oMelhor.Net

Jornalista que teve sigilo violado por Moraes pede arquivamento do caso

Jornalista que teve sigilo violado por Moraes pede arquivamento do caso
Luís Pablo afirma que nenhuma prova de crime surgiu contra ele profissional é investigado por suspeita de perseguir Dino. Leia no Poder360.

O jornalista maranhense Luís Pablo divulgou, nesta 5ª feira (10.set.2026), uma carta aberta ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, na qual pede o arquivamento da investigação que o atinge desde que publicou reportagens sobre o uso de um veículo oficial do TJ-MA (Tribunal de Justiça do Maranhão) por familiares do ministro Flávio Dino. Leia a íntegra da carta (PDF – 1 MB).

No texto, o jornalista afirma que, apesar da apreensão de seus equipamentos de trabalho e da quebra do sigilo de sua fonte, nenhuma prova de crime surgiu contra ele. “Depois de ter meus equipamentos de trabalho apreendidos, minhas conversas acessadas e o sigilo da minha fonte quebrado, não surgiu uma única prova de que persegui, monitorei ou recebi dinheiro para publicar reportagens contra o ministro Flávio Dino”, escreveu.

publicidade Formulário de cadastro alertas grátis do Poder360 concordo com os termos da LGPD. Inscreva-se Inscreva-se

O caso começou depois que Luís Pablo publicou, em novembro, em seu blog, informações sobre o uso irregular de um carro do TJ-MA por familiares de Dino. A reportagem levou o Supremo a formalizar posteriormente a cessão do veículo ao tribunal maranhense. 

publicidade publicidade

Meses depois, a Secretaria de Segurança do STF passou a suspeitar do monitoramento dos deslocamentos do ministro. Em 10 de março de 2026, Alexandre de Moraes autorizou uma operação da Polícia Federal contra Luís Pablo. Celulares e computadores usados pelo jornalista foram apreendidos.

Suspeita de monitoramento ilegal

A decisão citou suspeita de monitoramento ilegal da segurança de Dino e determinou a análise do material eletrônico recolhido. Segundo Moraes, o jornalista teria divulgado placas de veículos, informações sobre agentes de segurança e outros dados relacionados à proteção do ministro.

Três dias depois, em 13 de março, Luís Pablo prestou depoimento e permaneceu em silêncio. Em abril, Moraes determinou a devolução dos equipamentos. A análise do material passou a subsidiar a apuração sobre a origem das informações publicadas pelo jornalista.

publicidade

A medida atingiu Raimundo Cutrim, ex-secretário de Estado do Maranhão apontado pela Polícia Federal como quem teria repassado as informações usadas nas matérias. Na carta, Luís Pablo relata que ficou cerca de 70 dias sem celulares, computador e HD, período em que toda a sua atividade profissional foi vasculhada. Afirmou que a identidade da fonte “foi descoberta pelo país inteiro”, o que, segundo ele, compromete a confiança de futuras fontes em seu trabalho.

“O país inteiro descobriu a identidade da minha fonte. O dano não pode ser calculado apenas pelo que foi apreendido. Minha credibilidade, construída durante 15 anos de jornalismo, foi profundamente atingida. Que fonte, daqui para a frente, não terá medo de conversar comigo depois de ver o que aconteceu?”, diz um trecho da carta.

O jornalista também rebateu a suspeita levantada durante a investigação sobre uma transferência de R$ 100 mil recebida por ele. Segundo relatório da própria Polícia Federal, não foi possível afirmar “com máxima certeza” que o valor correspondesse a pagamento por reportagens contra Dino. 

Luís Pablo afirmou que se tratou de um empréstimo pessoal, já quitado, com comprovantes que demonstram a devolução do dinheiro. A PF também registrou que a conduta do jornalista não se enquadra como violação de sigilo funcional.

Na carta, Luís Pablo ainda argumentou que o Estado pode investigar um jornalista diante de indício concreto de crime, mas não pode transformar linha editorial ou reportagens desagradáveis a uma autoridade em prova de conduta criminosa.

publicidadeTodo conteúdo