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Vorcaro diz que doações a Tarcísio e Bolsonaro foram propina

Vorcaro diz que doações a Tarcísio e Bolsonaro foram propina
Fundador do Banco Master diz que repasse de R$ 5 mi foi contrapartida negociada com Gilberto Kassab delação foi rejeitada. Leia no Poder360.

O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou, em proposta de delação premiada, que as doações feitas à campanha de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e à reeleição de Jair Bolsonaro (PL) em 2022 constituem propina negociada com o presidente do PSD, Gilberto Kassab. No total, os repasses somaram R$ 5 milhões. Kassab e Tarcísio negam o relato e dizem não ter participado de negociações com Vorcaro.

A informação foi publicada nesta 5ª feira (3.set.2026) pelos jornalistas Fábio Serapião, Natália Portinari, Artur Rodrigues e Cézar Feitoza, do UOL. Segundo a proposta de delação, os valores foram repassados como “contrapartidas financeiras” de um “ajuste indevido” com Kassab para garantir a permanência do programa Credcesta no governo estadual de Tarcísio de Freitas.

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O Credcesta é um cartão de crédito consignado destinado a funcionários públicos, operado pela PKL One Participações, empresa ligada a parentes de Augusto Lima, sócio de Vorcaro. O negócio nasceu na Bahia, com o apoio de políticos do PT para sua rápida expansão. O produto era o principal ativo do Banco Master.

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Na versão de Vorcaro, Augusto Lima era o responsável pelas articulações de expansão do Credcesta dentro do banco. Com a perspectiva de vitória de Tarcísio nas eleições de 2022, Lima buscou assegurar a continuidade do negócio junto ao governo paulista. Para isso, foi mediado por Kassab, então apoiador da campanha e posteriormente nomeado secretário do Governo de São Paulo.

“Com a eleição de 2022 em São Paulo e a ascensão de Tarcísio de Freitas como provável vencedor, Augusto Lima, responsável pelas articulações de expansão do Credcesta, buscou garantir a continuidade do negócio junto ao Governo do Estado de São Paulo”, diz trecho da proposta de delação, segundo a reportagem. Vorcaro afirma ter sido informado por Lima do arranjo com Kassab.

O acordo descrito na delação estipulava o repasse de 5% do resultado líquido da operação do Credcesta em São Paulo, além de contribuições para campanhas do PSD e de partidos a ele associados.

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A proposta de delação foi rejeitada em 3 versões diferentes apresentadas por Vorcaro às autoridades. A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República negaram todas elas sob o argumento de ausência de ineditismo e de elementos de corroboração.

Na semana passada, Vorcaro pediu para depor ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal. Na audiência, reiterou o interesse em delatar, mas a PGR novamente rejeitou a proposta pelos mesmos fundamentos.

DOAÇÕES ELEITORAIS

Segundo a reportagem do UOL, Vorcaro relaciona duas frentes de doações eleitorais como contrapartidas pela continuidade do programa em São Paulo.

A 1ª foi uma doação formal de R$ 5 milhões, dividida em R$ 2 milhões para a campanha de Tarcísio de Freitas e R$ 3 milhões para a reeleição de Bolsonaro. A 2ª foi um conjunto de doações informais, em caixa 2, de cerca de R$ 10 milhões em espécie, entregues por Thiago Botelho, o Papel, a pessoas interpostas de Kassab; segundo Vorcaro, esse valor seria destinado às campanhas do PSD.

“O pagamento relacionado à doação eleitoral seria inicialmente realizado integralmente em dinheiro. Contudo, Gilberto Kassab ou seus interlocutores informaram a Augusto Lima que precisaria cumprir um compromisso com partidos políticos parceiros e angariar recursos, mas que, neste caso, os partidos parceiros somente aceitariam doações oficiais”, afirma trecho da delação divulgada pelo UOL.

Para os R$ 5 milhões em doações formais, Vorcaro diz ter acionado Fabiano Zettel, seu cunhado e um dos investigados na operação Compliance Zero. Na delação, justifica a escolha: sua proximidade com o PT o impedia de fazer doações oficiais a adversários políticos.

Vorcaro afirma que Zettel desconhecia as motivações reais dos repasses, mas não se importou em realizá-los por ter afinidade ideológica com os candidatos beneficiados.

Vorcaro afirma ainda que tanto as doações formais quanto o caixa 2 foram efetivados, e que a contrapartida prometida pelo grupo político ligado a Kassab se concretizou.

Ainda de acordo com a reportagem, a relação do Credcesta com o Governo de São Paulo foi mantida pelo Master por mais de 1 ano. Somente em 9 de dezembro de 2024, Tarcísio editou o Decreto nº 69.126 de 2024, que abriu o mercado de crédito consignado para funcionários públicos de outras instituições.

O Credcesta teve a operação iniciada em julho de 2022, já no governo de Rodrigo Garcia (PSDB), depois que o governo de João Doria, então no PSDB, autorizou, em março daquele ano, que empresas como a PKL oferecessem crédito consignado aos servidores públicos paulistas.

OUTROS LADOS

Ao Poder360, Kassab refutou o relato com veemência. 

“Nunca tratei de doações com Augusto Lima ou Daniel Vorcaro. Aliás, não tenho qualquer relação com Daniel Vorcaro, nunca falei com ele, pessoalmente ou por telefone. Conheço Augusto Lima e Thiago Botelho, mas nunca tratei sobre o Credcesta. Não participei ou recebi nenhuma doação de Vorcaro, de Lima, ou Botelho. Nunca recebi valores em espécie. São relatos que desconheço a origem e que não têm qualquer sustentação factual”, disse o ex-secretário, que hoje é candidato a vice-presidente na chapa de Ronaldo Caiado (PSD).

Procurada por este jornal digital, a defesa de Augusto Lima disse que não vai comentar porque classifica como “absurdas” as declarações.

Ao Poder360, Tarcísio de Freitas também negou qualquer relação com Vorcaro. “A campanha de Tarcísio de Freitas de 2022 contou com mais de 600 doadores e foi conduzida em estrita observância à legislação eleitoral. O governador não possui qualquer vínculo ou relação com o doador citado e não tinha conhecimento de eventuais condutas alheias à campanha. A prestação de contas da campanha foi regularmente apresentada e aprovada pela Justiça Eleitoral”, diz o comunicado.

A nota acrescenta que o credenciamento da PKL One Participações no sistema estadual de consignações ocorreu em maio de 2022, na gestão anterior, e que a participação não envolve repasse de recursos públicos.

Leia a nota completa enviada ao Poder360:

“Tarcísio de Freitas nunca teve qualquer contato ou relação com Daniel Vorcaro e não tem conhecimento do fato mencionado pela reportagem.

“A campanha de Tarcísio de Freitas de 2022 contou com mais de 600 doadores e foi conduzida em estrita observância à legislação eleitoral. O governador não possui qualquer vínculo ou relação com o doador citado e não tinha conhecimento prévio de eventuais condutas alheias à campanha. A prestação de contas foi regularmente apresentada e aprovada pela Justiça Eleitoral.

“A participação de instituições no sistema estadual de consignações ocorre por meio de credenciamento público, regulamentado há mais de dez anos pelo Decreto nº 60.435/2014 e normas correlatas. Atualmente, mais de uma centena de instituições estão habilitadas a operar esse serviço no Estado.

“No caso da PKL One Participações S.A., responsável pelo cartão Credcesta, o credenciamento como consignatária ocorreu em maio de 2022, portanto, na gestão anterior, conforme as regras vigentes, tendo a suspensão das suas operações em 19/02/2026, após a liquidação extrajudicial das instituições.

“Esse credenciamento não constitui contrato com o Estado e não envolve qualquer repasse de recursos públicos. Trata-se exclusivamente de uma habilitação que permite aos servidores escolher livremente, entre as instituições autorizadas, aquela com a qual desejam realizar operações consignadas.”

O Poder360 procurou a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre prisão domiciliar em Brasília, a defesa de Augusto Lima e a de Daniel Vorcaro por meio de WhatsApp e e-mail, porém não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.

O Poder360 também tentou entrar em contato com Thiago Botelho, mas não teve sucesso em encontrar um telefone ou e-mail válido para informar sobre o conteúdo desta reportagem. Este jornal digital seguirá tentando fazer contato com e este texto será atualizado caso uma manifestação seja recebida.

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