O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e da administração de Donald Trump (Partido Republicano) retomaram nesta 2ª feira (31.ago.2026) as negociações sobre as tarifas impostas por Washington a produtos brasileiros. Durante a reunião, o lado brasileiro voltou a argumentar que as taxas são “incompatíveis” com as regras de comércio multilateral.
O chanceler Mauro Vieira e o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, se reuniram virtualmente com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer. Foi o 1º contato direto entre as equipes desde que as tarifas entraram em vigor.
publicidade Formulário de cadastro alertas grátis do Poder360 concordo com os termos da LGPD. Inscreva-se Inscreva-seO governo brasileiro reafirmou estar aberto ao diálogo, mas manteve a posição de que não concorda com as tarifas unilaterais aplicadas pelos EUA.
publicidade publicidadeAs partes concordaram em realizar reuniões técnicas nas próximas semanas para avançar nas tratativas bilaterais. Também ficou acertada uma nova reunião em nível ministerial, virtual ou presencial, em data ainda não definida, para avaliar o progresso das negociações.
Segundo a nota conjunta do Ministério das Relações Exteriores e do Ministério do Desenvolvimento, os representantes brasileiros também contestaram as justificativas apresentadas pelo governo norte-americano nas investigações conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Eis a íntegra (PDF – 195 kB).
Não houve, por enquanto, anúncio de redução ou suspensão das tarifas. O comunicado também não informa quais produtos ou alíquotas serão objeto das próximas negociações. A nota conjunta também não define a data da próxima reunião ministerial.
publicidadeEm 16 de julho, a tarifa de 25% foi justificada com a alegação de que práticas comerciais brasileiras prejudicam o comércio norte-americano. Além de questões tarifárias, o processo incluiu temas como Pix, comércio digital, propriedade intelectual, etanol, combate à corrupção e desmatamento.
Em 24 de julho, os EUA aplicaram outra sobretaxa, dessa vez de 12,5%. Alegaram dessa vez que o Brasil falhou no combate da proibição da importação de mercadorias produzidas com trabalho escravo.
O governo brasileiro contesta todas as alegações.
TELEFONEMA REABRIU CANALO encontro foi marcado depois de um telefonema entre Lula e Trump. Na 5ª feira (27.ago), Elias Rosa havia dito estar “otimista” com as negociações.
No governo brasileiro, porém, não há expectativa que o impasse seja resolvido antes das eleições brasileiras em outubro.
Diante da situação, o governo Lula abriu consultas na OMC (Organização Mundial do Comércio) contra as medidas norte-americanas e iniciou o processo previsto na Lei da Reciprocidade Econômica. O processo segue aberto.
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