O CEO da Vale, Gustavo Pimenta, afirmou nesta 6ª feira (28.ago.2026) que a escassez de engenheiros qualificados é o “calcanhar de Aquiles” da indústria de mineração no Brasil e alertou que a companhia já recorre a empresas estrangeiras de engenharia para suprir a lacuna no país.
A declaração foi feita durante painel sobre mineração e marcos regulatórios. Pimenta atribuiu o problema à dificuldade de atrair jovens para a engenharia, diante da concorrência com o setor de tecnologia. “Não adianta a gente esperar e não se mobilizar. Vamos fazer uma parceria com o Sistema S, vamos desenvolver mais capacidade técnica, vamos às universidades brasileiras. A gente precisa de mais engenheiros de minas”, disse o executivo.
Formulário de cadastro alertas grátis do Poder360 concordo com os termos da LGPD. Inscreva-se Inscreva-seNa avaliação de Pimenta, parte da dificuldade está em como a nova geração enxerga o trabalho industrial. Segundo ele, jovens engenheiros preferem empresas de tecnologia e associam a mineração a trabalho de campo pesado, o que já não corresponde à realidade da indústria. O desafio, disse, é mostrar que a economia real também pode ser atrativa.
publicidade publicidadeA preocupação é diretamente ligada ao plano de crescimento da companhia. Com o aumento do número de projetos e a retomada do crescimento da Vale, a empresa se deparou com a falta tanto de engenheiros quanto de firmas de engenharia nacionais em condições de dar suporte às operações.
“Em alguns casos, a gente está tendo que recorrer a empresas de engenharia fora do Brasil para alguns projetos aqui, o que de fato não é adequado. A gente deveria ser capaz de cobrir tudo com os nossos recursos internos”, afirmou Pimenta.
publicidadeO CEO mencionou ainda a adoção do conceito de design for permitting (uma abordagem de planejamento de projetos em que a empresa já desenvolve o projeto levando em conta, desde o início, os requisitos necessários para obter as licenças ambientais) como resposta à dificuldade de licenciamento ambiental; em vez de desenhar o projeto ideal e depois buscar a licença.
publicidade publicidadePimenta citou a ferrovia de Carajás como exemplo do potencial não aproveitado. A região produz hoje 170 milhões de toneladas de minério de ferro por ano e poderia acrescentar mais 50 milhões se o licenciamento ambiental, travado pela discussão sobre o decreto de cavidades, fosse desbloqueado. “50 milhões de toneladas gera bastante valor, gera emprego, gera renda, e é uma área que já é operada”, disse.
Sobre o horizonte de longo prazo, o executivo foi direto ao apontar o licenciamento de grandes projetos como a principal conquista que gostaria de celebrar daqui a 5 ou 6 anos. O último grande empreendimento licenciado no setor foi o S11D, no sul do Pará, com capacidade de 80 milhões de toneladas e considerado um dos maiores projetos de mineração do mundo.
“Essa é uma indústria onde a gente pode liderar o mundo, e a gente não pode querer e esperar nada menos do que isso, como país”, afirmou Pimenta.
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