O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não pretende retaliar nem aplicar a reciprocidade aos Estados Unidos no caso da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti. A diplomata, que teve o visto multientrada revogado na 3ª feira (4.ago.2026), mantém o cargo de embaixadora, mas, se deixar o país, precisará solicitar um novo visto para voltar.
O governo de Donald Trump (Partido Republicano) apresentou como justificativa para cancelar o visto à demora do governo brasileiro em aprovar o nome de Daniel Perez como embaixador dos Estados Unidos no Brasil.
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publicidade publicidadeO presidente Lula afirmou, nesta 4ª feira (5.ago), que a medida norte-americana foi “irresponsável e impensada”. A declaração foi feita em entrevista ao canal do YouTube Meteoro Brasil e ao podcast Os Três Elementos.
Lula disse ter decidido não receber mais nenhum embaixador no Brasil até depois das eleições. Para ele, “os Estados Unidos não deram importância para a embaixada no Brasil, porque faz 1 ano e meio que ele [Trump] está no poder e não mandou para cá. Acha que a gente tem obrigação de fazer na data que eles querem. Não é correto, não é possível. Nós queremos ser tratados com respeito”.
publicidadeA avaliação de integrantes do Planalto é que a atuação dos Estados Unidos ainda é simbólica, sem efeitos práticos no trabalho de Viotti. Apesar disso, pode haver alguma resposta mais dura do governo brasileiro caso ela ou outro funcionário diplomático seja exposto a um constrangimento.
Há o entendimento de que, mesmo antes da revogação do visto, já havia dificuldade no trato entre a embaixada brasileira e o Departamento de Estado dos Estados Unidos.
Para o governo, só há 2 cenários possíveis: ceder aos Estados Unidos ou não. Em um 1º momento, não há a expectativa que o agrément (o aval de Lula para Perez) seja acelerado por causa da ação norte-americana.
publicidadeO processo diplomático exige uma análise e, caso não haja nada que desabone o nome do diplomata, ele deve ser aceito como embaixador.
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