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Desigualdades geram disparidades no acesso à radioterapia

Desigualdades geram disparidades no acesso à radioterapia
Pacientes da região Norte percorrem distâncias quatro vezes maiores que os do Sudeste para tratamento Leia no Poder360.

Resumido por Omeloton IA:

Um estudo publicado no International Journal of Radiation Oncology revela profundas desigualdades no acesso à radioterapia no Brasil, analisando mais de 840 mil procedimentos entre 2017 e 2022. A distância média percorrida por pacientes para acessar o tratamento é de 120 km, com enormes disparidades regionais: 71,3 km no Sul, 73,8 km no Sudeste, 161,8 km no Nordeste, 238,9 km no Centro-Oeste e 442,2 km no Norte — quase seis vezes a distância das regiões Sul/Sudeste.

Fatores sociais ampliam as desigualdades: pacientes não brancos percorrem em média 145,6 km contra 97,3 km dos brancos, refletindo a concentração de infraestrutura oncológica nas regiões mais desenvolvidas e a concentração de tecnologias avançadas em poucos centros, exigindo deslocamentos 45 km maiores para tratamentos complexos.

As longas distâncias comprometem a adesão ao tratamento contínuo de radioterapia, provocando abandonos e atrasos que reduzem a sobrevida livre de doença e aumentam recidivas. Pacientes enfrentam custos com moradia temporária, dependência de abrigos públicos e doações, enquanto equipamentos defasados — muitos com mais de 20 anos — prolongam o número de sessões necessárias.

Protocolos hipofracionados, que reduzem sessões de 25-30 para 5-10 no câncer de mama, poderiam mitigar desigualdades, mas dependem de tecnologia e treinamento concentrados em poucos centros. Com projeção de 10% mais casos de câncer até 2030 pelo INCA, a expansão modesta de equipamentos — muitos já obsoletos — não acompanha a demanda crescente, perpetuando desigualdades geográficas, raciais e socioeconômicas no acesso à cura.