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Agência do governo determina suspensão de lives do Discord no Brasil

Agência do governo determina suspensão de lives do Discord no Brasil
Agência Nacional de Proteção de Dados afirma que plataforma não protege crianças e adolescentes denúncias subiram para 405 em 7 meses

A ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados) determinou a suspensão das transmissões ao vivo do Discord no Brasil. A medida foi anunciada nesta 4ª feira (12.ago.2026) e se restringe à funcionalidade de lives da plataforma; o Discord em si não está bloqueado no país.

A suspensão tem caráter preventivo e ficará vigente até que o Discord comprove a adoção de medidas efetivas de proteção a crianças e adolescentes. A plataforma tem 3 dias úteis para cumprir a determinação da ANPD, agência reguladora vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.

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O caso ganhou mais visibilidade pública em 6 de agosto, quando a primeira-dama Janja da Silva defendeu a retirada do ar “imediatamente” do Discord. Ela mencionou o episódio de uma menina de 13 anos que teria sido induzida por um grupo de adolescentes a cometer suicídio durante uma transmissão na plataforma.

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Integrantes da ANPD afirmaram que o monitoramento do Discord já estava em curso desde o ano passado, antes da declaração de Janja, e que a decisão de suspender as lives decorreu de análise técnica das irregularidades identificadas.

Irregularidades e limitações

A ação administrativa integra o processo de fiscalização instaurado pela agência no dia 7 de agosto para apurar falhas na proteção de menores no ambiente digital. A ANPD recebeu informações do Discord na 2ª feira (10.ago) e se reuniu com representantes legais da empresa na 3ª feira (11.ago), um dia antes da determinação.

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Em nota, a agência afirmou que a medida cautelar levou em conta a existência de “evidências robustas de que a empresa não adotou medidas razoáveis para prevenir e mitigar riscos de acesso, exposição, recomendação ou facilitação de contato com conteúdos ou práticas que representem graves violações de direitos de crianças e adolescentes no âmbito do seu serviço”.

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A agência cita especialmente casos de “indução, incitação, instigação ou auxílio à violência, à automutilação e ao suicídio, conforme o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente”.

O superintendente de Fiscalização da ANPD, Fabrício Lopes, detalhou o escopo da medida. “O Discord não está sendo bloqueado. O que a medida preventiva suspende é a funcionalidade ‘Go Live’, utilizada para transmissões ao vivo em servidores fechados. O nosso objetivo é reduzir os riscos de danos graves ou de difícil reparação a que estão sendo expostas as crianças e adolescentes”, disse Lopes.

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A ANPD explicou que a arquitetura técnica da plataforma impõe uma limitação relevante: o Discord não tem acesso ao conteúdo das transmissões de vídeo enquanto elas ocorrem. Isso inviabiliza o uso de mecanismos de análise audiovisual e detecção em tempo real de eventuais crimes. Por isso, a plataforma depende de sistemas automatizados considerados falhos e de denúncias dos próprios participantes.

Proposta da empresa

A determinação da ANPD ocorreu um dia após a Advocacia-Geral da União informar que recebeu do Discord uma proposta com medidas para reforçar a proteção de usuários, especialmente menores de idade. O documento foi entregue na 2ª feira (10.ago), após reuniões entre representantes da empresa, do Ministério da Justiça e Segurança Pública , da AGU e da ANPD.

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As negociações tiveram origem em um relatório da Secretaria Nacional de Direitos Digitais do Ministério da Justiça e Segurança Pública, que apontou falhas nos mecanismos de verificação de idade e de proteção de crianças e adolescentes adotados pela plataforma. O governo cobrou da empresa medidas para adequação à legislação brasileira, incluindo verificação etária e prevenção de riscos a usuários menores.

O volume de relatos de violações envolvendo o Discord registrou alta expressiva no período recente. Segundo dados da ONG SaferNet Brasil divulgados pela ANPD, as ocorrências cresceram 54% na comparação entre os sete primeiros meses de 2026 e o mesmo intervalo de 2025. Foram 405 relatos entre janeiro e julho de 2026, ante 264 no mesmo período do ano anterior.

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