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Gilmar defende Gonet e chama Mendonça de pixuleco eleitoral

Gilmar defende Gonet e chama Mendonça de pixuleco eleitoral
Decano do STF disse que procurador-geral da República teve sua honra injustamente manchada . Leia no Poder360.

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, fez duras críticas ao colega de toga André Mendonça nesta 5ª feira (17.set.2026). Em texto compartilhado em seu perfil no X, chamou o magistrado de “boneco de campanha” e “pixuleco eleitoral” por retirar o sigilo do relatório da Polícia Federal que mostrou mensagens do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que foram encaminhadas por um advogado a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master.

“Em plenário, o próprio relator reconheceu, em alto e bom som, a lisura da conduta de Gonet e admitiu que nada havia contra ele. Nada. Então por que expor? […] A intenção de lucrar politicamente com o episódio ficou escancarada quando o relator fez publicar vídeo nas redes sociais agradecendo o apoio popular. Apoio a quê, exatamente? A um ato que ele mesmo admitiu não ter fundamento contra a pessoa exposta? Quem age assim não é magistrado imparcial: é boneco de campanha, um pixuleco eleitoral”, disse Gilmar.

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Ao falar de “pixuleco”, Gilmar faz referência ao boneco inflável levado ao ato de 7 de Setembro na av. Paulista.

publicidade publicidade Toni Pires/Poder360 – 7.set.2026 Na imagem, boneco inflável de Mendonça na Paulista

Gilmar repetiu as críticas que já havia feito durante a sessão do STF em 15 de setembro. Na ocasião, afirmou que Mendonça retirou o sigilo do relatório às vésperas do 7 de Setembro de forma intencional e envolveu o Supremo na campanha eleitoral de forma indevida.

Assista ao vídeo (2min12):

Também durante o julgamento, Gonet se manifestou sobre as mensagens. “Não existe nem tive relacionamento de proximidade com o senhor Vorcaro. O único encontro que tive com o senhor Vorcaro se deu com várias autoridades em abril de 2024. A única ligação, intermediada por advogado, foi brevíssima e banal”, afirmou.

Na sequência, Mendonça começou a falar. Foi interrompido por Gilmar.

André Mendonça – “Doutor Paulo, eu tenho que ser justo. Ninguém gostaria de estar aqui. Estamos aqui por dever de ofício. A gente pode até avaliar se não deveríamos ter feito isso, talvez hoje, conhecendo os fatos”; Gilmar Mendes – “É impressionante, presidente, que uma pessoa da estatura do Paulo Gonet sofra esse tipo de ilação. Isto sim é leviandade, isto sim é leviandade. O sujeito investido de um sentimento policialesco, junto com seus delegados”; André Mendonça – “Presidente, eu que estou com a palavra”; Gilmar Mendes – “É impressionante. É impressionante a desfaçatez desse sujeito”; André Mendonça – “A desfaçatez de Vossa Excelência, me respeite”; Gilmar Mendes – “Pode chorar”; André Mendonça – “Não estou chorando, não. Aqui não tem choro, não. Respeite”.

Foi aí, nesse momento de maior tensão durante a sessão, que Dino pediu vista e cobrou uma posição de Fachin: “Nós estamos em termos que degradam a imagem do Tribunal. Vossa excelência está assistindo isso há horas. Isso está transformando o Supremo nas próximas semanas, quiçá meses, neste debate. Se Vossa Excelência vai assistir a isso, eu não vou. Porque sou funcionário público deste país e tenho respeito a ele”.

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Fachin argumentou que tem tentado conduzir a situação. Dino rebateu. “E eu estou lhe informando que Vossa Excelência está conduzindo o Supremo para ficar deste modo degradante do ponto de vista técnico-ético por meses. Faço essa lembrança patriótica e fraterna”, disse.

Leia a íntegra da mensagem de Gilmar Mendes:

“Paulo Gonet, Procurador-Geral da República, tem reputação ilibada e vida pública de lisura insuspeita. Isso nunca foi objeto de disputa: é reconhecido em todos os espectros, por quem concorda e por quem discorda dele. Mesmo assim, teve a honra injustamente manchada pelo levantamento do sigilo de conversas que nada de ilícito retratavam. E, naquele exato momento, o estrago à reputação já estava feito. Ninguém desfaz manchete com reparo tardio em plenário.

“Ainda assim, assistimos na terça-feira a uma cena lamentável. Em plenário, o próprio relator reconheceu, em alto e bom som, a lisura da conduta de Gonet e admitiu que nada havia contra ele. Nada. Então por que expor? Quem atesta a honra de alguém só depois de tê-la arrastado pela praça pública não está corrigindo um erro: está confessando que ele era evitável.

“E não foi só isso. A intenção de lucrar politicamente com o episódio ficou escancarada quando o relator fez publicar vídeo nas redes sociais agradecendo o apoio popular. Apoio a quê, exatamente? A um ato que ele mesmo admitiu não ter fundamento contra a pessoa exposta? Quem age assim não é magistrado imparcial: é boneco de campanha, um pixuleco eleitoral.

“Já vimos esse filme. Na Lava Jato, Deltan Dallagnol e Sergio Moro transformaram vazamento seletivo em método. A ideia era sempre criar o fato consumado antes da ação penal, colher os dividendos políticos e deixar a defesa correndo atrás de um julgamento que a opinião pública já havia feito. Linchamento coletivo serve para esvaziar o direito de defesa e enterrar a presunção de inocência.

“E, como na Lava Jato, a hora nunca é ao acaso. Lá, sigilos caíam a poucas semanas das eleições. Aqui, o levantamento apareceu às vésperas do 7 de Setembro, para inflar as ruas, arrancar dividendos políticos, sujar reputações e intimidar quem se opõe a esse método. No fundo, o alvo é o direito de defesa de pessoas contra as quais esses agentes nutrem algo que se parece muito mais com vingança do que com justiça.

“Instituição séria respeita o devido processo desde o primeiro ato.

“A Paulo Gonet, minha integral solidariedade. O Brasil e as instituições são devedores da coragem, da seriedade e da correção de homens como ele.”

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