A Polícia Federal resgatou diálogos no celular do fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, que indicam a assinatura de um contrato de R$ 50 milhões, pagos com a transferência de cotas de um avião e de um helicóptero para o escritório Barci de Moraes, da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.
As mensagens recuperadas pela corporação mostram que o acordo foi firmado em maio de 2025 por meio da holding Viking Participações –empresa investigada como suposto instrumento utilizado para a blindagem do patrimônio de Vorcaro. Segundo o relatório da PF, Vorcaro buscou alternativas jurídicas para repassar as cotas dos ativos sem que o escritório de advocacia figurasse formalmente como sócio de empresas ligadas ao fundador do Banco Master.
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publicidade publicidade Daniel Vorcaro pede a Marcos Primeque envie a Viviane de Moraes brochura do avião Legacy e do helicóptero EC 155O relatório mostra que o escritório já utilizava as aeronaves –um avião Legacy 650 e um helicóptero EC 155 B1– em julho de 2025. Esse foi o 2º contrato firmado entre as partes. O 1º, no valor de R$ 131 milhões, foi assinado pelo próprio Banco Master no início de 2024, com pagamentos mensais de R$ 3,4 milhões.
Registros das conversas indicam que Vorcaro orientou colaboradores a priorizar os repasses ao escritório sem atrasos. Em março de 2024, o empresário afirmou a uma funcionária que o pagamento ao escritório era o “mais importante” e orientou que o envio fosse feito “do jeito que for”.
Em nota ao Estadão, o escritório Barci de Moraes informou que solicitou a Alexandre de Moraes uma análise sobre eventuais impedimentos legais antes de assinar o contrato, por conta de sua atuação no Supremo. O caso foi enviado ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do processo sobre o Banco Master no STF.
publicidade Outros ladosO Poder360 procurou o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e a defesa de Daniel Vorcaro para comentar as mensagens e o relatório da Polícia Federal. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.
Em nota, o escritório Barci de Moraes afirmou que seu setor de compliance solicitou ao ministro informações sobre eventuais impedimentos legais à contratação, pelo Banco Master, de seus serviços advocatícios. Não citou a transferência de cotas de um avião e de um helicóptero.
Eis a íntegra da nota do escritório Barci de Moraes:
“Em virtude da abrangência do pedido de contratação de prestação de serviços advocatícios pelo Banco Master ao Barci de Moraes, o setor de compliance do escritório, como faz em outros casos semelhantes, solicitou informações ao ministro Alexandre de Moraes, na condição de marido da sócia diretora do referido escritório, sobre a eventual existência de impedimentos legais para a contratação nos termos propostos na minuta contratual, tais como ações no STF sobre sua relatoria ou mesmo participação em julgamentos de interesse do possível cliente.
“Diante da inexistência de previsão de atuação no STF ou de qualquer impedimento legal, uma vez que o ministro Alexandre de Moraes jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco Master, o contrato foi assinado e os serviços advocatícios devidamente prestados.”
RELATÓRIO DA PFAs informações constam de um relatório de 218 páginas produzido pela PF (Polícia Federal) a partir da análise do celular de Daniel Vorcaro, apreendido durante a operação Compliance Zero. O documento reúne mensagens, registros de chamadas, arquivos, contratos e outros dados encontrados no aparelho do fundador do Banco Master.
Leia a íntegra do relatório da PF sobre o celular de Daniel Vorcaro (PDF – 5 MB).A operação Compliance Zero foi deflagrada pela PF em novembro de 2025 para investigar suspeitas de fraudes envolvendo a venda de carteiras de crédito do Banco Master ao BRB (Banco de Brasília). Vorcaro foi preso na 1ª fase da operação, em 18 de novembro de 2025.
O relatório foi elaborado a pedido do ministro André Mendonça, do STF, para identificar integrantes de uma possível rede de influência e monitoramento atribuída a Vorcaro. A PF entregou o documento em 27 de agosto de 2026.
Parte das mensagens analisadas foi enviada pelo recurso de visualização única do WhatsApp. Por isso, em diversos diálogos reproduzidos no relatório, é possível identificar mensagens enviadas por Vorcaro, mas não conhecer o conteúdo das respostas do interlocutor. No caso das conversas com o contato identificado como “Alexandre de Moraes BRASILIA”, isso impede reconstruir integralmente parte dos diálogos.
A própria PF afirma que a análise “não possui caráter exaustivo”, porque foi realizada no prazo de 72 horas determinado para atender à requisição judicial. Segundo a corporação, podem existir outras citações ou referências indiretas ainda não identificadas pela equipe policial.
O conteúdo veio a público nesta 3ª feira (1º.set.2026), depois que Mendonça derrubou o sigilo da ação. Leia aqui todos os documentos.
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