O Ministério da Fazenda recusou o pedido do governo do Distrito Federal para uma reunião sobre o empréstimo de R$ 6,6 bilhões destinado à capitalização do BRB. Não é a 1ª vez que o governo federal nega ajuda ao Banco de Brasília.
Em ofício enviado ao GDF, o ministério disse que a estruturação e a execução da operação não são atribuições do governo federal e que cabe ao DF tratar com instituições financeiras e demais agentes do mercado. Eis a íntegra (PDF – 146 kB).
publicidade Formulário de cadastro alertas grátis do Poder360 concordo com os termos da LGPD. Inscreva-se Inscreva-seO pedido de reunião havia sido feito em 20 de agosto pela chefia de gabinete da governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), para dar continuidade às tratativas sobre a operação de crédito junto ao FGC (Fundo Garantidor de Créditos), destinada ao aporte de capital no BRB.
publicidade publicidadeA resposta assinada pelo chefe de gabinete do ministro Dario Durigan, Fábio Henrique Bittes Terra, afirmou que a AGU (Advocacia-Geral da União) e a PGFN (Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional) já representam a União nas discussões e participaram de reuniões com os órgãos e entidades envolvidos.
O ministério, porém, estabeleceu um limite para sua atuação. “A estruturação e a execução da operação não se inserem nas atribuições do governo federal”, declarou o documento.
O texto disse ainda que a participação do governo federal nas discussões não significa que seja sua responsabilidade conduzir a operação: “O que nunca impediu que ajudássemos no que coubesse”.
publicidadeNa avaliação do ministério, o próximo passo deve ser dado pelo próprio DF. O ofício disse ser necessária “a articulação, pelo Distrito Federal, com as instituições financeiras e demais agentes do mercado”, inclusive para definir os termos da operação.
A Fazenda afirmou que continuará disponível para as discussões, mas sem assumir a condução do processo: “Permanecemos à disposição para participar das reuniões e auxiliar na coordenação dos encaminhamentos necessários à implementação da operação”.
O ofício é datado de 31 de agosto e foi encaminhado ao governo do Distrito Federal em 2 de setembro. A recusa reforça o que o ministro da Fazenda, Dario Durigan, tem dito reiteradamente desde que assumiu o cargo: o BRB é problema exclusivo do DF.
Entenda o caso:
origem da crise – o problema começou com operações do BRB com o Banco Master em 2024 e 2025, que somaram cerca de R$ 30 bilhões; investigação – a operação Compliance Zero, da Polícia Federal, apontou suspeitas de fraudes financeiras nas transações. Em abril, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa foi preso; rombo – o BRB estima que R$ 8,8 bilhões dos créditos comprados do Master sejam inexistentes, fraudados ou de difícil recuperação; empréstimo – o governo do DF afirma conseguir cobrir R$ 2,2 bilhões do problema e busca R$ 6,6 bilhões em empréstimo junto ao FGC; garantias – os maiores bancos públicos e privados entrariam como avalistas. Em caso de calote, poderiam receber recursos do FPE e do FPM (fundos de participação dos Estados e municípios) destinados ao DF; por que não saiu – bancos resistem a assumir o risco e o FGC afirma que ainda precisa de informações, incluindo os balanços de 2025 e 2026 do BRB, para avaliar se os R$ 6,6 bilhões seriam suficientes. Leia íntegra do ofício:“Senhora Chefe de Gabinete,
“1. De ordem do Ministro de Estado da Fazenda Dario Durigan, em atenção ao Ofício nº 31/2026, de 20 de agosto de 2026, informamos que a Advocacia-Geral da União, juntamente com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, representando o Ministério da Fazenda, vem representando a União nas tratativas relativas à matéria, inclusive com a realização de reuniões com a participação dos órgãos e entidades envolvidos.
“2. Nesse sentido, considerando que a estruturação e a execução da operação não se inserem nas atribuições do Governo Federal, o que nunca impediu que ajudássemos no que coubesse, entende-se necessária a articulação, pelo Distrito Federal, com as instituições financeiras e demais agentes do mercado, inclusive para a definição dos elementos concretos da operação.
“3. Sem prejuízo dessa articulação, permanecemos à disposição para participar das reuniões e auxiliar na coordenação dos encaminhamentos necessários à implementação da operação.”
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