos.
A atualização do protocolo inclui treinamento específico para que as atendentes reconheçam casos de:
perseguição virtual (stalking); invasão de contas; divulgação não autorizada de imagens íntimas; chantagem on-line; uso de inteligência artificial para a criação de deepfakes.As profissionais também passaram a orientar vítimas sobre preservação de provas digitais, acionamento das plataformas e registro de boletins de ocorrência.
A capacitação das atendentes do Disque 180 também passou a incluir casos de violência política de gênero e ataques praticados em ambientes digitais, especialmente em período eleitoral.
Segundo a ministra, o ministério também tem direcionado ações para mulheres jovens diante do crescimento de conteúdos misóginos disseminados em comunidades digitais conhecidas como ?machosferas?.
As denúncias recebidas são encaminhadas aos órgãos competentes, principalmente às forças de segurança dos Estados. O prazo médio para análise e envio dos casos é de 43 horas.
CRIMINALIZAÇÃO DA MISOGINIAA ministra das Mulheres defendeu a aprovação do projeto de lei que criminaliza a misoginia, atualmente em tramitação na Câmara.
?A criminalização abre os espaços para que a gente inclua nas nossas campanhas que misoginia é crime. Isso significa que a gente pode dialogar com todas as demais políticas públicas para que elas insiram isso dentro de uma nova concepção e mudança de cultura?, declarou.
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