O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta 3ª feira (16.dez.2025) que é possível assinar o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia no sábado (20.dez), durante a 67ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, em Foz do Iguaçu (PR). A negociação se arrasta há 26 anos e, segundo Lula, agora depende do presidente francês Emmanuel Macron e da primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni.
“Eu espero que meu amigo Macron e a primeira-ministra Meloni assumam a responsabilidade […] eu espero que eles tragam a boa notícia que eles vão assinar o acordo“, disse Lula, na 10ª reunião do CPS (Conselho de Participação Social).
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publicidade publicidadeRecentemente, Macron manifestou receio de que produtos agrícolas brasileiros prejudiquem agricultores franceses. Lula afirma ter dito ao francês “que o Brasil não compete com os produtos da França“.
Lula demonstrou otimismo com o avanço das tratativas, mas apontou resistências de líderes europeus. “A União Europeia está disposta a fazer o acordo e o Mercosul está disposto a fazer o acordo, e surgiu um pequeno problema: o presidente Macron disse que tem preocupações“, afirmou.
Parlamento Europeu endurece salvaguardasO Parlamento Europeu aprovou nesta 3ª feira (16.dez) um mecanismo de salvaguarda que endurece as regras para importações agrícolas do Mercosul. O texto estabelece que a UE pode suspender temporariamente preferências tarifárias se as importações prejudicarem produtores europeus.
publicidadeA Comissão Europeia será obrigada a abrir investigação sobre medidas de proteção quando a entrada de produtos sensíveis –como carne bovina ou aves– aumentar 5% na média de 3 anos. Na proposta original, o limite era de 10%. O texto foi aprovado por 431 votos a favor, 161 contra e 70 abstenções.
O Parlamento também acelerou o prazo de investigações: de 6 para 3 meses em geral, e de 4 para 2 meses para produtos sensíveis. Uma emenda incluiu mecanismo de reciprocidade que permite investigação quando houver evidências de que importações não atendem requisitos de meio ambiente, bem-estar animal ou proteção trabalhista da UE.
Acordo em númerosO entendimento preliminar entre os blocos foi alcançado em dezembro de 2024, após 25 anos de negociações. O acordo criaria um mercado comum com mais de 700 milhões de pessoas e PIB combinado de US$ 22 trilhões.
A União Europeia é o 2º maior parceiro comercial do Mercosul em bens. Em 2024, respondeu por 57 bilhões de euros em exportações. Em serviços, representa 1/4 das trocas, com 29 bilhões de euros exportados à região em 2023.
O pacto busca reduzir tarifas alfandegárias e facilitar comércio de bens e serviços, além de incluir compromissos em propriedade intelectual, compras públicas e sustentabilidade ambiental.
Com o aval do Parlamento Europeu, o Conselho Europeu pode avançar na redação final. O órgão deve se reunir nesta 4ª feira (17.dez). A expectativa é que o texto seja assinado no sábado (20.dez), em Foz do Iguaçu.
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