O Senado que toma posse em fevereiro de 2027 deve ficar mais oposicionista do que o atual, mas não o bastante para que a oposição consiga, sozinha, tirar um ministro do Supremo Tribunal Federal do cargo. Ter a maioria na Casa virou o principal objetivo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Flávio Bolsonaro (PL).
Levantamento do Poder360 mostra que a bancada de oposição pode saltar dos atuais 34 para 43 senadores, o que garantiria à oposição a maioria absoluta da Casa (41 votos), mas ficará longe dos 54 votos (⅔) exigidos pela Constituição para afastar um ministro do Supremo via processo de impeachment. Entenda a metodologia mais abaixo. Os governistas devem somar 29.
Neste ano, cada Estado e o Distrito Federal elegerão 2 senadores. As empresas de pesquisas questionam os entrevistados sobre suas opções de 1º e 2º voto. Os percentuais correspondem aos votos consolidados de cada opção dos eleitores. O jornal digital reuniu pesquisas eleitorais das 27 unidades da Federação. Foram consideradas as pesquisas mais recentes com íntegras disponíveis de cada Estado, registradas oficialmente na Justiça Eleitoral. Leia aqui a íntegra (PDF – 97 kB) de todos os estudos usados.
publicidade publicidadeEsta reportagem considerou competitivos os candidatos que aparecem liderando numericamente as intenções de voto para as duas vagas de cada Estado, desconsiderando empates na margem de erro de cada levantamento.
Formulário de cadastro alertas grátis do Poder360 concordo com os termos da LGPD. Inscreva-se Inscreva-seAtualmente, o Senado tem 30 senadores considerados pró-Lula, 34 de oposição e 17 que “flutuam” (ora votam com o governo, ora com a oposição). Das 54 cadeiras em disputa nas eleições de outubro, 22 são hoje ocupadas por aliados do governo, 18 pela oposição e 14 por flutuantes. Desses, 22 não vão disputar a reeleição.
Apesar do cenário, é necessário entender que nem toda “maioria” no Senado vale a mesma coisa. A Casa tem 3 patamares de votos:
publicidade maioria simples – 41 votos assegura o controle da Mesa Diretora, a presidência de comissões e a aprovação de projetos de lei ordinários e indicações, como nomes para embaixadas, agências reguladoras e o STF. Dificultaria, por exemplo, uma nova tentativa de nomear Jorge Messias; (⅗ ou 49 votos) – necessários para aprovar PECs (Propostas de Emenda à Constituição), que passam por 2 turnos em cada Casa do Congresso; (⅔ ou 54 votos): número de senadores exigidos para condenar por processo de impeachment ministros do STF, o presidente da República ou outras autoridades.Se o cenário das pesquisas se concretizar, a conta da oposição não fecha para os 2 últimos patamares.
PL LIDERA PESQUISASCom 43 senadores projetados, o bloco superaria os 41 votos da maioria simples, o que já garantiria influência relevante sobre a agenda da Casa, indicações do Executivo e a presidência de comissões.
Mas, mesmo em um cenário hipotético em que todos os senadores “flutuantes” votassem junto com a oposição, o total chegaria a 52 votos. Ainda assim, 2 votos abaixo dos 54 necessários para abrir um processo de impeachment contra um ministro do STF. Isso significa que, na prática, qualquer tentativa da oposição de usar o Senado para punir um ministro do Supremo esbarraria nesse número.
Apesar disso, o cenário é mais animador para o PL do que para o PT. O partido de Bolsonaro é a sigla com mais candidatos competitivos na disputa pelo Senado. Segundo as pesquisas mais recentes registradas no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o partido tem 11 filiados que lideram ou aparecem tecnicamente empatados em 1º lugar em seus Estados.
O MDB vem em 2º e registra 8 candidatos tecnicamente empatados ou líderes nas pesquisas. O PT é o 3º partido com mais candidatos competitivos, o partido tem 7 filiados nas posições. Se forem somados os senadores que permanecem na Casa (com mandato até 2031), o PL deve alcançar a marca de 20 senadores em 2027, enquanto o PT terá 10.
EVENTUAL LULA 4Se Lula vencer em outubro, o Senado projetado por este levantamento tende a ser o mais hostil ao governo desde o início de sua atual passagem pelo Planalto.
Com a oposição perto de controlar a maioria simples (41 votos), o governo perderia musculatura para aprovar indicações, como nomes ao Banco Central e a agências reguladoras, sem negociar concessões mais amplas com o Centrão.
As reformas que dependem de PECs (49 votos) exigiriam do Planalto negociar com um número maior de partidos de centro e direita do que hoje. Já CPIs e o desgaste político tendem a crescer. Maiorias simples são suficientes para instalar comissões parlamentares de inquérito, como a do Banco Master e da CPI do Lulinha, e amplificar o desgaste público do governo.
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Para elencar as pesquisas eleitorais nos Estados, o Poder360/Drive fez buscas no banco de dados do TSE, em jornais locais e na internet em geral. Foi considerado sempre o cenário consolidado estimulado dos estudos mais recentes, com metodologias conhecidas e dos quais foi possível verificar a origem das informações.
Todos os levantamentos foram registrados na Justiça Eleitoral. Quando muitas pesquisas foram realizadas em um período próximo de tempo, o Poder360/Drive optou por considerar o estudo da empresa mais conhecida e com mais relevância no mercado.
Os dados sobre a quantidade de eleitores em cada Estado são do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e estão atualizados até 27 de agosto de 2026.
Aécio Neves (PSDB) anunciou sua candidatura ao Senado Federal na 6ª feira (28.ago.2026), por isso não teve as intenções de votos contabilizadas em nenhuma pesquisa eleitoral analisada até 5ª feira (27.ago.2026).
AGREGADOR DE PESQUISASO Poder360 oferece aos assinantes do Drive o Agregador de Pesquisas, o mais antigo e mais completo da internet no Brasil. Reúne milhares de levantamentos de intenção de voto de todas as empresas desde o ano 2000. Os dados de 2026 estão disponíveis a todos os leitores durante o período eleitoral.
Clique aqui para acessar o Agregador de Pesquisas e buscar os dados que desejar para as disputas de 2026. Leia aqui como assinar o Drive para acessar estudos de anos anteriores no Agregador de Pesquisas e outros produtos do Poder360.
Em anos eleitorais, só são publicados os estudos que têm registro na Justiça Eleitoral e metodologia completa conhecida. Tem alguma pesquisa para divulgar? Mande a íntegra por e-mail para o Poder360: [email protected].
PODERDATACASTO PoderDataCast, podcast do Poder360 voltado ao debate de pesquisas eleitorais e de opinião pública, está no ar para mais uma temporada. O programa, comandado pelo editor de Pesquisas, Jonathan Karter, é transmitido ao vivo todas as quintas-feiras, às 18h30, no canal do Poder360 no YouTube.
Assista ao último episódio (1h17min):
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