oMelhor.Net

Grupo de intimidação de Vorcaro tinha férias de fim de ano, diz PF

Grupo de intimidação de Vorcaro tinha férias de fim de ano, diz PF
Mensagem mostra policial aposentado cobrando resposta sobre serviço antes de integrantes de A Turma saírem de férias. Leia no Poder360.

O grupo de pessoas contratado para levantar informações sigilosas e intimidar alvos de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, tinha férias de fim de ano. Mensagens recuperadas pela Polícia Federal mostram que o policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva cobrava uma decisão de Vorcaro sobre uma demanda porque os integrantes de A Turma entrariam de férias.

A conversa se deu em 13 de dezembro de 2023. Segundo a PF, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário, enviou a Vorcaro um áudio de Marilson pedindo uma resposta sobre o serviço.

publicidade Formulário de cadastro alertas grátis do Poder360 concordo com os termos da LGPD. Inscreva-se Inscreva-se Reprodução/PF Conversa consta na Petição 16.019 A TURMA

De acordo com a PF, A Turma era acionada para levantar informações sobre inquéritos e processos, inclusive sob sigilo, além de obter dados sobre pessoas e empresas por meio de sistemas de acesso restrito. Os investigadores também atribuem ao grupo ações de intimidação contra pessoas que desagradavam Vorcaro.

publicidade publicidade

O relatório analisou conversas entre Vorcaro e Mourão de outubro de 2023 a novembro de 2025. A PF afirma que a estrutura era remunerada mensalmente e funcionava sob demanda, com Mourão fazendo a intermediação e Marilson mantendo contato direto com os integrantes.

A PF afirma que os investigados Anderson Wander da Silva Lima, Sebastião Monteiro Júnior e Manoel Mendes Rodrigues integram o núcleo denominado A Turma. Segundo a corporação, o grupo estaria inserido na estrutura da organização criminosa que a investigação aponta como liderada por Daniel Vorcaro. A PF afirma que o núcleo tem ao menos 3 policiais federais —2 aposentados e 1 da ativa.

A PF afirma que Marilson Roseno da Silva solicitou a Anderson Wander que realizasse pesquisas em sistemas da corporação no interesse de Daniel Vorcaro. Segundo a representação, Wander também solicitava a outros policiais que fizessem consultas, utilizando a relação de confiança existente entre os servidores. 

publicidade

A corporação diz ter identificado indícios de que Wander recebeu “contrapartidas financeiras” pela atuação. A PF também afirma que Marilson fazia solicitações diretamente a outros policiais da ativa. 

Segundo a investigação, Vorcaro utilizaria Marilson e Wander como canais de acesso a sistemas internos da PF, por meio dos quais teria obtido informações disponíveis apenas para servidores da ativa, como registros de investigações e dados cadastrais.

A PF afirma ainda que uma auditoria identificou pesquisas indevidas no sistema ePol, de acesso exclusivo de policiais federais. Segundo a corporação, até aquele momento a auditoria havia apontado que o acesso indevido partira da delegacia da PF em Juiz de Fora (MG). 

Pagamentos

A representação também registra um episódio envolvendo uma transferência via Pix para Anderson Wander. Segundo a PF, em 31 de dezembro de 2025, Marilson Roseno pediu ao policial sua chave Pix para “enviar uma oferenda”. No dia seguinte, Wander teria enviado um áudio aparentemente agradecendo pelo valor recebido.

A corporação afirma que não conseguiu determinar o valor da transferência. Segundo a PF, o episódio seria compatível com outros indícios de que Wander recebeu contrapartidas financeiras por sua atuação.

A PF também afirma que havia solicitações de pesquisas feitas por Marilson diretamente a outros policiais que estavam na ativa.

Núcleo de hackers

A PF descreve ainda o núcleo denominado Os Meninos, formado, segundo a investigação, por David Henrique Alves, Rodrigo Pimenta Franco Avelar Campos e Victor Lima Sedlmaier. A corporação afirma que o grupo atuava em ataques cibernéticos e que seus integrantes tinham capacidade de invadir dispositivos móveis e serviços de armazenamento em nuvem.

Segundo a PF, o grupo foi acionado em diferentes ocasiões para atingir pessoas que faziam críticas a Vorcaro. A representação cita, por exemplo, a derrubada de um perfil no Instagram que fazia críticas a um evento do Banco Master em Londres.

A representação também relata que, em julho de 2025, Vorcaro teria pedido a Mourão que “hackeasse” o jornalista Lauro Jardim. Segundo a PF, Mourão respondeu que pediria aos integrantes de Os Meninos que realizassem a ação. 

Na avaliação da PF, o núcleo Os Meninos estaria inserido na organização criminosa investigada e teria como função a realização de ataques cibernéticos, inclusive com invasão de sistemas governamentais para acesso a dados sigilosos.

A decisão de Mendonça não afirma, por si só, que os investigados praticaram os crimes descritos pela PF. Ao autorizar as interceptações, o ministro registrou que havia indícios de autoria e materialidade e considerou preenchidos os requisitos legais para a medida.

publicidadeTodo conteúdo