A Justiça Federal condenou o sargento reformado do Exército Antônio Waneir Pinheiro de Lima, vulgo Camarão, pelos crimes de cárcere privado qualificado e estupro cometidos contra a historiadora e militante política Inês Etienne Romeu, em 1971, na Casa da Morte, centro clandestino de tortura mantido pelo CIE (Centro de Informações do Exército) em Petrópolis, na região serrana do Rio de Janeiro.
O réu foi condenado a 12 anos, 11 meses e 25 dias de prisão. Camarão poderá recorrer em liberdade. Ele sempre negou as acusações.
publicidadeAs investigações do caso foram realizadas pelos procuradores Vanessa Seguezzi, Antonio do Passo Cabral e Sergio Suiama.
publicidade publicidadeDesde o início da ação, os procuradores defenderam a perda do cargo público do acusado, com o “cancelamento de aposentadoria ou qualquer provento de reforma remunerada de que disponha”.
O grupo de Justiça de Transição do Ministério Público Federal sustentou que o estupro e o cárcere privado, praticados em um contexto de ataque estatal sistemático, constituem crimes contra a humanidade.
publicidadeCom base no direito internacional e em decisões da Corte Interamericana de Direitos Humanos, o MPF defendeu que esses crimes não prescrevem e não são protegidos pela Lei de Anistia de 1979.
O Poder360 tentou contato com a advogada de Antônio Waneir Pinheiro de Lima mas não encontrou telefone ou e-mail válido para informar sobre o conteúdo desta reportagem. Este jornal digital seguirá tentando contato. O texto será atualizado caso os citados enviem manifestação.
Relato históricoInês Etienne morreu em abril de 2015, aos 72 anos, por insuficiência respiratória, em sua casa, em Niterói, na região metropolitana do Rio.
publicidadeA ex-guerrilheira fez um relato histórico ao Conselho Federal da OAB, em 1979, revelando detalhes das torturas físicas e psicológicas a que foi submetida por agentes do CIE na chamada Casa da Morte de Petrópolis, um centro clandestino de tortura e desaparecimento durante a ditadura militar.
SentençaNa sentença proferida em 31 de julho, a juíza federal Maria Isadora Frizao julgou procedente o pedido de condenação do MPF pelos crimes de estupro e cárcere privado.
A pena fixada ao réu foi de 12 anos, 11 meses e 25 dias de reclusão, em regime inicial fechado, além da perda do cargo público militar.
A juíza também condenou o acusado ao pagamento das custas processuais e que fosse enviado ofício ao Ministério da Defesa a fim de que dê ciência sobe à pena de perda do cargo público aplicada ao militar.
Este texto foi publicado originalmente pela Agência Brasil, em 3 de agosto de 2026. O conteúdo é livre para republicação, citada a fonte, e foi adaptado para o padrão do Poder360.
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