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Mansão usada por Lulinha foi alugada por testemunha da Lava Jato

Mansão usada por Lulinha foi alugada por testemunha da Lava Jato
Segundo “O Globo”, o dentista Rafael Arbex assinou contrato negociado pela lobista Roberta Luchsinger e com cláusula de confidencialidade. Leia no Poder360.

O contrato de aluguel da mansão no Lago Sul, em Brasília, frequentada pela lobista Roberta Luchsinger e por Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, foi assinado por um terceiro e incluiu uma cláusula de confidencialidade. O locatário é o dentista Rafael Nicolau Arbex, que foi testemunha de Fernando Bittar no processo sobre o sítio de Atibaia na Lava Jato. As informações são da coluna da jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, publicada nesta 6ª feira (21.ago.2026).

Bittar era apontado como o dono do sítio de Atibaia que esteve no centro da ação que levou à condenação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A sentença contra o petista foi anulada pelo Supremo Tribunal Federal em 2021.

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Em 2018, em depoimento à 13ª Vara de Curitiba, Arbex afirmou que morava no sítio em Atibaia a convite de Bittar e negou que a família de Lula frequentasse o local. Naquela ocasião, disse conhecer Bittar e Lulinha há 25 anos. A mulher de Bittar, Lilian, é prima de Arbex.

A imobiliária TRK informou à coluna que Roberta Luchsinger visitou a mansão em Brasília e esteve nas reuniões para discutir o aluguel, mas quem assinou o contrato foi Arbex.

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“Em 2024, nós da TRK fizemos apenas a intermediação da locação da casa, e o locatário no contrato intermediado por nós foi o Rafael Nicolau Fioruci Arbex. A Roberta nunca foi locatária em nenhum contrato intermediado pela TRK. Depois dessa locação, todas as tratativas e eventuais novos contratos foram feitos diretamente entre o proprietário e os envolvidos, sem qualquer participação da TRK”, disse a imobiliária.

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A coluna entrou em contato com o proprietário da mansão, mas ele não quis dar informações. Alegou que havia assinado um contrato de confidencialidade. Procurada, a defesa de Roberta não respondeu.

O imóvel tem 2.110 m² e era usado para reuniões e visitas. Tem piscina, jardim, churrasqueira e 1 cômodo como escritório. Fica em um condomínio fechado, com acesso restrito a pessoas autorizadas. O aluguel na região custa, em média, R$ 240 mil por ano, segundo informações de imobiliárias.

Em depoimento, uma ex-funcionária da mansão disse que Roberta e Lulinha frequentavam o local ao menos duas vezes por mês. Em algumas ocasiões, o filho do presidente chegava sozinho e permanecia na residência por até 2 dias.

Entre os visitantes mencionados pela ex-funcionária está Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula. A ex-empregada afirmou se lembrar da presença dele em uma reunião realizada na mansão.

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Lulinha e Luchsinger são investigados pela Polícia Federal sob suspeita de tráfico de influência.

Entenda o caso

Roberta Luchsinger está citada na investigação de fraudes na Previdência Social. Ela prestou serviços ao Careca do INSS. Também mantém amizade próxima com Lulinha, filho mais velho de Lula.

Em maio de 2026, Roberta disse ter apresentado Lulinha ao Careca do INSS por “boa educação” e negou intermediação de negócios: “Jamais apresentei os 2 com intuito de negócio. Tanto que eles nunca tiveram transações comerciais.”

Mensagens apreendidas na operação Sem Desconto mostram Roberta e Lulinha discutindo operações comerciais, inclusive onde guardar dinheiro fora do alcance da Receita Federal. Luxemburgo foi um dos destinos cogitados.

O Poder360 revelou, em 4 de dezembro de 2025, que Lulinha é suspeito de ter recebido uma mesada de R$ 300 mil do Careca do INSS. Ele é alvo de 3 inquéritos, incluindo um por tráfico de influência.

Outros lados

Ao Poder360, a defesa do Lulinha disse que ele não tem “nenhum detalhe” sobre questões de natureza comercial que envolvam a mansão, uma vez que a casa “não foi locada por ele nem para ele”. Disse ainda que o filho de Lula nunca negou ter visitado o local de maneira “episódica e pontual”.

“Quem tem que se manifestar sobre isso é a Roberta. Me parece que foi ela quem locou e era ela quem usava a casa para efeitos profissionais e residenciais, segundo dizem as matérias. O que eu sei é que o Fábio frequentou, nunca negou isso, de forma episódica e pontual essa casa. Não há crime nenhum nisso. É natural, portanto, que não tenha nenhum detalhe sobre absolutamente nada que envolva as questões de natureza comercial, locatícia, dessa casa. Ele não tem nenhuma ciência disso. A casa não foi locada por ele nem para ele”, disse o advogado Marco Aurélio Carvalho.

Procuradas por este jornal digital, as defesas de Marcola e Roberta Luchsinger não quiseram se manifestar.

O Poder360 também tentou entrar em contato com as defesas de Rafael Nicolau Arbex e Fernando Bittar, mas não teve sucesso em encontrar telefones ou e-mails válidos para informar sobre o conteúdo desta reportagem. Este jornal digital seguirá tentando fazer contato e este texto será atualizado caso uma manifestação seja recebida.

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