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Entenda como o PT na Bahia vendeu o Credcesta e negócio favoreceu o Master

Entenda como o PT na Bahia vendeu o Credcesta e negócio favoreceu o Master
Leilão da Ebal em 2018 incluiu o programa de consignados e a marca Cesta do Povo venda foi feita no governo Rui Costa. Leia no Poder360.

O Banco Master foi o instrumento do que se configura como a maior fraude financeira na história do país, afirmou em 16 de junho de 2026 o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, responsável pelo caso na Corte.

A instituição financeira, liquidada pelo Banco Central em novembro de 2025, teve parte relevante de sua expansão impulsionada pelo Credcesta, um programa de crédito consignado originalmente usado por funcionários públicos da Bahia para comprar alimentos básicos. O Credcesta, por sua vez, não teria se estruturado e ganhado alcance nacional sem o empresário baiano Augusto Lima nem sem medidas adotadas por políticos do Partido dos Trabalhadores da Bahia.

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A 9ª fase da operação Compliance Zero, realizada pela Polícia Federal em 18 de junho de 2026, trouxe à mídia os bastidores da engrenagem que conectou o PT baiano ao bilionário mercado de cartões consignados e à meteórica ascensão do banco de Daniel Vorcaro.

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Autorizada por Mendonça, a ação policial investigou crimes de corrupção passiva, ativa e lavagem de dinheiro. Colocou sob suspeita Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do Governo Lula no Senado, e seu enteado, Eduardo Sodré Martins.

No centro das apurações está o Credcesta, um ativo público privatizado na Bahia que se transformou a partir de 2018 em uma espécie de ?mina de ouro? no setor privado.

publicidade A VENDA DO CREDCESTA

Toda essa história começou a se desenhar em 2014, no fim da gestão do então governador, Jaques Wagner, um petista histórico e amigo muito próximo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. À época, o Palácio de Ondina tentava se livrar da Empresa Baiana de Alimentos, a estatal responsável por administrar a rede de supermercados Cesta do Povo. A Ebal acumulava prejuízos anuais na casa dos R$ 80 milhões.

Wagner sancionou, no fim daquele ano, um projeto (íntegra ? 712 kB) aprovado numa articulação dele com a Assembleia Legislativa da Bahia para autorizar a privatização da Ebal. Técnicos começaram a se mexer nos meses seguintes para avaliar qual seria o conjunto ofertado e para organizar o leilão.

O governo baiano tentou vender a Ebal pela 1ª vez em 27 de janeiro de 2016, por um lance mínimo de R$ 81 milhões. Ninguém quis comprar. Deu vazio, como se diz no mercado financeiro.

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Houve uma 2ª chamada pelo mesmo valor em março de 2018. Novamente fracassou. Na época dos certames, Rui Costa já havia assumido a administração baiana, depois de 2 mandatos consecutivos de Wagner (2007-2014).

Para tornar o negócio atraente aos investidores privados, a gestão de Rui Costa incluiu de última hora um ativo no edital de desestatização e diminuiu generosamente o lance mínimo para o arremate. A administração completa do Programa Credicesta (que mais tarde mudou de nome e virou Credcesta) passou a fazer parte do processo de privatização: quem ficasse com a Ebal, levava o cadastro dos funcionários públicos baianos que compravam alimento fiado nos, à época, 49 supermercados da Ebal. Leia a íntegra (PDF ? 167 kB) do comunicado divulgado à época.

Só com essas mudanças e na 3ª tentativa, o governo baiano teve sucesso em privatizar a Ebal. Em 12 de abril de 2018, a Comissão Especial da Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia, que era chefiada por Jaques Wagner durante a negociação, divulgou o resultado do último leilão.

A NGV Empreendimentos e Participações havia arrematado, no dia anterior, 11 de abril, o controle acionário da empresa, as 49 lojas da Cesta do Povo e o Credcesta por R$ 15 milhões, R$ 66 milhões a menos do que a oferta inicial, que havia sido de R$ 81 milhões em 2016. Leia a íntegra do comunicado (PDF ? 147 kB) sobre a venda.

O desenho montado para o Credcesta naquela época deu à NGV (logo no leilão e nos dias seguintes, via decretos) várias vantagens no mercado de crédito:

exclusividade prolongada ? concessão exclusiva de 15 anos (até 2033) para operar o cartão consignado do funcionalismo estadual baiano; margem exclusiva ? permissão exclusiva para que os funcionários públicos comprometessem até 30% do salário líquido com o cartão. Associações e sindicatos poderiam ter mais 12%; risco quase zero ? desconto das parcelas e faturas era feito diretamente na folha de pagamento gerida pelo Estado, blindando a operação contra a inadimplência. Foi liberada também a possibilidade de ofertar uma linha de crédito consignado para saques em dinheiro, não só mais para compra de alimentos via cartão; dívidas ficam de fora ? os débitos acumulados pela Ebal ficaram sob responsabilidade do Estado.

A Ebal foi fundada por Antônio Carlos Magalhães (1927-2007), o ACM, em seu 2º mandato como governador da Bahia, em 1980. A empresa tinha como objetivo principal oferecer alimentos básicos a preços mais baixos para a população baiana. O governo baiano usava os impostos que subsidiavam a rede para controlar os preços e as variações da inflação, que atingiu 99,25% no ano em que a estatal foi criada.

O negócio sempre teve problemas. Era uma operação cara que quase nunca dava lucro. Uma auditoria de 2007 constatou rombo acumulado de R$ 620 milhões na empresa de 1997 a 2006. Nos anos seguintes, até a privatização, também houve deficits consecutivos.

AUGUSTO LIMA E BANCO MASTER

A NGV, que comprou a Ebal, era liderada pelo investidor espanhol Ignacio Morales. Mas o empresário baiano Augusto Lima, conhecido como Guga, também atuava nos bastidores da negociação. Tratava diretamente com Jaques Wagner ?como o próprio senador admitiu em uma entrevista em 27 de janeiro de 2026 ao programa Giro Baiana, da BNewsTV.

Wagner e Guga tinham uma boa relação. O ex-governador frequentava com certa regularidade festas promovidas por Lima. Esteve presente em janeiro de 2024, inclusive, no casamento do empresário com a ex-ministra-chefe da Secretaria de Governo (de 2021 a 2022) Flávia Peres (que ficou conhecida no Distrito Federal como Flávia Arruda por causa do seu ex-marido, o ex-governador José Roberto Arruda, que chegou a ser preso no caso do Mensalão do DEM). O luxuoso evento que celebrou a união de Guga e Flávia reuniu vários políticos na Ilha dos Frades, em Salvador. Wagner e sua mulher, Fátima, estiveram em outubro de 2023 numa ilha de Guga Lima.

A influência de Wagner na venda da Ebal foi política e administrativa, sempre com o apoio de Rui Costa. Foi sob seu comando que a Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia fez mudanças para tornar a privatização mais atrativa, com uma série de benefícios ao operador privado. Ele nega ter recebido qualquer vantagem por sua atuação nesse caso.

Depois da privatização, em 5 de junho de 2018, a NGV transferiu os direitos de exploração comercial do Credcesta para a PKL One Participações, ?que tem seus sócios em sigilo na Junta Comercial de São Paulo, onde está registrada. É comandada por pessoas que atuam em empresas ligadas a Guga Lima.

A PKL é parte de um emaranhado de fundos de investimentos conectados ou administrados pela Reag Investimentos, uma gestora investigada na operação Carbono Oculto, que mira o crime organizado. Sobre essa teia de fundos, o Poder360 publicou 3 reportagens reveladoras, assinadas por Marcio Aith: Resolução do CMN de 2018 transformou fraudes em bombas sistêmicas (em 9.fev.2026), 4 auditorias deram OK para os balanços do Master e da Reag (25.jan.2026) e BC desconhece fábrica de créditos falsos no sistema financeiro (23.dez.2025).

Segundo os repórteres Alexa Salomão e João Pedro Pitombo, da Folha de S.Paulo, foi Guga Lima que levou a Wagner, antes mesmo do leilão, a ideia de transformar o antigo cartão de compras da Cesta do Povo em um pacote de benefícios para funcionários, com oferta de serviços financeiros. Lima já atuava no setor financeiro baiano por meio da Terra Firme da Bahia, correspondente de instituições financeiras e de associações que prestavam serviços ao funcionalismo. Ele iniciou sua carreira como vendedor de abadás.

Guga e Wagner foram apresentados pelo publicitário Guilherme Sodré Martins. Conhecido como Guiga, ele foi casado anteriormente com Fátima Mendonça, atual mulher de Wagner, e é o pai de Eduardo Sodré Martins. Guiga foi um dos alvos da 9ª fase da Compliance Zero, em junho de 2026. Ele e Wagner são amigos.

SALTO OPERACIONAL

O salto operacional do Credcesta, já operado por Augusto Lima, veio mesmo a partir de 2019, alguns meses após a venda. O baiano procurou Daniel Vorcaro, controlador do então Banco Máxima, no 2º semestre de 2018 para entrar no negócio. A instituição financeira comprou 50% da PKL, que detinha o direito da operação do cartão. O Máxima passou depois por uma reestruturação e veio a se chamar Banco Master. Antes de Vorcaro, Guga havia procurado o BMG, que não se interessou pela proposta.

Documento oficial do Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) mostra que Guga Lima negociava com a instituição de Vorcaro em setembro de 2018 e que indicou o banco como comprador de uma carteira de créditos. Leia a íntegra (PDF ? 5 MB).

Em 28 de dezembro de 2018, Guga comunicou oficialmente ao Banco Central sua intenção de se tornar acionista do Máxima (íntegra ? PDF ? 183 kB). O Credcesta já estava operante no banco antes desse pedido, mostra o relatório de demonstrações financeiras (íntegra ? PDF ? 638 kB) da PKL One do período encerrado em 31 de dezembro de 2018.

Em janeiro de 2019, o governo da Bahia mandou para todos os funcionários públicos do Estado novos cartões do Credcesta, já operado por Guga. O comunicado divulgado naquela época dizia que quem não quisesse ficar com o cartão não precisava ativá-lo. Anunciou também um novo benefício: havia se tornado possível fazer saques em dinheiro. O cartão de compras se tornou, a partir dali, um instrumento para empréstimos consignados.

Essa nova modalidade de operação só foi possível porque Rui Costa assinou 2 decretos, em 27 de abril de 2018 (só 16 dias após a privatização da Ebal), mudando as regras de concessão de consignado e favorecendo o Credcesta.

O programa conseguiu, com esses atos, um limite exclusivo de 30% de comprometimento de salários líquidos dos funcionários públicos baianos com crédito consignado. Outros 35% ficavam com o sistema bancário como um todo e 12% eram reservados para associações e sindicatos que ofereciam esse tipo de serviço.

O Credcesta, depois de privado, cobrava juros para saques em dinheiro de cerca de 5% ao mês (variando de 4,72% no fim de 2019 a 4,98% no 1º semestre de 2020). O percentual é considerado altíssimo para esse tipo de empréstimo e público. Funcionários públicos dificilmente são demitidos e os descontos do consignado são feitos diretamente na folha salarial. O risco de calote é perto de zero.

Para efeito de comparação: a taxa média do crédito pessoal consignado para trabalhadores do setor público no Banco Central variou de 1,37% a 1,59% ao mês no período. Isso significa que o Master e o Credcesta cobravam juros mais de 3 vezes maiores dos baianos do que a média praticada pelo mercado.

O Bradesco, por exemplo, tinha taxa de 1,34% ao mês para modalidade similar de empréstimo. A Caixa Econômica, 1,35% ao mês. O Itaú, 1,72% ao mês.

Com a retaguarda financeira e a estrutura bancária do Master, o Credcesta deixou de ser só regional. O modelo de negócios foi replicado e chegou a operar em 24 Estados, atraindo uma grande base de clientes em todo o país.

Leia nos infográficos abaixo como atos do PT da Bahia ajudaram a alavancar o Credcesta e, consequentemente, o Master:

ASCENSÃO DO MASTER

O verdadeiro segredo da alavancagem financeira do banco de Vorcaro, no entanto, não estava só na arrecadação dos juros cobrados. A estratégia financeira consistia na securitização e na revenda dessas carteiras de crédito consignado para outros bancos, fundos de investimento e investidores.

Esse mecanismo de repassar os direitos creditórios permitia antecipar receitas multibilionárias e trazer liquidez imediata para o banco. A estratégia só se tornou possível em larga escala por causa da dimensão que tomou o Credcesta entre os funcionários públicos baianos.

Dados da escrituração contábil do Master enviados pela Receita Federal à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Crime Organizado mostram como foi o crescimento. Segundo os registros, o banco obteve R$ 1,6 bilhão em 2024 com a revenda de carteiras do Credcesta a terceiros. A receita com os juros dos empréstimos originais aos funcionários públicos havia sido de R$ 709 milhões.

De 2022 a 2024, a mesma estratégia teria rendido R$ 2,4 bilhões com a comercialização de carteiras do Credcesta, acima do R$ 1,9 bilhão obtido com os juros das operações. Em 2024, o Master também declarou R$ 10,5 bilhões em direitos a receber ligados ao produto, segundo os dados atribuídos ao Fisco. Leia a íntegra (PDF ? 6 MB).

Reprodução O documento da CPI fala que Guga Lima procurou Vorcaro em 2019, mas essa data está errada. O contato foi em 2018

Esse esquema ajudou a sustentar uma expansão acelerada do Master. No balanço auditado de 2024, o banco informou que seus depósitos totais passaram de R$ 30,5 bilhões em 2023 para R$ 49,9 bilhões em 2024. No mesmo período, os ativos totais subiram de R$ 36,1 bilhões para R$ 63,0 bilhões, e o patrimônio líquido passou de R$ 2,4 bilhões para R$ 4,7 bilhões. Leia a íntegra (PDF ? 4 MB).

No fim de 2019, o Máxima havia informado ter R$ 490,6 milhões na carteira de crédito para pessoa física, sendo que R$ 153,5 milhões eram de consignados (31,3% de tudo).

O percentual consumido com a venda do Credcesta foi crescendo aos poucos. Chegou a ser 85,4% de todas as operações em 2022 (sem contar as de empresas), como mostra o infográfico a seguir:

Quanto mais dinheiro o banco tinha, mais podia emprestar e mais crescia. Mais clientes entravam em operações com juros altíssimos e dívidas que podiam se arrastar por anos.

O número de clientes com crédito ativo (aqueles que têm empréstimos, cartão de crédito ou financiamentos) saiu de 33.685 no fim de 2018 para 5,8 milhões em 2024.

Os dados dos infográficos acima são da plataforma IF.data, do Banco Central. Devem ser analisados com cautela. Já se sabe que o Máxima/Master omitia algumas de suas informações financeiras de forma proposital para mascarar a real situação da instituição. Mas o que importa nesse caso é o retrato que ficou: Daniel Vorcaro aumentou sua fortuna com a ajuda do Credcesta, comprado por Augusto Lima depois de uma série de facilidades advindas de medidas do PT na Bahia.

FIM DA PARCERIA

A sociedade entre Augusto Lima e Daniel Vorcaro começou a se desfazer em maio de 2024. O financista baiano formalizou sua saída do Banco Master e levou consigo uma operação da instituição, o banco Voiter (depois renomeado como Pleno). Nesse processo de divisão de ativos, Augusto Lima levou também o controle do Credcesta, migrando as operações do cartão para uma nova estrutura sob o guarda-chuva do Pleno.

O Banco Central autorizou a operação de Guga Lima para ficar com o Voiter em 24 de julho de 2025. A autoridade monetária ?já comandada por Gabriel Galípolo, indicado por Lula? tomou a decisão de aprovar o desmembramento mesmo já sabendo que havia fraudes no Master.

A nova fase independente do Credcesta, porém, enfrentou turbulência. O Pleno foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em 18 de fevereiro de 2026, meses depois do encerramento do Master, asfixiando os planos de expansão nacional do produto.

Paralelamente ao colapso financeiro de suas novas bases, o Credcesta se tornou alvo de uma enxurrada de contestações judiciais. O TJ-BA (Tribunal de Justiça da Bahia) acumula mais de 10.000 processos movidos por funcionários públicos estaduais que alegam fraudes, ausência de contratação consciente e aplicação de juros considerados abusivos nas faturas descontadas em folha.

As investigações recentes da Polícia Federal na operação Compliance Zero indicam que a manutenção desse ecossistema de crédito na Bahia envolvia um sofisticado esquema de repasses financeiros a agentes políticos ligados ao PT baiano. A PF identificou planilhas e mensagens que indicam o pagamento de vantagens indevidas para garantir a blindagem do contrato milionário com o Estado. Leia a íntegra da decisão de André Mendonça que cita essas alegações (PDF ? 256 kB).

A decisão do STF registra que a Polícia Federal identificou uma transferência de R$ 3,5 milhões à BN Financeira Ltda., em outubro de 2025, feita pela PKL One Participações S.A., empresa vinculada ao núcleo de Augusto Lima. A BN Financeira é descrita no documento como uma empresa associada ao núcleo familiar de Jaques Wagner. Bonnie Toaldo Bonilha, mulher de Eduardo Sodré, é apontada como vinculada à estrutura societária da companhia. Eduardo é enteado de Wagner e, Bonnie, é nora do senador.

A decisão também afirma que planilhas encontradas no aparelho de Daniel Lopes Monteiro registravam pagamentos a uma pessoa identificada como Dudu, apelido que, segundo a investigação, corresponderia a Eduardo Sodré Martins. Os valores seriam superiores a R$ 2,34 milhões e teriam passado por estruturas societárias interpostas.

Depois da operação, o senador Jaques Wagner deu uma entrevista e negou o recebimento de propinas do Master, embora tenha admitido ter pedido a Augusto Lima que adquirisse um apartamento de luxo de R$ 2,5 milhões em Salvador para posterior recompra. A PF apreendeu em endereços ligados a Wagner ao menos US$ 55.175 e 33.500 euros.

Polícia Federal ? 18.jun.2026 Na imagem, parte dos dólares (US$ 49.000) apreendidos em um quarto de hotel de Jaques Wagner, em Brasília, cujas diárias foram pagas pelo Senado

Um dia depois da operação, Wagner tentou efetivar a venda de um terreno avaliado em R$ 15,8 milhões. A transferência foi impedida depois de o cartório receber uma ordem de indisponibilidade de bens determinada pelo ministro do STF André Mendonça. O processo de compra havia iniciado meses antes.

O terreno em questão tem 51.000 m² e fica na região metropolitana de Salvador. Wagner o comprou no ano de 2000 por um valor declarado de R$ 28.000.

Além do terreno, o senador também estava em processo para vender o apartamento onde morava, no Corredor da Vitória, bairro de alto padrão de Salvador. O imóvel, com 4 suítes e 152 m², foi oferecido por R$ 10 milhões a , prefeito de Conceição do Coité (BA) e filiado ao União Brasil.

O pedido de venda do apartamento chegou a ser protocolado no 1º Ofício de Registro de Imóveis de Salvador em 10 de junho de 2026, antes da operação da PF. O cartório já realizava os trâmites para a transferência da propriedade quando recebeu a ordem de indisponibilidade de bens expedida pelo STF e interrompeu o processo.

Pressionado por todo esse caso, o atual governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), declarou que aguarda um parecer da PGE (Procuradoria Geral do Estado) para avaliar a suspensão definitiva do contrato do Credcesta, pondo em xeque o monopólio que alavancou bilhões de reais e agora assombra a política baiana.

A defesa de Augusto Lima afirmou em nota, à época da operação Compliance Zero, que o cliente ?sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública?.

DÍVIDA ETERNA NO CREDCESTA

Em 13 de janeiro de 2022, um outro decreto de Rui Costa voltou a beneficiar o Credcesta, já ligado ao Master. Foi o de número 21.041. Proibiu os funcionários públicos de transferir as dívidas com o Credcesta (já no banco de Vorcaro) para outras instituições financeiras que cobrassem juros menores. Leia a íntegra (PDF ? 91 kB).

Por que Rui Costa baixou um decreto que, na prática, favorecia uma instituição de crédito privada? Não se sabe. O então governador nunca explicou essa sua decisão.

O ato não citou nominalmente a instituição de Daniel Vorcaro nem o cartão consignado. Só deixou de fora a instituição financeira da regra geral de portabilidade, alterando um documento anterior, de 2016. Eis a íntegra desse outro ato (PDF ? 170 kB).

Na redação original de 2016, o artigo 15 facultava de forma genérica ao servidor a transferência de contratos de empréstimos consignados e detalhava, em 5 incisos, como a operação deveria ser realizada. Rui alterou o dispositivo para restringir a portabilidade aos contratos firmados com as instituições financeiras enquadradas no artigo 9º e acrescentou que o direito não se aplicaria às ?demais consignatárias?. Na prática, a mudança deixou de fora as dívidas do Credcesta, submetidas a um regime próprio de consignação, além de revogar todo o procedimento que anteriormente regulava a transferência dos contratos.

Na prática, o ato do PT na Bahia travou a saída dos funcionários públicos do Credcesta, mantendo-os vinculados a dívidas com juros perto de 5% ao mês, mesmo havendo a possibilidade de transferir esse débito para bancos que cobravam até 3 vezes menos do que isso, na casa de 1,6% ao mês.

A Bahia tem cerca de 280 mil servidores ativos, aposentados e pensionistas, segundo o governo. Esse público era a clientela inicial do Credcesta de Augusto Lima e do Master de Daniel Vorcaro, em 2018.

Só que, depois de tanto sucesso, o modelo foi expandido pelos banqueiros e se tornou uma das mais bem-sucedidas e rentáveis operações de consignado do Brasil. Em 2024, o cartão estava presente em 24 unidades da Federação e em 176 municípios.

O Credcesta, que havia começado na Bahia, tornou-se nacional. Passou a oferecer crédito a funcionários públicos por todo o país, com regras diferentes em algumas unidades da Federação, mas sempre com possibilidade de conceder empréstimos a um público com risco quase zero de inadimplência e juros altos.

ASSOCIAÇÃO ENTROU NA JUSTIÇA

A AFPEB (Associação dos Funcionários Públicos do Estado da Bahia) levou o Credcesta à Justiça mais de uma vez. Em uma ação ajuizada em 2020 contra o então Banco Máxima, a entidade afirmou que os funcionários eram levados a acreditar que contratavam um simples empréstimo consignado, com juros baixos, mas acabavam vinculados a um cartão de crédito rotativo com desconto em folha e taxas altíssimas.

Segundo a associação, o problema estava na forma de cobrança. Em vez de quitar a dívida como em um consignado tradicional, o desconto mensal em folha funcionava como um pagamento parcial da fatura do cartão. Com isso, o saldo restante continuava sujeito à cobrança de juros, tarifas e encargos, o que, segundo a organização, levava o funcionário a um ?endividamento perpétuo?.

Reprodução Acima, trecho de ação fala como era feita a cobrança pelo Credcesta

?Eles escravizaram o servidor. Deram um monopólio para o Credcesta. Depois impediram o servidor de sair do monopólio?, diz o advogado Jorge Falcão, que defende a associação na causa.

Contratos anexados aos autos mostram como eram as operações do Máxima (que depois virou Master). Em uma Cédula de Crédito Bancário do Credcesta, o valor do saque era de R$ 9.118,46, com taxa nominal de 4,98% ao mês e custo efetivo total de 79,18% ao ano. O contrato estabelecia 68 parcelas de R$ 470,64, com o 1º vencimento em janeiro de 2020 e último em agosto de 2025, além de autorização para desconto mensal na remuneração do funcionário em favor do banco.

Reprodução Acima, trecho de contrato do Banco Máxima

A disputa também rendeu uma ação de R$ 100 milhões movida pela AFPEB contra o Master e o Estado da Bahia em 2023. A associação pedia a nulidade de contratos de empréstimos consignados ligados ao Credcesta, sob a alegação de que teriam sido firmados sem anuência válida de seus associados. O processo, porém, não teve julgamento de mérito: o Tribunal de Justiça da Bahia manteve a extinção da ação por entender que a AFPEB não tinha legitimidade ativa adequada para conduzir aquela demanda coletiva.

Foi nessa discussão que o próprio Master sustentou que as consignações do Credcesta se enquadravam no parágrafo único incluído pelo decreto nº 21.041 em outro decreto de 2016. Para o banco, não seria possível pedir a transferência da operação de crédito para outra instituição financeira, porque o programa tinha uma margem consignável específica, explorada por uma empresa licenciadora da marca, da qual o Master era agente financeiro.

Reprodução Acima, defesa do Master cita decreto de Rui Costa para justificar proibição de transferência de dívidas

Em outra ação, de 2022, a AFPEB processou o Estado da Bahia por omissão no controle dos descontos em folha. A associação apresentou contracheques de funcionários públicos com comprometimento de renda de 76%, 92% e até 95%, acima do limite de 75% para o total de descontos permitidos em lei.

No processo sobre o cartão consignado, a AFPEB chegou a obter uma sentença favorável na 1ª Instância. O Máxima recorreu ao Tribunal de Justiça da Bahia. A 2ª Câmara Cível anulou a decisão, mas não declarou se as cobranças eram legais ou ilegais. O tribunal acolheu um recurso do banco por cerceamento de defesa, sob o argumento de que a instituição não teve oportunidade de produzir provas orais e periciais antes da sentença.

Com isso, o processo voltou para a 1ª Instância para nova instrução. Na prática, a vitória inicial da associação foi desfeita por uma questão processual, e o mérito da disputa (se houve irregularidade na contratação do Credcesta e abuso na cobrança) ainda não teve decisão definitiva.

FALÊNCIA FINANCEIRA

A ação da AFPEB que pede R$ 100 milhões em indenizações reúne contracheques de funcionários com descontos sucessivos do Credcesta ao lado de empréstimos comuns, mensalidades associativas, plano de saúde e retenções obrigatórias.

Em uma petição de outubro de 2025, a associação diz que as pessoas que contrataram o serviço do Credcesta entraram em situação de ?falecimento econômico?.

Um contracheque de abril de 2022, de uma professora aposentada, mostra o descontrole financeiro de funcionários públicos. Segundo a tese sustentada pela associação, por desconhecimento e por terem sido induzidos pelo próprio Estado da Bahia a tomar empréstimos, muitos ficavam praticamente sem salário para receber. No caso dessa professora, ela teria R$ 7.519,52 em salário, mas com descontos de R$ 5.907,59. Ficou com um valor líquido de R$ 1.611,93. Na mesma folha apareciam 2 lançamentos do Credcesta: R$ 578,70 como ?Compra Credcesta? e R$ 522,13 como ?Crédito Credcesta?, somando R$ 1.100,83 de débitos em 1 único mês.

Como mostra a imagem do contracheque a seguir, essa professora já tinha empréstimos de outras instituições financeiras (Banco do Brasil e Bradesco, por exemplo). Segundo a associação, a professora foi exposta ao incentivo dado pelo governo do PT durante a gestão de Rui Costa e acabou comprometendo mais uma parcela do salário para pedir dinheiro emprestado do Credcesta.

Outro holerite, também de abril de 2022, mostra salário de R$ 3.826,31 e descontos de R$ 3.139,02, deixando líquido R$ 687,29. Nesse caso, o Credcesta aparecia com R$ 266,33 em ?Compra Credcesta? e R$ 385,13 em ?Crédito Credcesta?, enquanto a folha ainda trazia desconto judicial, empréstimo comum, Planserv e contribuição previdenciária. Esse funcionário público não poderia ter contraído novos empréstimos, pois seu salário estava muito comprometido com outras dívidas, mas, ainda assim, mantinha operações do Credcesta descontadas em folha.

WAGNER DEFENDEU VENDA

Durante declarações na CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS em 26 de fevereiro, Jaques Wagner defendeu a venda do Credcesta e negou qualquer ligação do PT com as irregularidades investigadas no Banco Master. O senador disse:

?Numa tentativa de associar o escândalo do Banco Master a uma venda que foi feita, de uma rede estatal de supermercados, os liberais da Bahia, aliados do senador Rogério Marinho, criaram uma rede de supermercados estatal. Na verdade, na época, era uma tentativa de quebrar uma rede de supermercados [Paes Mendonça] privada de um empresário sergipano [Mamede Paes Mendonça], conhecido na Bahia, que não fazia o ?beija-mão? que era usual com o governador e chefe do grupo político. [?] Para ganhar vantagens, essa rede criou um cartão, na época do governo [de Antônio Carlos Magalhães] de oposição a nós, que foi o chamado cartão Credcesta. Para quê? Era um benefício para os funcionários públicos, que poderiam comprar e pagar com 30 a 45 dias. Essa anomalia em tempos modernos só foi corrigida quando em 2016 ou 2017 nós tomamos a decisão de vender essa rede de supermercados. Fomos à Bolsa de Valores de São Paulo por 2 vezes e deu vazio o certame. Ninguém queria comprar aquele trambolho, aquele dinossauro. Dava um prejuízo, a depender do ano, de R$ 80 milhões por ano. [?] Fizemos uma chamada para a venda desse elefante branco. À época, o senhor Augusto Lima trouxe um fundo espanhol para fazer a aquisição, porque viram a possibilidade, com aquele cartão Cesta, de poder ter um superavit em relação à situação anterior. A venda foi feita. Não existia nem Banco Máxima, nem Banco Master. Foi uma negociação feita por um fundo espanhol, com uma pessoa que já era vendedora de consignados para sindicatos da Bahia lá em Salvador. [?] Tentam colocar a culpa no PT. Eu não conhecia o Banco Máxima nem o Banco Master. Eu negociei com o fundo espanhol que é quem adquiriu. A partir daí, passou a ser privado. Um ano depois, o Banco Central, do ex-presidente Bolsonaro, autoriza a conexão do Banco Máxima à época com esse grupo espanhol e com o Credcesta. O trambique nada tem a ver com o governo do PT.?

Assista (6min23s):

O sergipano citado por Wagner é Mamede Paes Mendonça (1915-1995), que foi empresário do setor supermercadista. Em 1980, o então governador da Bahia, Antônio Carlos Magalhães, resolveu criar a Ebal (Empresa Baiana de Alimentos). Era um período em que o Brasil enfrentava inflação muito alta e ACM, como era conhecido, escolheu a rede de supermercados Paes Mendonça como adversária principal. Criou uma rede própria estatal baiana para vender alimentos. Os funcionários públicos baianos passaram a ter o benefício chamado Credcesta: adquiriam os produtos da Ebal e a cobrança vinha apenas quando recebiam os salários, com o pagamento dos alimentos descontado diretamente do contracheque.

Ao longo dos anos, ficou difícil administrar os supermercados da Ebal. Chegaram a ser mais de 400 lojas. A inflação já havia sido dominada e o custo para o Estado da Bahia não compensava mais. Sucessivos governos começaram a pensar em como se desfazer da Ebal. Até que houve a venda em 2018.

Privatizada, a Ebal foi esquecida e houve apenas evolução exponencial do Credcesta. As lojas da Cesta do Povo com melhor localização foram vendidas a operadores privados (algumas até mantiveram o mesmo nome, mas têm agora operação muito diferente de quando a rede era estatal). Outras sem viabilidade econômica foram fechadas.

Em fevereiro de 2026, documentos internos do INSS indicaram crescimento acelerado do Credcesta. De acordo com registros consolidados pela Dataprev (Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social), o número de contratos saiu de 104,8 mil em 2022 para 2,75 milhões em 2024.

Diante dos dados, o INSS abriu apuração para verificar a regularidade das contratações. Em documentos, o órgão relata ?desconformidades nas operações de crédito consignado associadas ao produto Credcesta? e menciona risco de prejuízos aos beneficiários, com necessidade de ?intervenção preventiva? até a conclusão das análises.

Jaques Wagner é um dos principais quadros do PT. Ele nasceu no Rio de Janeiro em 16 de março de 1951. Começou sua trajetória pública no movimento estudantil e sindical. Migrou para a Bahia. Foi eleito deputado federal em 1990 e reeleito em 1994 e 1998. Ocupou o cargo de ministro do Trabalho e Emprego e das Relações Institucionais no 1º governo Lula. Foi governador da Bahia por 2 mandatos, de 2007 a 2014. Depois, passou pelos ministérios da Defesa e da Casa Civil no governo Dilma Rousseff. Em 2018, elegeu-se senador pela Bahia. Agora, em 2026, vai tentar se reeleger ao Senado pelo mesmo Estado.

AJUDA DO CONGRESSO

O crescimento do mercado de consignado, que ajudou a impulsionar o Master, também foi ancorado em articulações políticas no Legislativo. Durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), o Congresso aprovou medidas provisórias que alteraram os limites do crédito consignado, consolidando a abertura do mercado para que bancos de médio porte explorassem o limite extra de comprometimento de renda de aposentados e servidores.

O movimento começou ainda na pandemia. Em 2020, a MP nº 1.006 elevou temporariamente a margem do consignado de aposentados e pensionistas do INSS. O texto foi convertido na lei nº 14.131 de 2021, que acrescentou 5 pontos percentuais ao limite de contratação com desconto automático em benefício previdenciário. Na prática, abriu mais espaço na renda mensal de aposentados e pensionistas para novos empréstimos. Leia a íntegra (PDF ? 250 kB).

Em 2022, o Congresso avançou mais. Outra MP, a de nº 1.106, foi aprovada e virou a lei nº 14.431 de 2022. Ampliou a margem do consignado e autorizou empréstimos para beneficiários do Auxílio Brasil (que hoje se chama Bolsa Família), BPC (Benefício de Prestação Continuada) e RMV (Renda Mensal Vitalícia). A Câmara informou à época que a margem consignável poderia chegar a 45%. Leia a íntegra (PDF ? 317 kB).

O Master surfou nesse ambiente. Investigação da Polícia Federal afirma que o senador Ciro Nogueira (PP-PI), um dos principais nomes do chamado Centrão, teria atuado no Senado em favor dos interesses de Vorcaro. A defesa de Ciro nega as acusações.

O episódio mais concreto desse caso é a chamada ?emenda Master?. Em agosto de 2024, o político do Piauí assinou uma emenda à PEC nº 65 de 2023 para elevar a cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por pessoa. O documento oficial no Senado mostra a proposta assinada eletronicamente pelo senador. Segundo a PF, a minuta teria sido redigida pela assessoria do Master e entregue ao congressista. A proposta acabou rejeitada no Senado.

OUTROS LADOS

O Poder360 entrou em contato com os citados nesta reportagem para checar se queriam se manifestar sobre o caso. Eis as respostas:

Jaques Wagner ? foram feitas duas tentativas de contato com a assessoria do senador via WhatsApp, uma em 8 de julho de 2026 e outra em 21 de julho. Um e-mail foi enviado nessa última data ao endereço on-line oficial do congressista. Por fim, o Poder360 enviou uma carta com aviso de recebimento a 2 endereços físicos do ex-governador, ao gabinete no Senado e à sua casa em Salvador. O petista não quis entrar em detalhes sobre o conteúdo deste texto. Pediu para que fosse enviada a seguinte nota: ?O senador Jaques Wagner (PT-BA) já forneceu todos os esclarecimentos necessários. Todos os méritos do procedimento estão sendo discutidos por sua defesa nos autos?; Rui Costa ? foram feitas duas tentativas de contato com a assessoria via WhatsApp, uma em 8 de julho de 2026 e outra em 21 de julho. Houve acusação de recebimento da mensagem, mas não foi enviada uma resposta. Em 22 de julho, este jornal digital enviou uma carta com aviso de recebimento ao prédio em que mora o ex-governador, em Salvador, insistindo que houvesse uma declaração. Novamente sem sucesso; Jerônimo Rodrigues ? declarou que o atual contrato do Credcesta está em ?análise pelas unidades competentes?. Afirmou que o programa deve ser mantido. Disse que a iniciativa privada que administra o cartão desde 2018 e, por isso, ?não pode se falar em falhas do Estado?. Leia a nota na íntegra (PDF ? 51 kB); Augusto Lima ? foram feitas duas tentativas de contato com a defesa do empresário via WhatsApp e via e-mail, em 8 de julho de 2026 e em 21 de julho. Houve acusação de recebimento da mensagem, mas não foi enviada uma resposta. Em 22 de julho, este jornal digital enviou uma carta com aviso de recebimento aos escritórios Figueiredo & Velloso Advogados Associados e Sebastián Mello, Marambaia & Lins Advogados, que representam Guga. Novamente sem sucesso; Daniel Vorcaro ? foram feitas duas tentativas de contato com a defesa do ex-banqueiro via WhatsApp, em 8 de julho de 2026 e em 21 de julho. Houve acusação de recebimento da mensagem, mas não foi enviada uma resposta. Em 23 de julho, este jornal digital enviou uma carta com aviso de recebimento ao escritório do advogado Sérgio Rodrigues Leonardo, que representa Vorcaro. Novamente sem sucesso; NGV Empreendimentos ? foram feitas duas tentativas de contato com a empresa via o endereço de e-mail cadastrado nos registros formais, em 8 de julho de 2026 e em 21 de julho. Não houve resposta. Também foi enviada uma carta com aviso de recebimento ao endereço físico da NGV, na Faria Lima, em São Paulo. Novamente sem sucesso; PT ? não quis se manifestar. Foram feitas duas tentativas de contato via assessoria, por e-mail e WhatsApp, em 9 de julho de 2026 e em 13 de julho. COMPLIANCE ZERO

As apurações sobre as fraudes no Banco Master estão no escopo da Compliance Zero, autorizada inicialmente pela 10ª Vara Federal de Brasília em novembro de 2025. A 1ª fase prendeu provisoriamente os principais executivos ligados à instituição liquidada pelo BC. Ainda em novembro, o TRF-1 autorizou o uso de tornozeleira eletrônica e o retorno dos investigados para casa.

O caso passou a tramitar no STF a partir de dezembro de 2025, sob o comando do ministro Dias Toffoli. Ele autorizou a 2ª fase em janeiro de 2026, mas deixou a relatoria em 12 de fevereiro. André Mendonça assumiu. Vorcaro voltou a ser preso no início de março. Está detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.

Eis as fases da operação:

1ª fase (18.nov.2025) ? Daniel Vorcaro foi preso pela 1ª vez em 17 de novembro de 2025, um dia antes de a operação ser deflagrada. Ele tentava deixar o Brasil. A ação cumpriu 7 mandados de prisão e 25 de busca e apreensão em 4 Estados e no Distrito Federal. O ex-banqueiro foi solto em 29 de novembro; 2ª fase (14.jan.2026) ? a PF realizou buscas em endereços ligados a Vorcaro. Foram apreendidos carros, relógios e dinheiro. Os valores bloqueados ou sequestrados na ação superaram R$ 5,7 bilhões. Tinha o objetivo de apurar o uso de fundos fraudulentos para maquiar os caixas do Master. Leia as íntegras das decisões que autorizaram a operação; 3ª fase (4.mar.2026) ? Vorcaro voltou a ser preso. De acordo com a PF, o ex-banqueiro tinha um grupo que intimidava adversários e pagava propina para 2 funcionários do BC. No mesmo dia, Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário, que trabalhava para o fundador do Master, tentou se matar enquanto estava sob a custódia da PF ?ele veio a morrer 2 dias depois, em 6 de março. Leia a íntegra da decisão que deu aval à ação; 4ª fase (16.abr.2026) ? a operação da PF prendeu Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB. É investigado por suspeita de permitir operações sem lastro com o Master. Segundo a Polícia Federal, Costa recebeu propina de Vorcaro em imóveis de luxo. Leia a íntegra da decisão que autorizou a ação; 5ª fase (7.mai.2026) ? o senador Ciro Nogueira (PP-PI) foi alvo. A PF cita o pagamento de propina de Vorcaro para o congressista ?que negou. O relator do Master no STF, ministro André Mendonça, disse que a relação entre o político e o ex-banqueiro ?extrapola a amizade?. Houve o bloqueio de R$ 18,85 milhões. Leia a íntegra da decisão que autorizou a operação; 6ª fase (14.mai.2026) ? foram cumpridos 7 mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão em SP, MG e RJ. O pai de Vorcaro foi preso. Era ele quem articulava o grupo de intimidação e espionagem do ex-banqueiro, de acordo com a PF. Leia a íntegra da decisão que autorizou a operação; 7ª fase (19.mai.2026) ? a PF deflagrou uma operação para apurar o vazamento de informações sigilosas ligadas ao Master. Mendonça mandou afastar um perito da corporação; 8ª fase (26.mai.2026) ? o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) foi alvo de mandados de busca e apreensão. A ação apura a suspeita de crimes envolvendo o Master e o Rioprevidência. O total movimentado é de R$ 3 bilhões, segundo a PF. Leia a íntegra da decisão que autorizou a operação; 9ª fase (18.jun.2026) ? o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o empresário Augusto Lima foram alvos da operação. A defesa do congressista baiano acionou o STF para anular a ação. Pressionado, Wagner deixou o posto de líder do Governo no Senado em 24 de junho. Leia a íntegra da decisão que autorizou a operação (PDF ? 256 kB); 10ª fase (9.jul.2026) ? o publicitário Thiago Miranda, ex-sócio do jornalista Léo Dias, responsável por monitorar a jornalista Malu Gaspar, d?O Globo, a pedido do fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi alvo da ação. Leia a íntegra da decisão que autorizou a operação (PDF ? 261 kB).

Leia mais sobre o caso:

Wagner e Rui Costa favoreceram negócio que enriqueceu Vorcaro Decreto de Rui Costa impediu funcionários de fugirem de juros do Master Rui Costa ajudou futuro sócio de Vorcaro 16 dias após vender estatal Leia as íntegras de atos do PT na Bahia que ajudaram o Master Entenda o que é o empréstimo consignado, disseminado a partir de 2003

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