A ministra Marina Silva (Rede) encerrou nesta 4ª feira (1º.abr.2026) sua passagem pelo Ministério do Meio Ambiente com um balanço marcado por redução do desmatamento, ampliação do financiamento climático e reconstrução institucional da pasta, apesar de o pior ano em termos de queimadas e desmatamento desde 2019 ter sido sob a sua gestão, em 2024. O atual secretário-executivo, João Paulo Capobianco, assumirá o cargo.
A saída faz parte da reconfiguração da Esplanada conduzida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Marina indicou que pode disputar o Senado em São Paulo em 2026 na chapa de Fernando Haddad (PT) e afirmou que tenta restabelecer o controle da Rede Sustentabilidade.
publicidade publicidade Formulário de cadastro alertas grátis do Poder360 concordo com os termos da LGPD. Inscreva-se Inscreva-se publicidadeMarina ocupava o cargo desde o início do atual mandato, em 2023. Já havia comandado a pasta de 2003 e 2008. É um dos nomes mais ligados à área no país.
publicidadeEm tom de despedida, Marina fez uma longa apresentação dos resultados da gestão. Ao lado de Capobianco, afirmou que o legado foi “construído juntos”. Ele já atuava como número 2 da pasta e é considerado um dos principais articuladores das políticas ambientais do governo.
Capobianco é tido como um dos formuladores do PPCDAm (Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia) e deve manter o foco na redução das emissões, na proteção de biomas e na implementação de metas climáticas.
publicidade Sérgio Lima / Poder360 – 31.mar.206 Ministra ainda tem destino incerto, mas quer concorrer a uma vaga no Senado, em SP, na chapa de Fernando Haddad (PT)Durante sua gestão, Marina priorizou o combate ao desmatamento na Amazônia, a reestruturação de órgãos ambientais e a retomada da participação do Brasil em negociações climáticas internacionais.
Segundo o Ministério do Meio Ambiente, as ações do Ibama na Amazônia cresceram 80% em relação a 2022, as do ICMBio avançaram 24%, e a área de mineração ilegal na região foi reduzida à metade.
A pasta também divulgou dados sobre redução do desmatamento na Amazônia, no Cerrado e no Pantanal.
Afirmou que 733 milhões de toneladas de CO₂ deixaram de ser emitidas e atribuiu os resultados à retomada de políticas públicas e ao reforço da fiscalização ambiental.
Na sua saída, a ministra rebateu críticas de viés ideológico. “Dizem que nosso ministério é ideológico. Não é. Tem muita ciência por trás das decisões”, declarou Marina.
QUEIMADASDados de 2019 a 2025 do MapBiomas mostram, no entanto, que foi na gestão de Marina Silva que o país teve os piores números de queimadas desde 2019.
Em relação aos biomas, o mais afetado pelos incêndios foi a Amazônia. Os números estão em queda desde 2024.
Dinheiro para a agenda climáticaUm dos pontos destacados foi a ampliação do financiamento ambiental. Desde 2023, foram mobilizados R$ 179 bilhões para ações climáticas. A ministra afirmou que houve mudança “de escala e de paradigma”, com maior integração entre política ambiental e econômica.
Marina também citou a recomposição do ministério após 2023. Foram incorporados 1.557 servidores e o orçamento praticamente dobrou, passando de R$ 865 milhões em 2022 para R$ 1,9 bilhão. Segundo ela, a reconstrução envolveu “capacidade política, técnica e operacional” e a retomada de instâncias de participação social.
O que ficou pendenteCom a saída, Capobianco assume com perfil técnico e alinhado à atual política ambiental. Entre as prioridades da nova gestão estão o avanço na regulação do mercado de carbono. A criação de uma autoridade climática nacional também não foi concluída. Marina disse que a proposta segue em debate no governo de Lula e envolve a criação de um sistema permanente de resposta à emergência climática.
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