Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, afirmou à Polícia Federal que ofereceu como um “agrado” um serviço de consultoria de luxo a Paulo Sérgio Neves de Souza, então diretor de Fiscalização do Banco Central, para uma viagem aos Estados Unidos.
A declaração foi dada em depoimento à Polícia Federal em 28 de agosto de 2026 e divulgada pelo Metrópoles nesta 5ª feira (3.set.2026). Vorcaro falou por videoconferência da Papudinha, em Brasília, onde está preso preventivamente em decorrência da operação Compliance Zero.
publicidade Formulário de cadastro alertas grátis do Poder360 concordo com os termos da LGPD. Inscreva-se Inscreva-seSegundo a investigação, Paulo Sérgio teria utilizado serviços da SL Consulting durante uma viagem aos parques da Disney e da Universal, em Orlando, nos Estados Unidos, com a família.
publicidade publicidadeAo ser questionado sobre o benefício, Vorcaro disse que já utilizava a empresa e costumava disponibilizar o serviço a outras pessoas. “Ofereci como um agrado. Era um serviço que oferecia para muitas pessoas. Era uma coisa interessante”, declarou.
Segundo Vorcaro, Paulo Sérgio havia comentado que viajaria à Disney com a família quando o empresário mencionou a possibilidade de usar o serviço de concierge. O empresário Léo Serrano, da SL Consulting, prestou depoimento à Polícia Federal em 24 de agosto. Disse aos investigadores que a viagem foi realizada no início de 2024.
À época, Paulo Sérgio já havia deixado o cargo de diretor de Fiscalização do Banco Central. Ele atuava como chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária da autoridade monetária.
publicidadeProcurada pelo Poder360, a defesa de Vorcaro declarou que não pretende se manifestar sobre os fatos relatados pela reportagem.
QUEM É PAULO SÉRGIOPaulo Sérgio Neves de Souza era chefe-adjunto de Supervisão Bancária do BC e mantinha contato próximo com Vorcaro. Ele foi citado na 3ª fase da operação Compliance Zero, deflagrada em 4 de março deste ano.
Segundo o despacho (PDF – 384 kB) do ministro André Mendonça, que autorizou a operação, Neves e Vorcaro trocavam mensagens. O funcionário do Banco Central dava orientações em ofícios e até para uma reunião com o presidente da autoridade monetária. “Mesmo sendo servidor do Bacen, Paulo Sérgio torna-se uma espécie de empregado/consultor de Vorcaro para assuntos de interesse exclusivamente privado deste último”, escreveu o magistrado.
Neves foi afastado do Banco Central por ordem do Supremo, assim como Belline Santana, chefe-adjunto do Desup (Departamento de Supervisão Bancária). De acordo com o Banco Central, indícios de percepção de vantagens indevidas por 2 integrantes do quadro permanente foram identificados durante revisão interna de processos de fiscalização e de liquidação da instituição financeira.
Para a Polícia Federal, as provas indicam que o ex-diretor prestava uma “consultoria informal” para Vorcaro sobre temas de interesse do Master. Os investigadores entenderam que Neves e Santana mantinham um relacionamento ilícito com o fundador do Master, com recebimento mensal de valores por meio de estruturas empresariais usadas para ocultar pagamentos.
O Poder360 tentou entrar em contato com Paulo Sérgio Neves de Souza, mas não teve sucesso na busca de um telefone ou e-mail válidos até a publicação desta reportagem. Este jornal digital seguirá tentando estabelecer contato. Este texto será atualizado assim que alguma manifestação for recebida.
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