O Supremo Tribunal Federal salvou momentaneamente, nesta 3ª feira (15.set.2026), o ministro Alexandre de Moraes de ser investigado sobre suas relações com Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master e preso no momento sob suspeita de corrupção, depois de o ministro Flávio Dino pedir vista (mais tempo para analisar os autos). Com isso, o Regimento do STF permite que o caso seja devolvido em até 90 dias. Dessa forma, é possível que a decisão sobre investigar Moraes seja tomada só depois das eleições de outubro.
O plenário do Supremo passou o dia inteiro discutindo se deveria ou não fazer o julgamento nesta 3ª feira (15.set). É que antes de o julgamento começar, o ministro decano (mais antigo da Corte), Gilmar Mendes, propôs a análise de uma questão de ordem. Argumentou que havia procedimentos errados adotados pelo colega André Mendonça e que seria necessário julgar o caso de Moraes na semana que vem, quando também seria analisado um pedido de suspeição do próprio Mendonça.
publicidade Formulário de cadastro alertas grátis do Poder360 concordo com os termos da LGPD. Inscreva-se Inscreva-seA sessão transcorreu cheia de ofensas e xingamentos entre os ministros.
publicidade publicidadeGilmar e Mendonça se acusaram mutuamente de leviandade. No final da tarde, durante um novo bate-boca entre os 2 magistrados, Dino apresentou o pedido de vista e travou todo o processo. Nesse momento, ainda pediu a palavra a ministra Cármen Lúcia, que apresentou seu voto a respeito da questão de ordem. O placar sobre a proposta apresentada por Gilmar ficou assim:
pedido de vista ? Flávio Dino; a favor da questão de ordem ? 3 (Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes); contra a questão de ordem ? 4 (André Mendonça, Cármen Lúcia, Edson Fachin e Luiz Fux); não votaram ? Dias Toffoli (suspeição) e Nunes Marques (impedido). QUESTÃO DE ORDEM DE GILMARAo proclamar o resultado, Fachin resumiu a questão apresentada pelo decano.
Gilmar propõe:
1 ? determinar, em razão da continência, a reunião e, por consequência, a tramitação conjunta da PET 16.662 e da PET 16.704; 2 ? ordenar, após o apensamento dos feitos mencionados, a redistribuição na forma regimental; 3 ? estipular, depois da redistribuição dos processos, a necessidade de notificação de todos os magistrados mencionados no processo do Banco Master, sobre os quais recaem indícios de recebimento de valores indevidos; 4 ? determinar, depois da notificação referida, a abertura de prazos para manifestação do procurador-geral da República e dos juízes citados. Gustavo Moreno/STF ? 15.set.2026 Da esq. para a dir.: Flávio Dino, André Mendonça, Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes BATE-BOCA E PEDIDO DE VISTADino pediu vista depois de o procurador-geral da República, Paulo Gonet, manifestar-se. ?Não existe nem tive relacionamento de proximidade com o senhor Vorcaro. O único encontro que tive com o senhor Vorcaro se deu com várias autoridades em abril de 2024. A única ligação, intermediada por advogado, foi brevíssima e banal?, afirmou.
Mendonça começou a falar. Foi interrompido por Gilmar.
publicidade André Mendonça ? ?Doutor Paulo, eu tenho que ser justo. Ninguém gostaria de estar aqui. Estamos aqui por dever de ofício. A gente pode até avaliar se não deveríamos ter feito isso, talvez hoje, conhecendo os fatos?; Gilmar Mendes ? ?É impressionante, presidente, que uma pessoa da estatura do Paulo Gonet sofra esse tipo de ilação. Isto sim é leviandade, isto sim é leviandade. O sujeito investido de um sentimento policialesco, junto com seus delegados?; André Mendonça ? ?Presidente, eu que estou com a palavra?; Gilmar Mendes ? ?É impressionante. É impressionante a desfaçatez desse sujeito?; André Mendonça ? ?A desfaçatez de Vossa Excelência, me respeite?; Gilmar Mendes ? ?Pode chorar?; André Mendonça ? ?Não estou chorando, não. Aqui não tem choro, não. Respeite?.Foi aí, nesse momento de maior tensão durante a sessão, que Dino pediu vista e cobrou uma posição de Fachin: ?Nós estamos em termos que degradam a imagem do Tribunal. Vossa excelência está assistindo isso há horas. Isso está transformando o Supremo nas próximas semanas, quiçá meses, neste debate. Se Vossa Excelência vai assistir a isso, eu não vou. Porque sou funcionário público deste país e tenho respeito a ele?.
Fachin argumentou que tem tentado conduzir a situação. Dino rebateu. ?E eu estou lhe informando que Vossa Excelência está conduzindo o Supremo para ficar deste modo degradante do ponto de vista técnico-ético por meses. Faço essa lembrança patriótica e fraterna?, disse.
Eis um resumo do julgamento do STF desta 3ª feira (15.set):
abertura com Fachin ? a sessão foi aberta às 10h35. O presidente, ministro Edson Fachin, disse que divergências não podem ser confundidas com confronto pessoal, que o Supremo vive um período difícil e que não se julgam pessoas, mas fatos. Declarou que a decisão será do plenário; Nunes Marques ? declarou-se impedido de participar de um julgamento que pode influenciar as eleições. O ministro preside o Tribunal Superior Eleitoral. O presidente da Corte, Edson Fachin, e André Mendonça foram informados antes. Logo depois de sua fala, ele pediu para deixar o plenário e foi embora; Dias Toffoli ? declarou-se suspeito e também não votará. Alegou foro íntimo e que, assim, ajuda a preservar o Supremo no caso de ?eventuais especulações?. Ao contrário de Nunes Marques, informou que vai seguir no plenário caso precise se manifestar se achar que é necessário; Dino X Fachin ? o ministro e o presidente da Corte se desentenderam sobre quem autoriza apartes no STF, se é o relator ou o presidente. Fachin chegou a elevar o tom de voz, mas depois os 2 entraram em um acordo e até se abraçaram após a sessão ser suspensa. Dino defendeu também que o chefe da Corte deixe a relatoria do caso Moraes-Vorcaro; bate-boca 1 ? em sua 1ª manifestação no plenário, Alexandre de Moraes disse ter testemunhas de que ele foi investigado pela Polícia Federal a mando de André Mendonça, que reagiu: ?É mentira?. Os 2 bateram boca. Moraes declarou que o colega de toga ?está a serviço de um grupo político que quis dar golpe?; bate-boca 2 ? após a manifestação de Moraes, o ministro Gilmar Mendes pediu a palavra. Fez duras críticas a Mendonça. O decano afirmou ser ?evidente? que o relator do caso Master conduziu o inquérito envolvendo Moraes e Daniel Vorcaro de forma enviesada, que ele não merece respeito e sugeriu que ele é um ?vazador-geral da República?; afastamento na PF ? Gilmar chamou a decisão de Mendonça de afastar Andrei Rodrigues de ?vexame? e ?falta de noção?; jornalistas no plenário ? depois de informar que não permitiria a presença de profissionais de veículos de mídia no local, o STF decidiu recuar, mas proibiu o uso de celulares e de computadores portáteis no plenário ?na área externa não houve restrições do tipo; manifestação na Esplanada ? o Novo promoveu um ato contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Moraes. O candidato do partido à Presidência, Romeu Zema, participou. Defendeu uma investigação contra Moraes e disse que há mais ?frutas podres? na Corte.Assista à íntegra da sessão (7h50min):
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