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Mendonça esperou período eleitoral para agir, diz Gilmar

Mendonça esperou período eleitoral para agir, diz Gilmar
Decano do STF afirmou que relator já tinha suspeitas sobre caso Master desde março. Leia no Poder360.

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, afirmou nesta 3ª feira (15.set.2026) que o ministro André Mendonça esperou a chegada do período eleitoral para determinar a elaboração de um relatório da Polícia Federal sobre o caso Banco Master.

“No entanto, apesar de todas as suspeitas já estarem postas desde o início de março, o relator aguardou a chegada do período eleitoral para encomendar o relatório, que muito provavelmente implicaria exatamente quem ele buscava implicar”, disse Gilmar.

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Assista ao momento (2min16s):

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Na avaliação de Gilmar, a divulgação das mensagens de Moraes com Daniel Vorcaro às vésperas do 7 de Setembro reforçaria o caráter político-eleitoral da condução do caso. O ministro afirmou haver “um inequívoco viés político-eleitoral na forma como os autos foram conduzidos”.

Gilmar também criticou a divulgação do conteúdo antes do ato bolsonarista:

“Isso não se faz, pessoas decentes não fazem isso”, disse.

A declaração provocou uma reação imediata de Mendonça, que interrompeu o decano:

“Não seja leviano, não aponte o dedo para mim”, afirmou.

Assista (1min37s): 

Gilmar prosseguiu e disse que a condução do processo poderia ter como consequência a desestabilização da própria Corte.

“Fica parecendo mesmo que o intuito aqui é jogar com o caos”, declarou.

Assista ao julgamento:

CASO VORCARO-MORAES 

Em um ineditismo na história do Supremo, os ministros iniciaram na manhã desta 3ª (15.set.2026) o julgamento sobre o relatório da Polícia Federal que indica uma relação de um integrante da Corte, o ministro Alexandre de Moraes, com Daniel Vorcaro, investigado como líder da maior fraude ao Sistema Financeiro Nacional.

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O caso teve início em 1º de setembro, quando o relator das investigações, ministro André Mendonça, tornou público um relatório que identifica uma interlocução entre Vorcaro e Moraes. O documento afirma que Vorcaro pediu uma interferência do magistrado nas investigações antes de sua prisão, em 17 de novembro de 2025.

O relatório indicou contratos milionários entre o Banco Master e o escritório de advocacia da mulher do ministro, Viviane Barci de Moraes.

Antes que fosse autorizado o andamento das investigações, o ministro André Mendonça remeteu o caso ao plenário do STF. Agora, os ministros analisam se a PF poderá ou não prosseguir com as apurações. 

Em manifestação em 1º de setembro, a Procuradoria Geral da República afirmou que o procedimento da PF foi inválido por duas razões:

Mendonça teria determinado diligências contra pessoas específicas sem pedido do Ministério Público ou iniciativa da PF; uma investigação contra um ministro do Supremo dependeria de autorização do plenário da Corte e deveria ser encaminhada à Presidência do Tribunal. CASO MENDONÇA  

Por sua atuação no inquérito, Mendonça é alvo de pedido do ministro Alexandre de Moraes para investigá-lo por abuso de autoridades e improbidade administrativa. O procedimento foi instaurado inicialmente no inquérito das fake news, mas o presidente do Tribunal, ministro Edson Fachin, avocou a relatoria do caso. 

O contra-ataque processual de Moraes se baseia em um relatório de inteligência da PF contra Mendonça. O documento interno e sem valor probatório indica que o ministro teria direcionado as investigações do Master contra Moraes. 

A validade do documento culminou em uma guerra de liminares para afastar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Por decisão de Fachin, Rodrigues se mantém na chefia da corporação até que haja uma análise mais aprofundada sobre o tema. 

O presidente do STF também marcou o julgamento separado do caso para 23 de setembro.

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