O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve se reunir com o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro (Partido Socialista Unido da Venezuela, esquerda), na Rússia nesta semana. O petista embarca para o país na 3ª feira (6.mai.2025). Participará do 80º aniversário do Dia da Vitória.
A data marca a conquista dos Aliados contra a Alemanha nazista na 2ª Guerra Mundial, na 6ª feira (9.mai). O presidente da Rússia, Vladimir Putin, convidou tanto Lula quanto Maduro para a cerimônia. Esta será a 1ª vez que os líderes sul-americanos se encontrarão pessoalmente desde as eleições na Venezuela em julho de 2024.
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publicidadeO pleito que reelegeu Maduro foi marcado por controvérsias em relação à legitimidade do resultado. Na época, Lula inicialmente disse não haver “nada de anormal” com o processo eleitoral venezuelano, mas que esperaria a divulgação dos resultados oficiais pelo CNE (Conselho Nacional Eleitoral). Em agosto de 2024, o governo brasileiro, junto com o mexicano e o colombiano, cobraram a divulgação das atas de votação pela gestão Maduro.
Nicolás Maduro tomou posse em janeiro de 2025, mas o presidente Lula não compareceu. A embaixadora brasileira em Caracas, Gilvânia Maria de Oliveira, representou o país na cerimônia. Marcou o afastamento entre os líderes, que cultivavam uma relação amistosa até então.
publicidade publicidade Visita em 2023O presidente brasileiro recebeu Maduro no Palácio do Planalto em maio de 2023, início de seu 3º mandato. A vinda do venezuelano se deu por causa da reunião com os presidentes dos países da América do Sul. Dos 12 chefes de Estado convidados para o evento, Maduro foi o único a ter encontro bilateral com Lula até o momento.
Foi a 1ª visita de Maduro ao Brasil desde 2015. Na época, o venezuelano veio ao país para participar da posse da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Em 2019, ele foi proibido de entrar no Brasil pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O próprio Bolsonaro, no entanto, revogou, em 30 de dezembro de 2022, o decreto que impedia a entrada de integrantes da administração de Maduro em território brasileiro.
À época, a reunião entre Maduro e Lula no Planalto foi interpretada como uma “reabilitação política internacional”, uma vez que o venezuelano enfrentava críticas sobre seu governo e pressão para maior transparência durante as eleições presidenciais de seu país, marcadas para o ano seguinte.
Na ocasião, o presidente brasileiro disse por duas vezes que as acusações contra o regime autocrático da Venezuela se tratavam de uma “narrativa”, o que provocou críticas do Chile e do Uruguai. O presidente afirmou ainda que as sanções econômicas dos Estados Unidos contra a Venezuela “matam crianças”. O governante fez fortes críticas aos norte-americanos pelo embargo econômico ao país vizinho, que classificou como “pior do que uma guerra”.
Em outubro de 2023, o governo e a oposição concordaram em permitir que observadores internacionais acompanhassem o pleito e a livre indicação e cadastro de candidatos opositores ao governo.
No entanto, Maduro revogou o convite à União Europeia e bloqueou a candidatura de Corina Yoris, que foi substituída por Edmundo González Urrutia. Com isso, Maduro descumpriu o Acordo de Barbados.
O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) brasileiro, por sua vez, iria mandar observadores para acompanhar as eleições da Venezuela, mas desistiu depois que o presidente Nicolás Maduro declarou que as urnas brasileiras “não são auditadas”. Segundo o TSE, o Boletim de Urna das eleições brasileiras é um relatório “totalmente auditável”.
Desde então, Lula arrefeceu sua relação com o mandatário venezuelano e evitou abordar sobre a eleição, tanto para o lado de Maduro quanto da oposição. Em novembro de 2024, petista declarou que o sucessor de Hugo Chávez era “um problema da Venezuela, não do Brasil”.
O venezuelano, em contrapartida, não pareceu se abalar com os comentários de Lula. No dia seguinte da declaração do brasileiro, Maduro disse que a fala foi “sábia” e que concordava com o petista. Em dezembro, quando Lula passou por uma cirurgia para drenar um hematoma na cabeça, o líder venezuelano desejou boa recuperação.
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