O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, enviou uma mensagem ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes pedindo que o magistrado intermediasse um encontro com o presidente do BC (Banco Central), Gabriel Galípolo, para “resolver tudo”. A mensagem foi enviada em 16 de novembro de 2025, um dia antes de Vorcaro ser preso pela Polícia Federal.
O contato se deu em um momento crítico para o empresário. O BC liquidaria extrajudicialmente o Master 2 dias depois, em 18 de novembro de 2025 —medida que Vorcaro tentava evitar com negociações de última hora.
publicidade Formulário de cadastro alertas grátis do Poder360 concordo com os termos da LGPD. Inscreva-se Inscreva-seSegundo as investigações, ele fotografou o registro e o enviou ao contato de Moraes naquele mesmo dia 16 de novembro. “Tentar que o Galípolo me receba e eu apresente o que vamos protocolar essa semana. Vamos resolver tudo. Não podem estourar uma bomba atômica na hora da solução, não faz sentido pra ninguém. Nem pra ele, nem pro governo, pra economia e nem para o Brasil”, diz o texto da anotação. O print consta de um relatório sigiloso elaborado pela PF a partir da análise do aparelho.
publicidade publicidadeNo mesmo dia, Vorcaro enviou outra mensagem a Moraes relatando negociações com investidores estrangeiros. “Na 3ª feira e 4ª feira vamos assinar com todos investidores. Mobilizei gente pesada. Te mostrei até carta da família real de Abu Dhabi. Loucura essa postura na última hora no momento que vou resolver tudo”, escreveu o banqueiro. A mensagem indica que ele tentava convencer investidores árabes a comprar o Master.
Na noite de 17 de novembro de 2025, a PF prendeu Vorcaro no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, quando ele tentava embarcar em um jato particular com destino aos Emirados Árabes. Um dia depois, o BC decidiu liquidar extrajudicialmente o banco.
RELATÓRIO DA PFAs informações constam de um relatório de 218 páginas produzido pela PF (Polícia Federal) a partir da análise do celular de Daniel Vorcaro, apreendido durante a operação Compliance Zero. O documento reúne mensagens, registros de chamadas, arquivos, contratos e outros dados encontrados no aparelho do fundador do Banco Master.
publicidadeA operação Compliance Zero foi deflagrada pela PF em novembro de 2025 para investigar suspeitas de fraudes envolvendo a venda de carteiras de crédito do Banco Master ao BRB (Banco de Brasília). Vorcaro foi preso na 1ª fase da operação, em 18 de novembro de 2025.
O relatório foi elaborado a pedido do ministro André Mendonça, do STF, para identificar integrantes de uma possível rede de influência e monitoramento atribuída a Vorcaro. A PF entregou o documento em 27 de agosto de 2026.
Parte das mensagens analisadas foi enviada pelo recurso de visualização única do WhatsApp. Por isso, em diversos diálogos reproduzidos no relatório, é possível identificar mensagens enviadas por Vorcaro, mas não conhecer o conteúdo das respostas do interlocutor. No caso das conversas com o contato identificado como “Alexandre de Moraes BRASILIA”, isso impede reconstruir integralmente parte dos diálogos.
A própria PF afirma que a análise “não possui caráter exaustivo”, porque foi realizada no prazo de 72 horas determinado para atender à requisição judicial. Segundo a corporação, podem existir outras citações ou referências indiretas ainda não identificadas pela equipe policial.
O conteúdo veio a público nesta 3ª feira (1º.set.2026), depois que Mendonça derrubou o sigilo da ação. Leia aqui todos os documentos.
OUTRO LADOO Poder360 procurou o ministro Alexandre de Moraes, do STF, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e a defesa de Daniel Vorcaro para comentar as mensagens e o relatório da Polícia Federal. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.
Eis a íntegra da nota do escritório Barci de Moraes sobre o envolvimento de Moraes nos contratos:
“Em virtude da abrangência do pedido de contratação de prestação de serviços advocatícios pelo Banco Master ao BARCI DE MORAES, o setor de compliance do escritório, como faz em outros casos semelhantes, solicitou informações ao Ministro Alexandre de Moraes, na condição de marido da sócia diretora do referido escritório, sobre a eventual existência de impedimentos legais para a contratação nos termos propostos na minuta contratual, tais como ações no STF sobre sua relatoria ou mesmo participação em julgamentos de interesse do possível cliente.
“Diante da inexistência de previsão de atuação no STF ou de qualquer impedimento legal, uma vez que o Ministro Alexandre de Moraes jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco Master, o contrato foi assinado e os serviços advocatícios devidamente prestados.”
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