O partido de direita AfD (Alternativa para a Alemanha) obteve neste domingo (6.set.2026) uma votação recorde na eleição do Estado da Saxônia-Anhalt, no leste da Alemanha. Pesquisa boca de urna divulgada pelas emissoras públicas alemãs DW e ARD coloca a legenda com 44% dos votos.
É uma ampla vantagem sobre os demais partidos. A CDU (União Democrata-Cristã), do chanceler federal Friedrich Merz, ficou em 2º lugar com 17,8% dos votos na boca de urna, retração de 19,3 pontos percentuais em relação à votação de 2021. Em contrapartida, a AfD mais do que dobrou a sua marca de 20,8% alcançada na disputa anterior.
publicidadeA Saxônia-Anhalt é governada desde 2002 pela CDU, atualmente sob a liderança do governador Sven Schulze, que busca a reeleição.
publicidade publicidade Formulário de cadastro alertas grátis do Poder360 concordo com os termos da LGPD. Inscreva-se Inscreva-se AfD “fez história”, diz líderO nome da AfD para o governo da Saxônia-Anhalt, Ulrich Siegmund, despontou como o destaque da eleição. Ele afirmou que os eleitores do Estado de pouco mais de 2 milhões de habitantes enviaram um recado claro contra a atual condução política do país. Em entrevista à emissora ARD, Siegmund declarou que a legenda “fez história”.
Ironizando a impopularidade do chefe do governo federal, o candidato afirmou que Merz funcionou como um “excelente cabo eleitoral” para a oposição de direita.
Siegmund ganhou projeção durante a pandemia de covid nas redes sociais e foi citado em reportagens por participar de reuniões com pautas anti-imigração. Entre as propostas da legenda para educação e segurança, estão alterações no currículo escolar e a criação de patrulhas cidadãs.
publicidade Maioria incertaApesar de a AfD ter alcançado seu melhor desempenho histórico, a contagem de votos indica que o partido ficou ligeiramente abaixo da meta de 45% traçada por Siegmund e pode não atingir a maioria absoluta no Parlamento estadual. O chefe do Executivo estadual na Alemanha é eleito de forma indireta pelo Legislativo local.
Siegmund já havia declarado que só aceitaria assumir o governo caso obtivesse a maioria absoluta, recusando-se a governar em coalizão com outras legendas.
O partido A Esquerda, o SPD (Partido Social-Democrata) e Os Verdes garantiram a entrada no Parlamento estadual. A legenda de esquerda BSW (Aliança Sahra Wagenknecht) também deve atingir a margem mínima de 5% para ingressar no Parlamento, superando as expectativas das projeções anteriores. Já o FDP (Partido Liberal-Democrático) não conseguiu superar a cláusula de barreira.
A participação eleitoral no Estado atingiu o nível recorde de 76,5%. O voto na Alemanha não é obrigatório.
O sistema eleitoral alemão é parlamentarista. Para governar sem alianças, a sigla precisa de mais da metade dos assentos do Parlamento. Caso partidos menores não alcancem a cláusula de barreira de 5%, as cadeiras serão redistribuídas, o que poderia permitir à AfD formar maioria com cerca de 42,5% a 45,5% dos votos.
As demais legendas descartaram formar uma coligação com a AfD, o que poderia exigir uma aliança ampla entre CDU, SPD, Verdes e A Esquerda para isolar a AfD ou resultar em um governo de minoria liderado por Schulze.
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