O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinará na 4ª feira (4.fev.2026) um pacto de enfrentamento ao feminicídio com representantes do Executivo, do Legislativo e do Judiciário. Na cerimônia de abertura do Ano Judiciário de 2026, realizada nesta 2ª feira (2.fev) no STF (Supremo Tribunal Federal), o petista afirmou que “assassinos e agressores devem ser punidos com todo o rigor da lei”.
“Mais que um pacto entre Executivo, Legislativo e Judiciário, esse precisa ser um pacto que envolva toda a sociedade brasileira. Um pacto que envolva, sobretudo, os homens deste país. Que precisam entender que não são donos de ninguém”, disse.
publicidade Formulário de cadastro alertas grátis do Poder360 concordo com os termos da LGPD. Inscreva-se Inscreva-seO acordo estabelece um compromisso formal entre os Três Poderes para a adoção de ações coordenadas no combate à violência contra mulheres. A iniciativa foi anunciada pela ministra da SRI (Secretaria de Relações Institucionais), Gleisi Hoffmann, a jornalistas em Brasília.
publicidade publicidadeSegundo Gleisi, o pacto seguirá a lógica de acordos anteriores firmados pelo governo, como os de Defesa da Democracia e de Transformação Ecológica. O modelo se baseia na união dos Três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) para atuar de forma conjunta, coordenada e com responsabilidade compartilhada em temas de interesse nacional.
No discurso desta 2ª feira (2.fev), Lula defendeu o engajamento dos homens no enfrentamento da violência contra mulheres. Disse que é preciso “educar os meninos” e que “a mulher pertence apenas a ela mesma, e a mais ninguém”.
Assista (56s):
A proposta do pacto foi apresentada por Lula em dezembro de 2025, durante reunião no Planalto com ministros do STF e integrantes do governo. A cerimônia de assinatura será no Palácio do Planalto.
Entre os presentes, estavam:
publicidade Edson Fachin, presidente do STF (Supremo Tribunal Federal); Carmen Lúcia, presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral); Ricardo Lewandowski (ex-ministro da Justiça); Camilo Santana (ministro da Educação); Márcia Lopes (ministra das Mulheres); Anielle Franco (ministra da Igualdade Racial); Macaé Evaristo (ministra dos Direitos Humanos).Na ocasião, o presidente discutiu o avanço dos índices de violência contra a mulher e defendeu a ampliação do debate para além das instituições.
Em 2025, por exemplo, o Brasil bateu recorde no número de casos de feminicídio, com 4 mortes por dia. Segundo o Sinesp (Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública) do Ministério da Justiça e Segurança Pública, foram 1.470 feminicídios no último ano.
Já de acordo com o Painel de Dados do Ligue 180 do Ministério das Mulheres, foram 679.058 casos de violência contra a mulher no ano passado –o painel considera todas as situações que envolvem a violação de direitos femininos previstos por lei.
O tema também tem sido abordado por Lula em esferas internacionais. Em discurso no Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe, em 28 de janeiro, o presidente classificou o feminicídio como um problema estrutural da região. No evento, afirmou: “Essa não é uma batalha só das mulheres. Nós, homens, temos que nos somar a essa luta e assumir a responsabilidade de acabar com a violência contra as mulheres.”
Assista à cerimônia no STF:
Leia os principais assuntos abordados por Lula em seu discurso:
defesa das instituições – “Compareço a esta solenidade para reafirmar o compromisso das instituições brasileiras com a Constituição, a democracia e a soberania do Brasil”; ataques do 8 de Janeiro – “Foi um ataque frontal às instituições democráticas, que tentou romper a ordem constitucional e desrespeitar a vontade do povo brasileiro”; confiança institucional – “Hoje, participo desta celebração republicana com a confiança e a esperança renovadas”; resposta ao golpismo – “O Brasil é muito maior do que qualquer golpista e qualquer traidor da pátria”; papel do STF – “O Supremo Tribunal Federal não buscou protagonismo, muito menos tomou para si atribuições de outros Poderes”; ameaças aos ministros – “Por agirem de acordo com a lei, ministras e ministros desta Corte enfrentaram pressões e até ameaças de morte”; resolução de conflitos políticos – “No Brasil, divergências políticas se resolvem pelas urnas, pelo diálogo constitucional e pelas leis”; equilíbrio entre Poderes – “A Constituição exige diálogo permanente entre Executivo, Legislativo e Judiciário”; soberania nacional – “Reafirmamos que nenhuma nação se constrói sob tutela”; julgamento dos golpistas – “Aqueles que atentaram contra a democracia tiveram julgamento justo, com amplo direito de defesa”; fortalecimento democrático – “A democracia brasileira saiu desse processo mais forte e mais madura”; mensagem contra novas rupturas – “Os responsáveis por qualquer futura tentativa de ruptura democrática serão punidos com o rigor da lei”; papel do TSE – “O Tribunal Superior Eleitoral tem sido um pilar fundamental da soberania do voto e da legitimidade do processo eleitoral”; desafios tecnológicos – “Uma mentira contada mil vezes tem o poder de influenciar o processo eleitoral”; uso de IA e fake news – “A Justiça Eleitoral precisa agir com rigor e precisão para que a vontade popular prevaleça”; independência do Judiciário – “Independência não significa isolamento, mas convivência institucional harmônica”; combate ao crime organizado – “Não importa onde os criminosos estejam nem o tamanho da conta bancária. Todos pagarão pelos crimes que cometeram”; violência contra a mulher – “Assassinos e agressores devem ser punidos com rigor, mas também é preciso educar os meninos”; responsabilidade social – “Mais do que um pacto entre os Poderes, esse compromisso precisa envolver os homens”; democracia como processo – “A democracia não está pronta. Está em permanente construção e exige compromisso e coragem”. publicidadeTodo conteúdo