O ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, autorizou no dia 11 de maio de 2026 a interceptação telefônica e o monitoramento de WhatsApp de investigados no caso do Banco Master. Entre os alvos estão policiais federais e integrantes do núcleo de hackers que, segundo a Polícia Federal, fariam parte de uma organização criminosa liderada pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
As informações aparecem em relatórios da corporação divulgados na 5ª feira (10.set.2026) pelo ministro. A retirada do sigilo atendeu a um pedido do presidente da Corte, ministro Luiz Edson Fachin.
publicidade Formulário de cadastro alertas grátis do Poder360 concordo com os termos da LGPD. Inscreva-se Inscreva-seMendonça afirmou que estavam presentes “indícios razoáveis de autoria e materialidade”, além da indispensabilidade da medida e da insuficiência dos meios ordinários de prova. O ministro deferiu a interceptação telefônica dos terminais dos investigados por 15 dias e, pelo mesmo período, o monitoramento telemático do WhatsApp e do WhatsApp Web. Mendonça também determinou que as operadoras e o provedor fornecessem dados cadastrais, registros de acesso e metadados relacionados aos alvos.
publicidade publicidadeA decisão também autorizou o acesso forense às contas e aos ambientes virtuais associados aos investigados, com extração técnica do conteúdo armazenado.
Na representação, a PF afirma que os investigados Anderson Wander da Silva Lima, Sebastião Monteiro Júnior e Manoel Mendes Rodrigues integram o núcleo denominado “A Turma”. Segundo a corporação, o grupo estaria inserido na estrutura da organização criminosa que a investigação aponta como liderada por Daniel Vorcaro. A PF afirma que o núcleo tem ao menos 3 policiais federais —2 aposentados e 1 da ativa.
A PF afirma que Marilson Roseno da Silva solicitou a Anderson Wander que realizasse pesquisas em sistemas da corporação no interesse de Daniel Vorcaro. Segundo a representação, Wander também solicitava a outros policiais que fizessem consultas, utilizando a relação de confiança existente entre os servidores.
publicidadeA corporação diz ter identificado indícios de que Wander recebeu “contrapartidas financeiras” pela atuação. A PF também afirma que Marilson fazia solicitações diretamente a outros policiais da ativa.
Segundo a investigação, Vorcaro utilizaria Marilson e Wander como canais de acesso a sistemas internos da PF, por meio dos quais teria obtido informações disponíveis apenas para servidores da ativa, como registros de investigações e dados cadastrais.
A PF afirma ainda que uma auditoria identificou pesquisas indevidas no sistema ePol, de acesso exclusivo de policiais federais. Segundo a corporação, até aquele momento a auditoria havia apontado que o acesso indevido partira da delegacia da PF em Juiz de Fora (MG).
PagamentosA representação também registra um episódio envolvendo uma transferência via Pix para Anderson Wander. Segundo a PF, em 31 de dezembro de 2025, Marilson Roseno pediu ao policial sua chave Pix para “enviar uma oferenda”. No dia seguinte, Wander teria enviado um áudio aparentemente agradecendo pelo valor recebido.
A corporação afirma que não conseguiu determinar o valor da transferência. Segundo a PF, o episódio seria compatível com outros indícios de que Wander recebeu contrapartidas financeiras por sua atuação.
A PF também afirma que havia solicitações de pesquisas feitas por Marilson diretamente a outros policiais que estavam na ativa.
Núcleo de hackersA PF descreve ainda o núcleo denominado “Os Meninos”, formado, segundo a investigação, por David Henrique Alves, Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos e Victor Lima Sedlmaier. A corporação afirma que o grupo atuava em ataques cibernéticos e que seus integrantes tinham capacidade de invadir dispositivos móveis e serviços de armazenamento em nuvem
Segundo a PF, o grupo foi acionado em diferentes ocasiões para atingir pessoas que faziam críticas a Vorcaro. A representação cita, por exemplo, a derrubada de um perfil no Instagram que fazia críticas a um evento do Banco Master em Londres.
A representação também relata que, em julho de 2025, Vorcaro teria pedido a Mourão que “hackeasse” o jornalista Lauro Jardim. Segundo a PF, Mourão respondeu que pediria aos integrantes de “Os Meninos” que realizassem a ação.
Na avaliação da PF, o núcleo “Os Meninos” estaria inserido na organização criminosa investigada e teria como função a realização de ataques cibernéticos, inclusive com invasão de sistemas governamentais para acesso a dados sigilosos.
A decisão de Mendonça não afirma, por si só, que os investigados praticaram os crimes descritos pela PF. Ao autorizar as interceptações, o ministro registrou que havia indícios de autoria e materialidade e considerou preenchidos os requisitos legais para a medida.
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