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Ação na Justiça erra e cita Lulinha como marido de Roberta Luchsinger

Ação na Justiça erra e cita Lulinha como marido de Roberta Luchsinger
Ex-empregada doméstica da lobista em Brasília reclama de não ter recebido uma casa de presente. Leia no Poder360.

Uma ex-empregada doméstica da lobista Roberta Luchsinger em Brasília entrou na Justiça alegando que a ex-patroa não havia cumprido uma promessa de lhe dar uma casa de presente. Na ação, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, é citado ora como “marido” ora como “amigo” de Roberta. Leia a íntegra da ação (PDF – 14 MB).

A ação é movida por Zildeni Gomes de Souza e seus advogados podem ter feito uma confusão ao qualificar a ex-patroa de sua cliente. Lulinha e sua mulher, Renata de Abreu Moreira, são casados há muitos anos. Os 2 são amigos de Roberta Luchsinger, com quem viajam em férias, como mostram fotos em redes sociais.

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Roberta mantinha uma casa em Brasília, no bairro Lago Sul (área nobre da cidade), e Lulinha costumava se hospedar lá quando estava na cidade.

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O processo contra a lobista tramita na 10ª Vara Cível de Brasília e foi distribuído em 30 de março de 2026. A ação foi proposta contra a empresa RL Consultoria e Intermediações S.A., administrada por Roberta Luchsinger, e tem como objeto um pedido de indenização por ruptura abusiva de negociação e danos morais. 

Segundo a autora, ela trabalhou durante anos como doméstica na casa de Roberta, relação que teria criado um vínculo de confiança entre as duas. A petição afirma que, com base nessa proximidade, a lobista teria prometido a Zildeni uma casa no Itapoã, região administrativa do Distrito Federal, avaliada em R$ 290 mil.

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As negociações teriam durado cerca de 3 meses, período em que houve troca de documentos e alinhamento das condições do negócio, gerando expectativa de que a venda seria concluída.

Ainda de acordo com a ação, a negociação passou a sofrer sucessivos adiamentos. A autora afirma que, mesmo depois disso, recebeu a informação de que a defesa de Roberta conduziria as providências para finalizar a venda, mas a compra nunca foi formalizada. A petição sustenta que a interrupção das tratativas caracterizou quebra da boa-fé nas negociações e fundamenta o pedido na chamada responsabilidade pré-contratual, conhecida como culpa in contrahendo.

Zildeni pede a condenação da ré ao pagamento de R$ 290 mil, valor correspondente ao imóvel negociado, além de R$ 15.000 por danos materiais e R$ 40.000 por danos morais. Também solicita que a Justiça reconheça a responsabilidade civil pela ruptura das negociações e determine a apresentação de mensagens e demais documentos relacionados às conversas sobre a venda da casa.

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Entre os documentos anexados ao processo estão conversas por mensagens e comprovantes. O processo deixou a Justiça Comum e será encaminhado à Justiça do Trabalho de Brasília. O juiz entendeu que, por envolver uma relação de trabalho, o caso deve ser analisado pela Justiça especializada. A ação aguarda a chegada à nova vara para o prosseguimento dos trâmites.

O Poder360 questionou a defesa de Roberta Luchsinger sobre o processo envolvendo Zildeni Gomes de Souza, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. Este texto será atualizado assim que alguma manifestação for recebida.

QUEM É ROBERTA LUCHSINGER

Roberta Moreira Luchsinger é diretora da RL Consultoria e Intermediações S.A. e ficou conhecida por sua proximidade com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e com seu filho, Lulinha.

Em 2018, disputou uma vaga de deputada estadual por São Paulo pelo PT, mas não foi eleita. Posteriormente, filiou-se ao PSB. Em 2017, ganhou notoriedade ao anunciar a intenção de doar R$ 500 mil em dinheiro e bens ao então ex-presidente Lula, depois do bloqueio de seus bens determinado pela operação Lava Jato. A doação acabou impedida pela Justiça em razão de dívidas da empresária.

Nos últimos meses, Roberta passou a ser investigada na operação Sem Desconto, da Polícia Federal, que apura um suposto esquema de fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS. Na investigação, ela foi alvo de mandados de busca e apreensão, bloqueio de bens e uso de tornozeleira eletrônica.

Segundo a PF, a RL Consultoria prestou serviços a uma empresa ligada ao empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, tendo recebido cerca de R$ 1,5 milhão. Os investigadores apuram se Roberta teria atuado como intermediária em pagamentos relacionados ao esquema. A defesa da empresária nega irregularidades e afirma que a amizade dela com Lulinha tem sido explorada politicamente.

O nome de Roberta voltou ao noticiário nesta semana após a divulgação de que ela realizou transferências ao então chefe de gabinete pessoal do presidente Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. O ex-assessor afirmou que os valores se referem ao pagamento de um empréstimo de natureza pessoal, já quitado.

Nas redes sociais, Roberta mantém publicações de apoio ao presidente Lula e costuma compartilhar registros de viagens e manifestações sobre as investigações das quais é alvo. Até o momento, ela nega qualquer participação em irregularidades e não há condenação contra a empresária.

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