O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reúne nesta 2ª feira (31.ago.2026) com o USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) para discutir a relação tarifária entre os 2 países. O governo brasileiro não espera fechar acordo no 1º encontro.
O capítulo anterior das negociações –que buscava evitar a aplicação das tarifas– já está encerrado. Donald Trump (Partido Republicano) aplicou as tarifas mesmo assim, com base, segundo o governo brasileiro, em acusações infundadas.
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publicidade publicidadeEm 16 de julho, a tarifa de 25% foi justificada com a alegação de que práticas comerciais brasileiras prejudicam o comércio norte-americano. Além das questões tarifárias, o processo incluiu temas como Pix, comércio digital, propriedade intelectual, etanol, combate à corrupção e desmatamento.
Em 24 de julho, os EUA aplicaram outra sobretaxa, dessa vez de 12,5%. Alegaram que o Brasil falhou no combate à importação de mercadorias produzidas com trabalho escravo.
O governo brasileiro contesta todas as alegações.
A reunião desta 2ª feira (1º.set.) será entre o ministro do MDIC, Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, por videoconferência, às 14h30. Será o 1º contato direto entre as equipes desde que as tarifas entraram em vigor.
publicidadeAs conversas devem se concentrar em aspectos do regime tarifário bilateral. A avaliação interna é de que a reunião será exploratória. Não devem haver conclusões nem anúncio de acordo já na 1ª rodada de retomada de negociações depois do tarifaço.
MINERAIS CRÍTICOS FORA DA MESAO governo não espera que o tema dos minerais críticos entre na pauta desta reunião –como entrou nas outras. A avaliação é de que a discussão ficará restrita ao regime tarifário. O Brasil não vai ceder nesse tema para obter alívio nas tarifas.
Já o etanol deve voltar à mesa. Em julho, o Brasil chegou a apresentar ao USTR uma proposta de redução de tarifas de importação em cerca de 300 linhas de produtos, concentrada em itens de baixa produção nacional, como maquinário e tecnologia da informação. A ideia era abrir espaço para bens norte-americanos sem afetar a indústria brasileira.
O etanol entrou na mesa, mas com uma contrapartida: qualquer redução da tarifa brasileira sobre o produto norte-americano dependeria de os EUA reduzirem as barreiras hoje aplicadas ao açúcar do Brasil –superiores a 100% acima da cota anual de 150 mil toneladas. Essa vinculação já havia sido colocada como condição pelo próprio presidente Lula.
Mesmo com a proposta de abertura de mercado sobre a mesa, os EUA mantiveram a aplicação da tarifa de 25% a partir de 22 de julho.
TELEFONEMA REABRIU CANALO reinício das tratativas veio depois de um telefonema entre Lula e Trump que durou cerca de 1h20 e teve as tarifas como assunto principal.
Apesar do novo canal aberto, não há sinalização de acordo definitivo –que deve ficar para depois das eleições.
Lula e Trump devem se encontrar em Nova York na 2ª quinzena de setembro, durante a Assembleia Geral da ONU. A passagem do presidente brasileiro pela cidade deve ser breve, às vésperas das eleições no Brasil.
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