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Nunes Marques diz que filho nunca prestou serviço ao Master

Nunes Marques diz que filho nunca prestou serviço ao Master
Ministro afirmou que Kevin Marques nunca recebeu pagamentos do banco e citou quebra de sigilo bancário. Leia no Poder360.

O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, afirmou nesta 3ª feira (15.set.2026) que seu filho, o advogado Kevin Marques, não prestou serviços nem recebeu pagamentos do Banco Master. A declaração foi feita durante a sessão que analisa o relatório da Polícia Federal sobre a relação entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, fundador do banco.

Nunes Marques pediu a palavra no plenário ao se declarar impedido de participar do julgamento. A manifestação se deu depois de mensagens extraídas do celular de Vorcaro mencionarem um possível pagamento de R$ 500 mil ao filho do ministro.

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Assista ao momento (4min56s):

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“Em relação às mensagens que circulam de ontem, de hoje e que sempre vão rondar autoridades no Brasil, eu nunca julguei nenhum processo relacionado ao Master. Meu filho nunca prestou nenhum serviço ao banco e nunca foi remunerado pelo banco. Quanto a isso, eu tenho absoluta isenção, e a minha isenção está calcada e absolutamente comprovada nos votos que eu proferi”, disse Kassio Nunes Marques.

Kássio disse ainda que nunca manteve conversas com o fundador do Master. “É bom que se registre que, em relação ao caso, eu nunca troquei nenhuma mensagem; não há registro de nenhuma mensagem minha com Daniel Vorcaro. Isso já esclarecendo alguns pontos”, declarou o ministro.

SE DECLAROU IMPEDIDO

Nunes Marques justificou sua decisão de não participar do julgamento, alegando que o caso Vorcaro-Moraes terá impacto eleitoral, sobretudo no processo da escolha do novo presidente da República. Por presidir o TSE, considerou que seria impróprio votar no processo. Na sequência, retirou-se do plenário. Uma outra razão lateral para o impedimento de Nunes Marques, mencionada apenas lateralmente em seu pronunciamento, foi o vazamento de mensagens de um celular de Daniel Vorcaro apreendido pela Polícia Federal. Nessas mensagens, há duas suposições negativas para o magistrado. Os dados foram publicados pelos jornalistas Andreza Matais e André Shalders, no portal Metrópoles:

publicidade pagamento –  numa mensagem “enviada a Vorcaro às 10h41 do dia 4 de julho de 2025, o então diretor jurídico do Banco Master, Luiz Rennó” disse haver um arquivo “contendo o nome ‘Kevin Marques’, um número de telefone acompanhado do texto”, segundo o Metrópoles. Rennó faz uma pergunta: “Esse aqui —500 mil mês— mantém?”. Kevin é o advogado Kevin Marques, filho do ministro Kassio Nunes Marques; encontro com mulheres – no celular de Vorcaro há mensagens de uma mulher identificada como Rayanna, que interage com o fundador do Master, nos meses de fevereiro e março de 2025. Numa dessas mensagens de texto é mencionado “um encontro com mulheres” e, na sequência, Rayanna afirma que uma delas “ficou com o Kassio”.

Na sua manifestação, ao se declarar impedido de votar no caso Vorcaro-Moraes, Nunes Marques negou que seu filho tenha recebido pagamentos de Vorcaro ou do Master.

Assista ao julgamento:

CASO VORCARO-MORAES 

Em um ineditismo na história do Supremo, os ministros iniciaram na manhã desta 3ª (15.set.2026) o julgamento sobre o relatório da Polícia Federal que indica uma relação de um integrante da Corte, o ministro Alexandre de Moraes, com Daniel Vorcaro, investigado como líder da maior fraude ao Sistema Financeiro Nacional.

O caso teve início em 1º de setembro, quando o relator das investigações, ministro André Mendonça, tornou público um relatório que identifica uma interlocução entre Vorcaro e Moraes. O documento afirma que Vorcaro pediu uma interferência do magistrado nas investigações antes de sua prisão, em 17 de novembro de 2025.

O relatório indicou contratos milionários entre o Banco Master e o escritório de advocacia da mulher do ministro, Viviane Barci de Moraes.

Antes que fosse autorizado o andamento das investigações, o ministro André Mendonça remeteu o caso ao plenário do STF. Agora, os ministros analisam se a PF poderá ou não prosseguir com as apurações. 

Em manifestação em 1º de setembro, a Procuradoria Geral da República afirmou que o procedimento da PF foi inválido por duas razões:

Mendonça teria determinado diligências contra pessoas específicas sem pedido do Ministério Público ou iniciativa da PF; uma investigação contra um ministro do Supremo dependeria de autorização do plenário da Corte e deveria ser encaminhada à Presidência do Tribunal. CASO MENDONÇA  

Por sua atuação no inquérito, Mendonça é alvo de pedido do ministro Alexandre de Moraes para investigá-lo por abuso de autoridade e improbidade administrativa. O procedimento foi instaurado inicialmente no inquérito das fake news, mas o presidente do Tribunal, ministro Edson Fachin, avocou a relatoria do caso. 

O contra-ataque processual de Moraes se baseia em um relatório de inteligência da PF contra Mendonça. O documento interno e sem valor probatório indica que o ministro teria direcionado as investigações do Master contra Moraes. 

A validade do documento culminou em uma guerra de liminares para afastar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Por decisão de Fachin, Rodrigues se mantém na chefia da corporação até que haja uma análise mais aprofundada sobre o tema. 

O presidente do STF também marcou o julgamento separado do caso para 23 de setembro.

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