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Estudo revela aumento de buscas por canetas emagrecedoras irregulares

Estudo revela aumento de buscas por canetas emagrecedoras irregulares
Pesquisa mostra crescimento de 6,29% por semana de junho de 2025 a janeiro de 2026. Leia no Poder360.

Medicamentos à base de semaglutida (como Ozempic, Rybelsus e Wegovy) e de tirzepatida (Mounjaro) despertaram grande interesse da população devido à alta eficácia no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade. Ao mesmo tempo, intensificou-se a busca por informações sobre produtos ainda sem autorização sanitária, que vêm sendo comercializados ilegalmente na internet, gerando riscos à saúde dos consumidores.

É o que mostra o estudo Saúde em risco na era digital: desinformação, automedicação e busca por canetas emagrecedoras não autorizadas no Brasil, realizado por pesquisadores do Nechs (Núcleo de Estudos em Comunicação, História e Saúde). A pesquisa analisou, com base em dados do Google Trends, o comportamento de busca relacionado a 5 canetas emagrecedoras sem registro sanitário no país: T.G., Tirzec, Lipoless, Lipoland e Retatrutida. Sem o aval da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), não há garantia de que a composição informada no rótulo corresponda ao conteúdo do produto. Também não há garantia de que eles atendam aos padrões de qualidade, concentração e segurança exigidos.

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No caso da Retatrutida, a Anvisa alertou que a substância está em fase de pesquisa clínica e ainda não foi aprovada para uso terapêutico em nenhum país.

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Os resultados da pesquisa apontaram um aumento do interesse por esses medicamentos ao longo do período analisado. Depois de um intervalo inicial de estabilidade, as buscas passaram a crescer continuamente de junho de 2025 a janeiro de 2026, com aumento médio de 6,29% por semana. Depois disso, a tendência foi de estabilização, mas em um patamar elevado.

Esse aumento evidencia a crescente influência do ambiente digital na procura por tratamentos para emagrecimento. Nesse contexto, redes sociais, aplicativos de mensagens e mecanismos de busca tiveram papel central tanto na circulação de informações quanto na disseminação de desinformação sobre o tema. Os dados não permitem saber quantas dessas buscas foram convertidas efetivamente em compras.

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A análise revelou também diferenças regionais. Mato Grosso do Sul registrou o maior volume proporcional de buscas, com 88,9 pesquisas por milhão de habitantes, seguido por Mato Grosso (48,8), Distrito Federal (39,0), Alagoas (33,2) e Acre (29,4). Na outra extremidade, Amapá (1,2), São Paulo (2,5), Rio de Janeiro (3,6) e Minas Gerais (4,0) apresentaram os menores índices de interesse.

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A explosão das buscas on-line por informações sobre canetas emagrecedoras se deu em paralelo ao crescimento das apreensões realizadas por autoridades brasileiras. Segundo a Polícia Federal, Mato Grosso do Sul se destaca como uma das principais rotas de entrada e distribuição de medicamentos sem autorização sanitária ?cerca de 60% das apreensões no país.

Em 2024, a Receita Federal apreendeu cerca de 2.700 unidades identificadas como ?canetas emagrecedoras?. Em 2025, esse número saltou para aproximadamente 32.000 unidades e, só nos 2 primeiros meses de 2026, alcançou 25.000. No acumulado desde 2024, as apreensões representam cerca de R$ 51 milhões em produtos retidos pelas autoridades.

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A venda de medicamentos falsificados ou sem aprovação sanitária para emagrecimento representa uma ameaça crescente à saúde pública. No Reino Unido, já foram registradas notificações de pancreatite e óbitos associados ao uso de alguns dos produtos oferecidos em redes sociais e sem autorização para venda no país. No Brasil, a Anvisa investiga eventos adversos e mortes associadas ao uso de produtos sem aprovação.

Em julho de 2025, a Eli Lilly alertou para a circulação de versões falsificadas ou não aprovadas de medicamentos à base de tirzepatida, como Lipoless, T.G. e Tirzec. A farmacêutica destacou que não são equivalentes ao Mounjaro, não possuem aprovação sanitária e podem conter dosagens incorretas, impurezas ou até ausência do princípio ativo.

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O termo ?canetas emagrecedoras? consolidou-se no discurso público e passou a ser amplamente utilizado pela mídia e pela população para designar medicamentos destinados ao emagrecimento. A expressão, no entanto, não retrata toda a complexidade desse mercado, que inclui produtos comercializados ilegalmente em diferentes apresentações além das canetas, como frascos e ampolas.

PISTAS DIGITAIS

As buscas na internet constituem pistas digitais capazes de revelar mudanças no comportamento da população antes mesmo que elas apareçam nos sistemas tradicionais de vigilância. Essas evidências reforçam o potencial da epidemiologia digital e da infodemiologia como ferramentas complementares à vigilância sanitária.

Mais do que registrar tendências, as buscas na internet podem funcionar como um sistema complementar de vigilância, contribuindo para identificar riscos emergentes, orientar ações regulatórias e subsidiar políticas públicas. Também fortalecem estratégias de comunicação capazes de reduzir os danos associados à desinformação e ao mercado clandestino de medicamentos.

Durante a elaboração do artigo, os pesquisadores realizaram uma busca exploratória no Instagram utilizando os termos T.G., Lipoless, Lipoland, Tirzec e Retatrutida, citados nos alertas da Anvisa. Em poucos segundos, a plataforma passou a exibir anúncios relacionados aos produtos pesquisados.

Embora essa observação não integre os resultados da pesquisa, ela exemplifica o funcionamento da curadoria algorítmica, que personaliza o conteúdo exibido aos usuários com base em seus interesses e interações. Isso reforça a necessidade de estudos sistemáticos e longitudinais para compreender como os sistemas de recomendação influenciam a circulação, a visibilidade e a promoção de produtos comercializados ilegalmente nas plataformas digitais.

A continuidade e a ampliação dessas investigações digitais são fundamentais para subsidiar políticas públicas mais eficazes e aprimorar a regulação das plataformas, promovendo a segurança da sociedade e fortalecendo a confiabilidade das informações disponíveis sobre saúde.

Este texto foi publicado originalmente pelo The Conversation, em 30 de julho de 2026. O conteúdo é livre para republicação, citada a fonte, e foi adaptado para o padrão do Poder360.

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