O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta 4ª feira (17.dez.2025) que não enxerga possibilidade de nova prorrogação da assinatura do acordo Mercosul-União Europeia. Segundo ele, o acordo comercial entre os blocos pode não avançar por resistência de governos europeus, citando impasses domésticos em Paris e Roma.
“É importante lembrar que essa reunião do Mercosul estava prevista para o dia 12, porque a União Europeia pediu mais prazo e disse que só conseguiria aprovar o acordo no dia 19. E agora estou sabendo que eles não vão conseguir aprovar”, afirmou durante o discurso na última reunião ministerial do ano, realizada na Granja do Torto.
publicidade publicidadeFormulário de cadastro alertas grátis do Poder360 concordo com os termos da LGPD. Inscreva-se Inscreva-se
Assista à declaração de Lula (2min4s):
publicidadeA assinatura ainda é esperada no sábado (20.dez), durante a 67ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, em Foz do Iguaçu (PR). O petista disse que foi informado de que a aprovação não deve se dar agora por dificuldades políticas internas.
publicidadeLula disse que os países do bloco sul-americano já cederam ao máximo nas tratativas e que o Brasil não deve insistir caso a decisão seja novamente adiada. Internamente, avalia-se que um adiamento para fevereiro ou março abriria caminho para novos obstáculos à confirmação do pacto comercial.
“Nós do Mercosul trabalhamos muito para aceitar esse acordo. (...) Se a gente não fizer agora, o Brasil não fará mais acordo enquanto eu for presidente. Se disserem não, nós vamos ser duros daqui pra frente com eles”, declarou.
publicidadeO presidente criticou o contexto internacional e disse que o pacto teria valor simbólico diante do cenário global. Segundo ele, a iniciativa mostraria a força do multilateralismo no momento em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Republicano) quer fortalecer o unilateralismo.
Desse modo, fontes do governo destacam que a não conclusão do acordo enviaria um sinal negativo, mostrando incapacidade de entendimento entre 2 dos maiores blocos econômicos do mundo.
Sobre o acordo, Lula afirmou que a diplomacia brasileira já fez todas as concessões possíveis. Segundo ele, a negociação enfrenta obstáculos porque “a Itália e a França não querem fazer por problemas políticos internos”. O acordo está em discussão há 26 anos.
Parlamento Europeu endurece salvaguardasO Parlamento Europeu aprovou nesta 3ª feira (16.dez) um mecanismo de salvaguarda que endurece as regras para importações agrícolas do Mercosul. O texto estabelece que a UE pode suspender temporariamente preferências tarifárias se as importações prejudicarem produtores europeus.
A Comissão Europeia será obrigada a abrir investigação sobre medidas de proteção quando a entrada de produtos sensíveis –como carne bovina ou aves– aumentar 5% na média de 3 anos. Na proposta original, o limite era de 10%. O texto foi aprovado por 431 votos a favor, 161 contra e 70 abstenções.
O Parlamento também acelerou o prazo de investigações: de 6 para 3 meses em geral, e de 4 para 2 meses para produtos sensíveis. Uma emenda incluiu mecanismo de reciprocidade que permite investigação quando houver evidências de que importações não atendem requisitos de meio ambiente, bem-estar animal ou proteção trabalhista da UE.
Acordo em númerosO entendimento preliminar entre os blocos foi alcançado em dezembro de 2024, após 25 anos de negociações. O acordo criaria um mercado comum com mais de 700 milhões de pessoas e PIB combinado de US$ 22 trilhões.
A União Europeia é o 2º maior parceiro comercial do Mercosul em bens. Em 2024, respondeu por 57 bilhões de euros em exportações. Em serviços, representa 1/4 das trocas, com 29 bilhões de euros exportados à região em 2023.
O pacto busca reduzir tarifas alfandegárias e facilitar o comércio de bens e serviços, além de incluir compromissos em propriedade intelectual, compras públicas e sustentabilidade ambiental.
Com o aval do Parlamento Europeu, o Conselho Europeu pode avançar na redação final. O órgão deve se reunir nesta 4ª feira (17.dez). A expectativa é que o texto seja assinado no sábado (20.dez), em Foz do Iguaçu.
publicidade publicidadeTodo conteúdo