O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou R$ 187,2 bilhões em benefícios diretos aos eleitores neste ano. Estão fora do limite de alta de gastos R$ 176,7 bilhões. Esse valor equivale a 94% do total.
Há medidas que reduzem a receita e escapam do limite de gastos ?acabam por impactar a meta de superavit primário. Mas parte das medidas, no valor total de R$ 118,7 bilhões, fica fora até mesmo da meta de superavit primário que o chamado arcabouço fiscal estabelece. O valor equivale a 63% do total das medidas.
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publicidadeOs critérios usados são de um estudo do economista Marcos Mendes, pesquisador associado do Insper (Instituto de Estudo e Pesquisa). Ele foi chefe da assessoria econômica do Ministério da Fazenda de 2016 a 2018. Henrique Meirelles era o ministro. Michel Temer (MDB), o presidente.
publicidade?É uma desmoralização total. O volume de exceções é tão grande que a meta [de superavit] perde o sentido. E a gente acaba ficando com um país de deficit crônico elevado?, afirmou Mendes.
publicidadeO arcabouço fiscal de 2023 substituiu o teto de gastos que havia sido criado em 2016 pelo governo Temer. A regra anterior era mais rígida. Só era possível aumentar gastos se outros fossem cortados.
INSTRUMENTOS DE OMISSÃOO governo Lula usa estes mecanismos para escapar do sistema de limite de gastos da regra fiscal que ajudou a fazer em 2023:
empréstimos ? o Tesouro manda dinheiro para bancos estatais concederem linhas de crédito. É o caso do Move Aplicativos. Não sai do Orçamento. É despesa financeira. Teoricamente o banco devolverá ao Tesouro. Dificilmente devolve; fundos ? o governo usa fundos com dinheiro parado como garantia de empréstimos. É o caso do Desenrola 2.0 e do Minha Casa, Minha Vida. O argumento é que o recurso não era usado. Mas antes esses fundos eram destinados frequentemente para pagar a dívida pública. Não podem mais ter essa destinação; redução de imposto ? não influi na despesa, portanto, está fora do limite de alta de gastos. Mas tem impacto fiscal, porque o governo arrecada menos. O governo terá que cortar outros gastos ou o superavit ficará menor do que a meta estipulada; crédito extraordinário ? é dinheiro desembolsado pelo Tesouro. Mas, por ser extraordinário, fica fora da conta da alta de despesas. Não da meta fiscal. É o caso da subvenção à gasolina. CRESCIMENTO DA DÍVIDATodos esses gastos aumentam a dívida pública. Nenhum dos itens escapa, mesmo que seja exceção, ou que nem passe pelo Orçamento.
No Brasil, o governo tem deficit primário. Não paga sequer os juros do passivo da União, apesar de cumprir a meta elástica que criou.
A dívida está em 80,4% do PIB (Produto Interno Bruto). A expectativa de analistas de mercado é que chegue a 83% até o final do ano. Para 2027, esperam 86,5%.
O aumento de gastos em ano eleitoral tende a deteriorar a situação. Um agravante é que o Banco Central precisa manter os juros altos para conter a inflação causada pelo excesso de gastos do governo.
O resultado é crescimento baixo e PIB inferior ao potencial. Na comparação com a economia do país, o peso da dívida aumenta.
No governo de Dilma Rousseff (PT), o custo fiscal da reeleição foi alto. A dívida passou de 54,2% do PIB em 2011 para 56,3% do PIB em 2014, quando Dilma buscou ?e conseguiu? novo mandato. Em 2015 passou para 65,5%. Em 2016, quando houve o impeachment, chegou a 69,8% do PIB.
EXCEÇÕES DESDE O INÍCIOMendes afirmou que a falta de credibilidade do arcabouço fiscal existe desde a sua criação em 2023. Muitos itens ficaram de fora desde o início, como o gasto com precatórios.
Outras despesas criadas depois foram excluídas. É o caso da ajuda federal para mitigar os efeitos da enchente no Rio Grande do Sul em 2024.
O economista disse que o arcabouço é insuficiente para reduzir a dívida pública. ?Simplesmente para segurar o crescimento da dívida, é preciso de um superavit de mais de 4% do PIB?, afirmou. Com as exceções à meta, há deficit de 0,5% do PIB.
Mendes avalia que seria pior sem o arcabouço. ?A pressão para o aumento de despesas é muito grande. Houve um bloqueio grande de despesas para cumprir o arcabouço fiscal. Isso dá algum instrumento de controle de despesas?, disse.
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