O Gecex-Camex (Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior) decidiu nesta 3ª feira (23.jun.2026) renovar as cotas de importação com alíquota zero para veículos eletrificados desmontados e semidesmontados. A medida foi anunciada pelo Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) depois da 238ª reunião ordinária do colegiado.
Segundo o governo, as novas cotas valerão por 6 meses, a partir de 1º de julho de 2026, e terão limite de US$ 463 milhões. O benefício será aplicado a veículos CKD, totalmente desmontados, e SKD, semidesmontados.
publicidade publicidade Formulário de cadastro alertas grátis do Poder360 concordo com os termos da LGPD. Inscreva-se Inscreva-seAcima do limite das cotas, permanecerá a cobrança de 35% para veículos SKD e de 14% para CKD. A importação de carros montados não será contemplada pelas cotas.
publicidadeA decisão deve beneficiar principalmente a chinesa BYD, que defendia a renovação do benefício para kits CKD e SKD. A empresa iniciou a produção no Brasil com veículos no sistema SKD e avança para o modelo CKD em sua fábrica em Camaçari (BA).
publicidadeCom a nova cota, parte dos kits poderá ser importada sem o pagamento do imposto de importação durante o período de transição.
publicidadeO governo afirma que a medida está alinhada à transição energética e à sustentabilidade no setor automotivo.
“A medida converge com outras iniciativas do governo voltadas à renovação da frota e ao fortalecimento da inovação e da descarbonização no ecossistema automotivo brasileiro, com veículos mais sustentáveis, que contribuem para a redução das emissões de CO2”, afirma o Mdic.
A decisão foi criticada pelas montadoras tradicionais representadas pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores). Em nota publicada depois da decisão, a entidade afirmou ter recebido “com grande preocupação” a retomada dos incentivos à importação de veículos elétricos desmontados e semidesmontados.
“A decisão, tomada sem consulta ao setor produtivo, altera de forma intempestiva uma política definida pelo próprio governo federal”, declarou a associação.
As cotas para a importação de kits de veículos elétricos haviam terminado em fevereiro de 2026, conforme cronograma definido pelo governo depois de debates com o setor produtivo.
Para a Anfavea, a extensão de um benefício inicialmente temporário compromete a previsibilidade das empresas que ajustaram seus planos de investimento ao cronograma anterior.
A associação afirma que as fabricantes anunciaram R$ 140 bilhões em investimentos no Brasil até 2033, destinados principalmente ao desenvolvimento da produção nacional de veículos elétricos.
Segundo a entidade, os veículos eletrificados produzidos no país responderam por 25,9% das vendas do segmento em 2025. Até maio de 2026, as vendas de modelos nacionais cresceram 57% em relação ao mesmo período de 2025.
A discussão sobre a tributação de veículos eletrificados começou em 2023, quando o governo decidiu retomar gradualmente o imposto de importação sobre híbridos e elétricos.
Em 2025, o Gecex antecipou para janeiro de 2027 a cobrança da alíquota cheia para kits CKD e SKD. Também foi criada uma cota temporária com imposto zerado de agosto de 2025 a janeiro de 2026.
Agora, embora os carros elétricos importados montados passem a pagar alíquota de 35% a partir de julho, o governo decidiu retomar por mais 6 meses a cota com imposto zero para kits.
Em nota conjunta, a Abipeças (Associação Brasileira da Indústria de Autopeças) e o Sindipeças (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores) também criticaram a decisão. Disseram repudiar “veementemente” a criação das cotas adicionais. Afirmaram que a medida foi adotada no momento da recomposição das alíquotas de importação e, “na prática, anula seu efeito até o limite das cotas”. Declaram que a decisão cria distorções no mercado automotivo, reduz a previsibilidade e pode afetar investimentos anunciados por montadoras e fabricantes de autopeças.
As entidades também disseram que a cadeia automotiva emprega diretamente cerca de 1,3 milhão de pessoas e tem peso relevante na arrecadação de impostos.
publicidade publicidadeTodo conteúdo