oMelhor.Net

EUA tentaram limitar capital externo em minerais críticos do Brasil

EUA tentaram limitar capital externo em minerais críticos do Brasil
Segundo o governo Lula, medida foi apresentada durante tratativas para evitar tarifa de 25% e foi recusada. Leia no Poder360.

Os Estados Unidos pediram ao Brasil, durante as negociações para tentar evitar o tarifaço, medidas para limitar investimentos estrangeiros em minerais críticos. A proposta foi recusada pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As novas tarifas são de 25% sobre produtos brasileiros.

Segundo o ministro do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), Márcio Elias Rosa, o pedido envolvia a adoção de medidas para limitar “atores não orientados pelo mercado” no setor de minerais críticos. A referência, segundo o governo, é à China, embora o país asiático não tenha sido diretamente citado.

publicidade publicidade Formulário de cadastro alertas grátis do Poder360 concordo com os termos da LGPD. Inscreva-se Inscreva-se

A declaração do ministro foi dada em coletiva de imprensa no MDIC na 5ª feira (16.jul.2026), dia seguinte ao anúncio da tarifa de 25% sobre produtos brasileiros pelos EUA.

publicidade

A solicitação foi apresentada apenas uma vez, no início deste ano, entre as mais de 30 reuniões realizadas ao longo de um ano de negociação. Segundo Elias Rosa, a exigência seguia o modelo adotado pelos norte-americanos em acordos com Reino Unido e Austrália.

publicidade

“Dos minerais críticos, numa das rodadas de negociação, o que nos foi solicitado foi que nós fizéssemos medidas que pudessem limitar investimentos por atores não orientados pelo mercado e entidades estrangeiras, a exemplo do que eles fizeram com outros países, como o Reino Unido, com a Austrália”, disse o ministro.

A preocupação norte-americana era evitar que minerais estratégicos brasileiros fossem destinados a empresas de países considerados fora do grupo de economias de mercado. Na avaliação do governo brasileiro, a exigência sobre minerais críticos representava uma tentativa de incluir restrições geopolíticas em uma negociação comercial. O Planalto afirma que os pedidos ultrapassavam o tema tarifário.

publicidade

Márcio Elias Rosa disse que o Brasil não aceitaria medidas que retirassem do país o controle sobre seus recursos estratégicos: “Não aceitaremos. Por quê? Minerais críticos pertencem ao povo brasileiro e à soberania do povo brasileiro”.

Além desse tema, os norte-americanos também apresentaram pedidos relacionados ao etanol, relações comerciais com a China, mercados digitais e abertura de setores da economia brasileira.

A orientação dos EUA era impedir o acesso de “economias que não seguem a lógica de mercado” às riquezas minerais do país –um recado à China. O pedido foi vinculado à Iniciativa Hemisférica de Minerais Críticos dos EUA, batizada internamente de “Volts”, que busca impedir que países fora do continente americano tenham acesso a essas reservas.

Os Estados Unidos têm buscado ampliar parcerias com países produtores para reduzir a dependência da China no fornecimento desses materiais.

O Brasil é estratégico na disputa global por minerais críticos. Tem a 2ª maior reserva de terras-raras do mundo, atrás da China, e concentra reservas relevantes de nióbio, lítio e grafite.

Para o governo brasileiro, o conjunto de exigências apresentado pelos EUA –que incluía também tarifa zero para bens industriais, químicos e do setor aeroespacial em troca de zerar tarifas do etanol, abrir mercados digitais e fechar minerais críticos à China– equivaleria a uma capitulação.

O que vem pela frente

O Congresso avança, em paralelo às negociações com os EUA, na construção de uma nova política para o setor mineral. Em maio, a Câmara dos Deputados aprovou o PL 2.780 de 2024, de autoria do deputado Zé Silva (União Brasil-MG) e relatado por Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos e cria o CIMCE (Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos), vinculado à Presidência da República.

Pelo texto aprovado pelos deputados, o conselho ficaria responsável por analisar operações de transferência de controle societário, acordos internacionais e cessão de minerais críticos pertencentes à União. Define uma revisão a cada 4 anos da lista oficial de minerais considerados críticos e estratégicos. 

Durante a votação, o relator retirou de última hora o trecho que dava ao colegiado poder de anuência prévia sobre operações das mineradoras, atendendo a pressão do setor privado.

No Senado, a tramitação está mais lenta, em meio a um atrito entre o presidente Lula e o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Corre em paralelo um projeto próprio, do senador Renan Calheiros (MDB-AL), relatado por Wilder Morais (PL-GO), que reduz o poder do futuro conselho.

A versão do Senado também quer um fundo garantidor para o setor, com aporte de até R$ 2 bilhões da União, e crédito fiscal de até 20% sobre gastos com beneficiamento e transformação mineral no país.

publicidade publicidadeTodo conteúdo