O caminho do dinheiro enviado pelo banqueiro Daniel Vorcaro para o fundo norte-americano Havengate passou a integrar um acordo de colaboração premiada firmado pela Procuradoria Geral da República com o empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro. As informações são da jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo.
Dono da Entre Investimentos e Participações, Freixo atuou nos repasses associados ao financiamento de Dark Horse, filme sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). No acordo, relatou pagamentos feitos a pedido de Vorcaro e apresentou informações sobre transferências ao exterior.
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publicidade publicidadeEm 14 de maio, o jornal digital Intercept Brasil informou que Freixo foi o intermediador dos repasses do Banco Master ao filme. O Grupo Entre comprou a IstoÉ em 2022 e controla a IstoÉ Publicações desde então.
Freixo já havia sido um dos alvos da 2ª fase da operação Compliance Zero, em 14 de janeiro. Em 27 de março, a instituição de pagamento Entrepay, que pertencia ao Grupo Entre, foi liquidada pelo Banco Central, que também decretou a indisponibilidade de bens.
O material foi encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, a quem caberá decidir sobre a homologação. Não há prazo para a análise.
publicidadeTrata-se da 2ª colaboração premiada apresentada no caso Master. Também chegou ao gabinete de Mendonça uma proposta de acordo de João Carlos Mansur, dono da gestora Reag, responsável por fundos ligados a Vorcaro.
Colaboração cita remessas ao fundo nos EUASegundo as informações apresentadas por Freixo, a Entre fez remessas ao Havengate, sediado no Texas e administrado pelo advogado de imigração Paulo Calixto, próximo do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Freixo afirmou não saber que os recursos seriam destinados à produção do filme.
O empresário também relatou entregas de dinheiro em espécie feitas a pedido de Vorcaro e indicou endereços onde as quantias teriam sido entregues. Disse, porém, desconhecer o destino final dos valores. Não citou autoridades com foro privilegiado.
A colaboração pode auxiliar os investigadores na tentativa de obter registros financeiros do Havengate nos Estados Unidos e em eventual pedido de cooperação com autoridades norte-americanas. Segundo a coluna, a defesa de Freixo Júnior informou que não se manifestaria porque a apuração é sigilosa.
A Polícia Federal apura se todo o dinheiro enviado ao fundo foi destinado ao filme ou se parte dos recursos pode ter custeado despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Eduardo nega ter recebido dinheiro de Vorcaro. Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, afirma que os recursos foram usados integralmente na produção.
Dados já divulgados indicam que Vorcaro enviou ao menos US$ 12,3 milhões, equivalentes a cerca de R$ 65 milhões nas cotações das datas dos pagamentos, para a estrutura ligada ao financiamento da produção. Uma das transferências, de US$ 1,6 milhão, foi realizada em setembro de 2025, depois do período em que Flávio havia afirmado que os pagamentos tinham terminado.
A investigação sobre o financiamento do longa também entrou na disputa política. Aliados de Bolsonaro defendem que o caso seja concentrado sob a relatoria de Mendonça, enquanto deputados de PT, PC do B, PV, Psol e Rede pediram ao presidente do STF, Edson Fachin, o fim do sigilo das apurações. A defesa de Freixo afirmou que não se manifestaria porque o acordo está sob sigilo.
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