Investigações conduzidas pela Polícia Federal, com suporte de relatórios do Banco Central e análises do FGC (Fundo Garantidor de Créditos), revelaram que o Banco de Brasília transferiu cerca de R$ 12,2 bilhões ao Banco Master em operações de cessão de crédito feitas entre dezembro de 2024 e maio de 2025. A transferência de recursos públicos se deu mesmo depois de alertas formais, relatórios de riscos das áreas técnicas e pareceres contrários. Leia a íntegra do documento (PDF – 4,4 MB).
De acordo com a PF, as transações visavam a fornecer liquidez artificial ao Banco Master. Em trocas de mensagens e relatórios periciais anexados aos autos do inquérito sob relatoria do Supremo Tribunal Federal, a apuração indica que os créditos negociados não tinham comprovação de lastro ou simplesmente não existiam.
publicidade Formulário de cadastro alertas grátis do Poder360 concordo com os termos da LGPD. Inscreva-se Inscreva-seAs análises de fiscalização apontaram anomalias no volume e na composição das carteiras adquiridas pelo BRB:
publicidade publicidade foram identificadas 182 mil operações de crédito concentradas em apenas 12 valores padronizados, padrão totalmente incompatível com a distribuição natural de crédito consignado ou pulverizado no mercado; dos cerca de 358 mil clientes vinculados às novas carteiras vendidas pelo Master ao BRB no período, mais de 290 mil já constavam em cessões de crédito anteriores, sugerindo a repactuação e a duplicação artificial dos mesmos títulos; em amostras periciadas pela autoridade policial, nenhum crédito pôde ser validado com comprovação de lastro real perante os órgãos consignantes ou registros operacionais legítimos.A representação da PF aponta que a cúpula do BRB manteve os repasses bilionários ignorando pareceres jurídicos e alertas de conformidade emitidos internamente. Mensagens obtidas durante as investigações mostram tratativas diretas entre executivos do BRB e do Banco Master para acelerar a liberação dos recursos antes mesmo da conclusão dos fluxos formais de análise de risco.
A apuração indica ainda a celebração de termos de recompras de papéis milionários com empresas de fachada que não possuam capacidade financeira para honrar os compromissos, como forma de mascarar o rombo e simular garantias de retorno.
O processo segue sob apuração no STF, e os investigados negam qualquer irregularidade nas operações de cessão de crédito feitas entre as instituições.
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