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Governo lança ferramenta que detalha desonerações tributárias

Governo lança ferramenta que detalha desonerações tributárias
Fazenda apresenta Painel de Caracterização das Desonerações Tributárias e estima R$ 340 bilhões em benefícios dados são de 2024

O Ministério da Fazenda lançou nesta 3ª feira (23.jun.2026) o Painel de Caracterização das Desonerações Tributárias, ferramenta que consolida dados de incentivos fiscais. Em conversa com jornalistas, representantes do governo falaram em um volume de cerca de R$ 340 bilhões em benefícios declarados por empresas em 2024.

A plataforma, baseada em informações da DIRB (Declaração de Incentivos, Renúncias, Benefícios e Imunidades), também mostra diferenças entre estimativas anteriores do governo e os valores efetivamente reportados em alguns programas. No setor agropecuário, por exemplo, o gasto identificado foi de R$ 158 bilhões, quase o dobro da estimativa inicial de R$ 83 bilhões.

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A iniciativa foi apresentada como um esforço de transparência e aprimoramento da governança dos gastos tributários.

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O governo afirma que os números consolidados no painel se referem ao exercício de 2024, com base nas declarações da DIRB. Embora alguns programas tenham vigência até 2026, como o Perse e a desoneração da folha, a base ainda não reflete projeções futuras.

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A expectativa da Fazenda é que o sistema passe a ser atualizado de forma contínua conforme novos dados forem processados pela Receita Federal.

O sistema foi desenvolvido pela SPE (Secretaria de Política Econômica), em parceria com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e o Cedeplar/UFMG, e integra dados de mais de 85.000 empresas e 83 programas de incentivo, segundo o Ministério da Fazenda.

Participaram o secretário do Tesouro Nacional e ministro da Fazenda em exercício, Rogério Ceron, a secretária de Política Econômica, Débora Freire, o secretário especial da Receita Federal, Robson Barreirinhas, e o secretário-executivo do Ministério do Planejamento e Orçamento, Guilherme Melo.

PROGRAMAS COM MAIOR DIVERGÊNCIA

Além do agro, outros programas apresentaram diferenças entre estimativas e dados declarados:

Perse – estimado de R$ 4 bilhões e R$ 6 bilhões, atingiu mais de R$ 20 bilhões, segundo a DIRB. O governo fixou um teto de R$ 15 bilhões até 2026; desoneração da folha – reportada em cerca de R$ 19 bilhões em 2024, acima de projeções iniciais; Subvenções de custeio – o corte do benefício é estimado em economia de R$ 30 bilhões aos cofres públicos. FERRAMENTA DETALHA PERFIL DE BENEFICIÁRIOS

O painel não mede impacto fiscal dos benefícios, mas faz uma caracterização socioeconômica dos incentivos tributários, cruzando dados em 4 dimensões: produtiva, social, ambiental e regional.

Na dimensão social, por exemplo, o governo aponta que apenas 0,9% dos recursos estão associados a municípios classificados como de alta vulnerabilidade. No recorte produtivo, afirma que cerca de 46% das desonerações estão concentradas em setores de baixa intensidade tecnológica.

OBJETIVO: “TRANSPARÊNCIA”

Durante o evento, integrantes da equipe econômica afirmaram que o objetivo do painel é reduzir a assimetria de informação sobre gastos tributários e transformar o tema em uma agenda permanente de transparência fiscal.

A equipe econômica afirma que o objetivo é ampliar o controle sobre políticas de renúncia fiscal e permitir maior comparação entre custo e resultado dos incentivos concedidos.

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