O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) participou, nesta 6ª feira (28.ago.2026), da sabatina na TV Globo, exibida depois do “Jornal Nacional”. Foi entrevistado pelos jornalistas César Tralli e Renata Vasconcellos. A entrevista teve 40 minutos de duração, divididos em 2 blocos, além das considerações finais do candidato.
Flávio Nantes Bolsonaro tem 45 anos, nasceu em Resende (RJ), é advogado e empresário. Entrou na política no início dos anos 2000 por influência do pai, Jair Bolsonaro, no PPB (Partido Progressista Brasileiro).
Formulário de cadastro alertas grátis do Poder360 concordo com os termos da LGPD. Inscreva-se Inscreva-seEm 2002, foi eleito deputado estadual mais jovem da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, onde cumpriu 4 mandatos consecutivos. Disputou a Prefeitura do Rio em 2016 pelo PSC e terminou em 4º lugar.
publicidade publicidadeEm 2018, foi eleito senador pelo PSL. Agora, concorre pela 1ª vez à Presidência, pelo PL, com o deputado federal por Alagoas Alfredo Gaspar como vice.
Renata Vasconcellos: “O banqueiro Daniel Vorcaro está preso por fraudes bilionárias. Ele repassou R$ 61 milhões para financiar um filme sobre seu pai, Jair Bolsonaro. Primeiro, o senhor negou ter pedido o dinheiro para Vorcaro. Em seguida, vieram a público mensagens de áudio mostrando que sim, o senhor pediu, cobrou dinheiro de Vorcaro para o filme. Em seguida, o senhor omitiu ter se encontrado com Vorcaro. Depois, reconheceu que se encontrou com ele e foi até a casa dele, inclusive no dia seguinte à saída dele da prisão. Diante de todas essas contradições, como convencer o eleitor de que o senhor não teve um relacionamento próximo com Daniel Vorcaro?”
Flávio Bolsonaro: “Bom, Renata, em 1º lugar, quero prestar minha solidariedade a você pelo ocorrido aqui no dia de ontem, na sabatina com o próprio presidente da República, que é uma descortesia que ele cometeu. Da minha parte, obviamente, fique à vontade para fazer qualquer tipo de pergunta, como essa pergunta, que eu acho que tem que ser esclarecida sempre, apesar de já ter falado várias vezes sobre isso. Nunca é demais explicar, não só para vocês, mas principalmente para quem está em casa me assistindo, que não tem absolutamente nada de errado em um filho buscar um financiamento privado para um filme do próprio pai e alguém que, obviamente, apesar de ser senador, não teve nenhuma contrapartida pelo fato de eu ser senador da República para esse investidor. Então, Renata, de verdade, não tem absolutamente nada de irregular nesse filme. Eu não fui buscar dinheiro em Lei Rouanet, eu não fui buscar dinheiro em recursos públicos. E esse foi um patrocínio que não teve, não tem nenhuma transferência para Flávio Bolsonaro. É um patrocínio para um filme privado sobre o meu pai.”
publicidadeRenata Vasconcellos: “Na véspera da prisão de Vorcaro, quando as fraudes e as investigações já eram conhecidas e noticiadas, o senhor chegou a dizer numa conversa o seguinte: ‘Estou e estarei contigo sempre’. O que o senhor quis dizer com isso?”
Flávio Bolsonaro: “É importante separar o tipo de relação privada que envolve esse patrocínio para um filme, que é o mesmo tipo de relação privada de um banqueiro que investiu também, deu um patrocínio de R$ 160 milhões para um programa do Luciano Huck, aqui da Globo. Não tem absolutamente nada de errado. É a mesma pessoa que fez o investimento de R$ 50 milhões no Grupo Globo, na Editora Globo, mais especificamente, para que fossem dadas várias palestras, inclusive uma em Nova York, que foi do Valor Econômico, que é do Grupo Globo. Então, isso aqui, Renata, o patrocínio para o Grupo Globo, o patrocínio para o filme privado, isso aqui foi de boa-fé. Não tem nada de ilegal, está tudo correto e é completamente diferente da relação que ele construiu junto ao atual governo.”
Renata Vasconcellos: “Mas o que o senhor quis dizer com ‘estarei sempre contigo’? Qual era a relação pessoal?”
Flávio Bolsonaro: “A única relação que eu tinha com ele, Renata, era sobre esse filme, mais nada. Então, na verdade, ali o filme já estava acontecendo. Eu não queria que essa obra de arte fosse perdida. É um sonho que estava se realizando. O presidente Bolsonaro merece uma obra de arte, uma obra-prima como um filme contando a história, como um herói, que é o que de fato ele é. Resistiu, inclusive, a uma facada até chegar à Presidência da República, deu o seu melhor. Então, foi ali uma forma de garantir que esse filme acontecesse e, muito em breve, se Deus quiser, todos vão poder assistir esse grande filme sobre Jair Messias Bolsonaro.”
Renata Vasconcellos: “O assunto não é página virada porque o senhor não apresentou o contrato com Daniel Vorcaro. O senhor não apresentou uma planilha detalhada com os milhões gastos no filme, como prometeu fazer em maio. Não esclareceu quem são todos os investidores, quanto cada um colocou no filme e quanto do dinheiro do fundo criado no exterior foi, de fato, para o filme. O eleitor não merece explicações mais claras sobre esse episódio que ainda está obscuro?”
Flávio Bolsonaro: “Merece e é o que eu estou fazendo aqui, Renata. É uma relação privada, mais uma vez, que sinto na obrigação, inclusive, de prestar todos os esclarecimentos porque, obviamente, eu sou candidato à Presidência da República. Todo o patrocínio que foi feito no filme foi usado no filme. Logo que veio à tona esse áudio e começou toda a montagem dessa conjuntura, como se tivesse algo de errado nessa relação, que absolutamente não tem nada de errado, eu falei: ‘Quero em 30 dias que a produtora apresente uma prestação de contas’. E antes desse prazo, a prestação de contas foi feita, inclusive na investigação que estava acontecendo na Polícia Civil de São Paulo, por exigência minha, antes dos 30 dias. Inclusive, eu vi na própria imprensa, foi publicado no site do G1.”
César Tralli: “O G1 trouxe os valores apresentados pela produtora, mas também disse que o perito contratado por ela não trouxe detalhes. Ele admitiu que não acessou o fundo americano que recebeu o dinheiro de Vorcaro. Não apresentou nota fiscal, comprovante de transferência bancária, nome de financiador nem explicou a origem e o destino dos R$ 75 milhões. Por que o senhor não apresenta o contrato? Não é do seu interesse dar completa transparência a isso?”
Flávio Bolsonaro: “Tralli, é do completo interesse. E, mais uma vez, tudo já veio à tona pela imprensa. Há 2 ou 3 dias, mais uma vez, uma reportagem da revista Veja tratando não apenas da prestação de contas, mas também da perícia. O que a perícia concluiu, Tralli? Conclui que não tem um centavo de dinheiro público nesse filme. É uma relação completamente privada. E mais: essa perícia mostra também que o patrocínio que foi feito por ele, o filme custou mais do que o patrocínio que ele fez. E o contrato também veio à tona quando vazaram as conversas entre uma pessoa e Daniel Vorcaro.”
César Tralli: “Quando o senhor vai tornar público o contrato que o senhor teve com Daniel Vorcaro, o contrato que o senhor firmou com Daniel Vorcaro para receber esse dinheiro?”
Flávio Bolsonaro: “Eu não firmei contrato com ninguém. A minha parte nesse filme foi autorizar o uso da minha imagem e captar investidores. O contrato não cabe a mim. Eu já assinei a CPMI, eu pedi que ela acontecesse, porque tudo que eu queria é que sentasse lá Augusto Lima e Daniel Vorcaro para perguntar: qual é a sua relação com Flávio Bolsonaro? Porque ele fala: ‘Nenhuma relação com o filme’. Agora, qual é a sua relação com o Lula? Qual é a sua relação com Jaques Wagner? Qual é a sua relação com Rui Costa? Qual é a sua relação com o Galípolo? Vorcaro, o que você conversou naquela reunião com o presidente Lula, naquela reunião secreta que ele fez junto com Galípolo, junto com Augusto Lima?”
Renata Vasconcellos: “No fim de 2025, o senhor visitou Daniel Vorcaro em São Paulo. Naquele momento, as fraudes do Master já eram amplamente conhecidas. Vorcaro já tinha sido preso e estava com tornozeleira eletrônica. O senhor alegou que foi lá para dar fim à relação que tinha com Vorcaro. É adequado um senador da República visitar a casa de um banqueiro investigado por fraudes bilionárias no sistema financeiro, incluindo dinheiro dos aposentados?”
Flávio Bolsonaro: “O que não é adequado é um presidente da República receber numa reunião secreta um banqueiro prometendo ajudá-lo a resolver o problema do seu banco. Então fica a pergunta aqui: quem deve esclarecimentos é o Lula. Ele é sócio, ele é conselheiro ou ele é só amigo do Vorcaro e do Augusto Lima? Quem deve explicações hoje é o atual presidente da República. Mais uma vez, uma relação privada que não teve absolutamente nenhuma contrapartida da minha parte de favorecê-lo de alguma forma, porque obviamente eu sou oposição ao atual governo. Nada que ele pudesse me pedir de ajuda para resolver um poder público eu poderia ajudá-lo. Então, mais uma vez, isso é um livro que está fechado, ressignificado e na prateleira para quem quiser abrir e ter acesso a hora que quiser.”
Renata Vasconcellos: “Mas o senhor não vai tornar públicas as informações?”
Flávio Bolsonaro: “É aberto para o público, isso está aberto para o público pela imprensa.”
Renata Vasconcellos: “O eleitor ainda não tem essa planilha, não tem os detalhes, não tem, enfim, tudo que nós tratamos aqui.”
Renata Vasconcellos: “Ao julgar o caso, o STF [Supremo Tribunal Federal] identificou 13 atos numa trama que começou antes das eleições de 2022 e culminou no ataque às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023. Seu pai, Jair Bolsonaro, foi condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por liderar uma organização criminosa que tentou impedir a alternância de poder depois das eleições. O Supremo enumerou ações como campanha para desacreditar as urnas e a Justiça Eleitoral, pressão sobre as Forças Armadas, uso de órgãos públicos contra adversários, plano para assassinar o então presidente eleito, o vice e ministro do Supremo e a elaboração da chamada minuta do golpe. Que garantias o eleitor tem de que seu grupo político não vai voltar a atacar a democracia se o senhor for eleito?”
Flávio Bolsonaro: “É muito importante a sua pergunta para que quem está nos assistindo possa saber a grande farsa que foi armada para tirar o presidente Bolsonaro da vida pública. Você citou algumas acusações pelas quais ele foi condenado. Ele foi julgado pelos seus inimigos. Você nunca queira ser julgado pelos seus inimigos, porque você já sabe qual vai ser o resultado final antes do processo começar. Você falou alguns crimes que foram imputados a ele. Organização criminosa armada. Que organização? As pessoas que estavam naquele 8 de Janeiro nem se conheciam, nunca se viram na vida. E armada? Não foi encontrada uma arma no 8 de Janeiro. Como é que alguém pode ser condenado, como foi o presidente Bolsonaro e centenas de outras pessoas, por depredação de patrimônio público se ele estava a mais de 10.000 km de distância de Brasília? Para eu quebrar esse copo, eu tenho que pegar ele na mão, tenho que tacar ele no chão. Aí você pode me acusar de ter quebrado o copo. Depredação de um patrimônio público, a pessoa tem que estar fisicamente no mesmo local para poder cometer. E foi imputado esse crime a ele. É uma depredação de patrimônio público por Wi-Fi? É o golpe da Disney, porque eles estavam nos Estados Unidos? Então, claramente, isso tudo foi uma farsa que foi armada.”
César Tralli: “Há vários depoimentos de generais de alta patente do governo do seu pai. O general Mário Fernandes confirmou em interrogatório que foi o autor do plano para matar autoridades. A PF encontrou o arquivo no Palácio do Planalto, rastreou celulares e confirmou que o documento foi levado até o Palácio da Alvorada. As investigações apontaram que o grupo só não conseguiu concluir o plano porque não conseguiu cooptar o comando do Exército. Planejar matar autoridades não é crime contra a democracia brasileira?”
Flávio Bolsonaro: “Tralli, você está falando de pessoas que acusam ou que fizeram essa montagem, esse contexto mentiroso para condenar esse pessoal. Se esse general planejou isso, a responsabilidade é dele. Por que o depoimento do Cid, quando ele diz que nunca foi tratado de golpe dentro do governo com o presidente Bolsonaro, com qualquer pessoa, por que isso foi desconsiderado? A gente está falando, Tralli, de um relator desse processo que foi ofendido no aeroporto lá na Itália. E o que ele faz? Ele abre um processo contra as pessoas que supostamente constrangeram ele no aeroporto da Itália como sendo um crime ou atentado contra a democracia, porque foi o ministro do Supremo que foi ali constrangido em algum momento. Então, essa segurança jurídica que eu vou trazer de volta. Eu sou o único candidato que pode trazer essa segurança jurídica de volta. Eu sou o único candidato que pode recolocar as instituições no seu devido lugar, para que o Supremo volte a cumprir a Constituição, ou melhor dizendo, parte do Supremo volte a cumprir a Constituição.”
César Tralli: “O brigadeiro Baptista Júnior disse que houve risco iminente de golpe de Estado e pressões para que militares aderissem a uma ruptura institucional. O general Freire Gomes confirmou que a minuta do golpe foi apresentada e discutida em reunião com Jair Bolsonaro. Como o senhor avalia essas declarações dos comandantes do Exército e da Aeronáutica? Isso não é grave?”
Flávio Bolsonaro: “Não, não é grave, porque está partindo de uma pessoa como esse comandante da Aeronáutica, que hoje está pedindo voto para o Lula. Uma pessoa completamente parcial para falar sobre o presidente Bolsonaro. Os crimes que são considerados insuscetíveis de anistia, de indulto, por exemplo, são tráfico de drogas, tortura, crimes hediondos. E a parte do crime que estava lá, crimes contra o Estado Democrático de Direito, na Constituição de 88, foi retirada por um destaque. Ou seja, estava no texto original da Constituição, parlamentares fizeram um procedimento regimental para tirar essa parte de atentados contra o Estado Democrático de Direito como passíveis de indulto ou de anistia. Sabe quem votou a favor de tirar esse destaque de lá? Lula, Fernando Henrique Cardoso e vários outros medalhões da política brasileira. […] Eu, como presidente da República, vou trabalhar para que a anistia seja feita ainda na transição e, caso não ocorra, um indulto […].”
Renata Vasconcellos: “O fato é que o Supremo julgou, por maioria, que houve tentativa de golpe de Estado e mais 4 crimes pelos quais seu pai está preso. O senhor diz que, se eleito, vai anistiá-lo. E o senhor, como ele, atacou as urnas eletrônicas brasileiras durante encontro com diplomatas estrangeiros. O presidente Nunes Marques precisou sair em defesa das urnas. Por que voltar a atacar a credibilidade das urnas eletrônicas como fez seu pai?”
Flávio Bolsonaro: “A minha fala foi sobre o assunto que está acontecendo no momento fora do Brasil, e eu sou bem claro, eu falo assim: ‘Não estou questionando as urnas eletrônicas’. E realmente, de fato, eu disse lá que a empresa que fazia, que fez as urnas eletrônicas, ou parte delas no Brasil, era uma empresa venezuelana. Falei errado. Ela não fabricou as urnas, ela apenas participou de alguns processos ao longo do processo eleitoral que o TSE estava organizando. Então, tirando essa parte que de fato eu falei equivocadamente, eu fui bem claro ao dizer que jamais questionei a questão do processo eleitoral. Quero dizer a todos vocês que vou respeitar o processo eleitoral, vou respeitar o resultado das eleições. Eu estou concorrendo com essas regras, eu vou ser presidente da República com essas regras.”
Renata Vasconcellos: “Proclamado o resultado pelo TSE, o senhor diz que vai respeitar o resultado das urnas mesmo se perder?”
Flávio Bolsonaro: “Com certeza. Eu vou adorar que você anuncie o meu nome como presidente daquela bancada do Jornal Nacional.”
Renata Vasconcellos: “Mesmo se perder?”
Flávio Bolsonaro: “Eu não vou perder essa eleição. E eu digo mais: eu vou ganhar no primeiro turno.”
César Tralli: “O presidente Trump impôs um tarifaço de 50% contra o Brasil. No dia desse anúncio, 9 de julho do ano passado, seu irmão Eduardo Bolsonaro foi às redes sociais comemorar. Pediu que os brasileiros agradecessem a Trump. Ele também disse que atuou nos Estados Unidos para obter medidas contra autoridades brasileiras com o objetivo de interferir no processo criminal do seu pai. Por que, nesse episódio, ele colocou os interesses da família Bolsonaro à frente dos interesses do Brasil?”
Flávio Bolsonaro: “Se o Eduardo tivesse colocado os seus próprios interesses na frente do Brasil, ele não teria ficado exilado como está nos Estados Unidos hoje. Ele faz um trabalho lá de conscientização, de mostrar ao mundo o que está acontecendo no Brasil hoje, que está longe de ser uma democracia plena. Ele nunca pediu tarifas para empresas brasileiras. Inclusive eu, Tralli, fiz questão também, no mesmo dia, de vir a público dizer que era contrário a isso, que não defendia, que ia defender os interesses das empresas brasileiras. Ia trabalhar para a retirada dessas tarifas junto ao governo americano, como eu fiz. Eu fui, no momento adequado, até a USTR para defender o Brasil, para que o governo americano não tarifasse mais as empresas brasileiras, que já são as mais tarifadas do mundo pelo próprio governo Lula. As empresas brasileiras não têm capacidade de pagar mais impostos e mais essa sobretaxa que foi o Lula que cavou com força. E o Lula procurou muito essa tarifa. Ele xingou, ele ameaçou, ele conseguiu. Parabéns, Lula, você conseguiu tarifar as empresas brasileiras.”
César Tralli: “No mesmo dia em que Trump anunciou o tarifaço, Eduardo escreveu: ‘Povo brasileiro, vamos fazer o mundo ouvir a nossa voz. Coloque o seu agradecimento ao presidente Donald Trump abaixo e vamos rumo à Lei Magnitsky. Obrigado, presidente Trump’. O senhor acha correto misturar interesse pessoal, interesse eleitoral e interesse nacional?”
Flávio Bolsonaro: “Eu não acho correto, assim como eu não acho correto que Alexandre de Moraes, uma parte interessada nesse processo, condene Eduardo, já que ele era o alvo da Lei Magnitsky, conforme as leis e decisões do governo americano. Agora, você não pode acusar o Eduardo de manipular o Trump. Já seria demais. O Trump faz o que está na cabeça dele.”
César Tralli: “Mas por que Eduardo elogiou Trump no Twitter, então, no dia seguinte ao tarifaço?”
Flávio Bolsonaro: “Ele assumiu que estava trabalhando para defender as liberdades do povo brasileiro e denunciar aquele que é um violador de direitos humanos internacional, que é Alexandre de Moraes.”
César Tralli: “No dia seguinte ao tarifaço, ele agradece?”
Flávio Bolsonaro: “Eu acho que ele errou de agradecer com relação às tarifas. O trabalho que ele fez lá para conscientizar, e a decisão que ele tomou foi o governo americano, não foi Eduardo Bolsonaro. Portanto, ele não tem absolutamente nada a ver com isso.”
Renata Vasconcellos: “O senhor tentou acionar o governo americano e pediu que o governo americano adiasse o tarifaço. Por que o senhor não cobrou do governo Trump que suspendesse, quando teve a oportunidade?”
Flávio Bolsonaro: “Está colocado lá que eu fui contra as tarifas. Mais ou menos o único representante público, o único agente público brasileiro que foi para os Estados Unidos defender o Brasil foi Flávio Bolsonaro. O governo Lula não mandou umzinho para fazer a defesa no momento adequado.”
Renata Vasconcellos: “Mas por que adiar e não suspender?”
Flávio Bolsonaro: “Eu pedi para cancelar as tarifas e, acessoriamente, eu falei o seguinte: ‘Olha só, presidente Trump, parece, em outras palavras, que o Lula está provocando essa tarifa. Ele está atacando os Estados Unidos, ele ataca o secretário de Estado Marco Rubio, está fazendo de tudo para que as tarifas sejam aplicadas ao Brasil para, com isso, acreditar que está tendo algum benefício eleitoral’. Vamos ter eleições em breve e, se Deus quiser, Flávio Bolsonaro vai ser o novo presidente do Brasil e vai ter a capacidade de sentar de igual para igual com Trump e negociar na mesa, sem tarifas, sem imposição de sanções às empresas brasileiras.”
Renata Vasconcellos: “Na carta que o senhor fez ao governo americano, não se pede ao representante de Comércio que encerre a investigação, mas que adie a implementação da medida já determinada.”
Flávio Bolsonaro: “A investigação já estava concluída naquele momento, para começar. E, mais uma vez, a gente tem que entender ou tentar entender como funciona a cabeça de quem está do lado de lá. Se, na cabeça dele, a possibilidade de uma troca de governo […] pode acontecer em breve e ele não tarifar as empresas brasileiras, foi apenas mais um dos argumentos acessórios que eu tinha naquele momento. Eu tentei usar para defender o Brasil.”
César Tralli: “O Pix é um dos motivos para o tarifaço. Os Estados Unidos acusam o Banco Central brasileiro de favorecer o Pix em prejuízo de empresas americanas. Eduardo Bolsonaro disse que os Estados Unidos têm mecanismos semelhantes, como o Zelle, e que “dá para ir para uma mesa de negociação com os americanos”. Se eleito, o senhor considera colocar o Pix em negociação com os Estados Unidos?”
Flávio Bolsonaro: “De forma alguma, Tralli. O Pix é sagrado. O Pix é do brasileiro. Foi feito na gestão do presidente Bolsonaro. Não tem taxa no Pix porque Bolsonaro exigiu que não tivesse.”
César Tralli: “Seu irmão errou, então, ao afirmar isso?”
Flávio Bolsonaro: “O Eduardo, o que ele falou, na verdade, isso aí foi uma distorção. Ele só disse o seguinte: ‘Olha, aqui nos Estados Unidos também tem uma ferramenta parecida’. O que é o Pix? É um meio de pagamento. Não tinha o TED? É um Pix que foi no governo do presidente Bolsonaro e não tem nem como sancionar o Pix.”
César Tralli: “Mas por que naquele momento ele não foi mais enfático e disse claramente: “O Pix é inegociável”?”
Flávio Bolsonaro: “Eu estou sendo aqui: o Pix é inegociável.”
César Tralli: “Ele errou?”
Flávio Bolsonaro: “O Pix é inegociável. E ele não quis dizer isso, que o Pix estava em negociação.”
César Tralli: “O senhor concedeu a Medalha Tiradentes a Adriano da Nóbrega. Ele estava preso por homicídio, era um dos maiores assassinos de aluguel do Brasil e foi morto numa operação policial na Bahia. Por que homenagear um dos maiores matadores do Rio de Janeiro?”
Flávio Bolsonaro: “Importante demais essa pergunta para que todo mundo que está nos assistindo compreenda o momento em que isso aconteceu. Essa homenagem, Tralli e Renata, foi feita há mais de 20 anos, se não me engano, no momento em que ele era um policial reconhecido, conhecido dentro do Bope, batalhão de elite da Polícia Militar do Rio de Janeiro. Não tinha feito absolutamente nada de errado, não tinha nada contra ele nesta época. E quando ele estava preso, acusado de homicídio, é porque na época tinha uma política dizendo o seguinte: ‘Olha, primeiro a gente pune o policial, depois ele explica se ele é inocente ou não’. E eu, como sempre tive uma atuação de defesa dos bons policiais e sempre terei, ele estava sendo falsamente acusado de ter cometido homicídio. Na verdade, foi uma troca de tiros com traficantes. Depois ficou comprovado que ele tinha trocado tiros com este traficante e ele foi absolvido. Foi um gesto em homenagem, não a ele, mas a toda a guarnição que estava sendo injustamente condenada por ter trocado tiros com vagabundos e matado um marginal.”
César Tralli: “Ele era suspeito de participar do assassinato de mais de 10 pessoas. Foi morto, inclusive, num confronto com a polícia na Bahia.”
Flávio Bolsonaro: “Sim, mas nessa época era uma homenagem. Isso foi bem depois. Eu não posso ser responsabilizado pelo que a pessoa se transforma depois de 5, 10, 15, 20 anos. Vamos combinar que não está no meu controle isso.”
Renata Vasconcellos: “As investigações sobre a rachadinha no seu gabinete mostraram que a mulher e a mãe de Adriano, que chefiou o Escritório do Crime no Rio, foram empregadas pelo senhor na Alerj. Elas chegaram a ser acusadas de praticar rachadinha; as provas foram anuladas pela Justiça, mas o caso revelou sua proximidade com a família dele. Por que empregar a família de um chefe de um grupo de matadores?”
Flávio Bolsonaro: “Renata, mas na época ele não era isso. Na época, ele era um policial exemplar que estava sendo preso injustamente. Foi quando eu conheci os familiares dele, a mãe principalmente, que participava de movimentos de defesa de esposas e mulheres de militares, de policiais perseguidos injustamente. Então, ela liderava o movimento. Como sempre foi minha bandeira a defesa dos policiais, dos bons policiais, ela fazia essa intermediação das demandas das famílias de policiais militares com o meu gabinete. Trabalhava direitinho, sem problema nenhum. Só que, mais uma vez, uma pessoa que estava presa injustamente, ele foi absolvido depois dessa acusação pela qual estava preso. As pessoas têm direito de responder ao processo legal. Policial militar também é ser humano.”
Renata Vasconcellos: “Inclusive, o senhor concedeu uma medalha a ele nesse momento.”
Flávio Bolsonaro: “Quando ele era perseguido, inocente e não tinha absolutamente nenhuma dessas acusações contra ele.”
Renata Vasconcellos: “O senhor também chegou a apoiar a candidatura de Rodrigo Bacellar ao governo do Estado. Ele foi presidente da Assembleia do Rio, está preso e a Polícia Federal disse que ele exercia a liderança política do núcleo do Comando Vermelho. Não é grave?”
Flávio Bolsonaro: “É muito grave. Se eu soubesse disso, jamais. Se forem comprovadas as acusações contra ele, já que ele também está respondendo ao processo, se forem comprovadas, é gravíssimo. Mas o nome dele surgiu numa composição partidária no Rio de Janeiro, em que ele estava sendo indicado por um partido que estava na nossa coalizão. E aí ele tem direito de se defender e de provar a inocência dele ou não na Justiça.”
César Tralli: “O programa de governo do senhor promete estabilizar e reduzir a dívida pública do Brasil, que está em trajetória de alta, mas não traz números nem prazos. O plano diz que isso ocorreria “no menor prazo possível”. De quanto seria exatamente seu ajuste fiscal, em reais ou pontos do PIB? E de onde sairia esse dinheiro?”
Flávio Bolsonaro: “A gente tem que entender que, se o Brasil não tiver um ajuste fiscal forte, está fadado à falência de todo mundo, uma quebradeira generalizada. Você que está me acompanhando provavelmente está endividado ou conhece alguém que está endividado, mas a culpa não é sua, a culpa é desse atual governo. Quando é um governo que gasta demais, aumenta os impostos de forma alucinada, mais de 30 impostos criados ou aumentados só nesse atual governo para arrecadar mais e continua gastando mais ainda, a taxa de juro oficial, que é a Selic, vai lá para a lua. 14% é o maior juro real do mundo. E sabe, Tralli, quanto era a previsão? Lá em outubro de 2022, a previsão do mercado era que neste momento a taxa de juro no Brasil, se fosse o governo do presidente Bolsonaro, ia estar em torno de 7%, metade. Se nós estamos falando de pagamento de juros da ordem de R$ 1 trilhão ao ano, e a taxa de juro era para ser metade, a gente está falando de R$ 500 bilhões, meio trilhão de reais.”
César Tralli: “Para que patamar o senhor se compromete a trazer a dívida pública?”
Flávio Bolsonaro: “Vou chegar lá. Meio trilhão de reais por ano que você, pagador de impostos, vai pagar sustentando esse governo, a gastança desse governo. Ou seja, só aqui tem R$ 2 trilhões que, se fosse um governo que cortasse na carne, um governo que economizasse.”
César Tralli: “O senhor vai cortar onde?”
Flávio Bolsonaro: “Certamente a sua dívida não estaria nesse nível, porque quanto sobe a taxa de juro, a taxa de juro do seu financiamento, do seu endividamento, cresce junto. A parcela da sua dívida aumenta também.”
Renata Vasconcellos: “Há uma divergência entre propostas feitas pelos seus colaboradores e o que está no seu programa de governo. O coordenador da sua campanha critica a política atual de reajuste do salário mínimo, das aposentadorias e dos benefícios. Seu plano não trata desse assunto. Qual é sua decisão? O salário mínimo teria aumento real ou não se o senhor for eleito?”
Flávio Bolsonaro: “Renata, eu não vou fazer economia do povo mais sofrido brasileiro. Quem recebe salário mínimo hoje está perdendo seu poder de compra por causa da gastança do governo. Não vou fazer economia em cima de você. Eu vou fazer um governo enxuto, vou reduzir a quantidade de ministérios, vou cortar burocracia, vou fazer tesouraço nos impostos, vou cortar mais de 1.000 atos normativos já no início do meu governo, por decreto, aquilo que eu puder fazer. A nossa equipe econômica tem mais de 10 economistas PhD trabalhando já nisso. É assim que a gente vai começar a reduzir o custo do Brasil. Hoje, o Lula aumentou a dívida primária do Brasil em mais de R$ 330 bilhões. É uma gastança sem precedentes na história do Brasil.”
Renata Vasconcellos: “Para que patamar o senhor pretende trazê-la?”
Flávio Bolsonaro: “Eu vou cortar ministérios. Eu vou fazer um tesouraço, inclusive nos cargos comissionados. O presidente Bolsonaro, em 2019, cortou 20.000 cargos em comissão. Agora, o atual governo já criou mais 22.000. Eu vou fazer um combate à corrupção firme nesse governo.”
César Tralli: “Aposentadorias e benefícios vão continuar sendo reajustados com o salário mínimo?”
Flávio Bolsonaro: “Eu vou explicar por que não precisa também fazer economia em cima dos aposentados. Nós vamos fazer um governo para combater a corrupção, como foi a MP 871 do governo do presidente Bolsonaro, que tinha um pacote antifraude, anticorrupção no INSS. O PT trabalhou para derrubar essas medidas que combateriam a corrupção e evitariam que os aposentados do INSS tivessem sido roubados, como foram roubados nesse atual governo. Eu vou combater a roubalheira que hoje está generalizada nesse atual governo. Eu vou criar uma governança tecnológica dentro do meu governo. Vai ter um data center soberano para o Brasil, como já tem em Cingapura, como tem na Coreia do Sul, que vai controlar cada centavo de gasto público.”
Renata Vasconcellos: “Sobre o reajuste do salário mínimo, o senhor desautoriza seu coordenador de campanha, que critica a atual política de reajuste?”
Flávio Bolsonaro: “Não farei economia com quem ganha salário mínimo, não farei economia com aposentados. Eu vou fazer economia cortando corrupção, fazendo tesouraço na burocracia, reduzindo os impostos. Só com o anúncio da eleição de Flávio Bolsonaro como presidente da República e com a equipe que vai ter essa cara que todos estão vendo, com uma equipe de técnicos, economistas, pessoas sérias, pessoas competentes, a taxa de juros já vai cair na reunião seguinte do Copom, do Banco Central. E cada 1% de taxa de juro a menos que nós pagamos é cerca de R$ 90 bilhões que abre dentro do Orçamento.”
Renata Vasconcellos: “Num artigo publicado em 2019, o senhor afirmou que não existe aquecimento global. Disse que isso é um “discurso apocalíptico” para barrar o progresso e que o mundo estaria passando por um resfriamento. Os cientistas dizem o contrário. O senhor mantém essa opinião mesmo diante das mais recentes evidências climáticas?”
Flávio Bolsonaro: “Para mim, o que acontece hoje são eventos climáticos extremos. Excesso de calor, excesso de chuva, excesso de seca. Então, eu acredito que são efeitos cíclicos. E a maior forma da gente trabalhar o meio ambiente foi o que nós fizemos no governo do presidente Bolsonaro: aprovar o marco legal do saneamento básico para combater o esgoto que passa na porta da sua casa, que está me assistindo, e a prefeitura ou o governo do Estado não tem capacidade de investimento para te dar um esgoto tratado, para levar água filtrada para sua torneira. É assim que a gente vai combater os lixões. É com esses programas que vão, principalmente, dentro de áreas urbanas. Com relação às grandes áreas, como a Amazônia, muitas vezes o problema é até mais criminal do que ambiental. Acabamos de ver o Comando Vermelho agora também explorando ouro em reserva indígena. Então, é um problema que vai ser combatido no meu governo.”
Renata Vasconcellos: “Então o senhor acha que não tem aquecimento global? Não existe?”
Flávio Bolsonaro: “Eu acho que tem eventos climáticos extremos. Tem épocas cíclicas que fazem mais calor, tem épocas que fazem mais frio, tem época que chove mais. E eu não acho que isso tenha a ver diretamente só com a influência do ser humano no ambiente.”
Renata Vasconcellos: “Isso não é negar as evidências científicas, candidato?”
Flávio Bolsonaro: “Não, eu estou falando que existem eventos climáticos.”
César Tralli: “Por que o senhor não colocou no plano de governo como mitigar os efeitos do clima? Que ações o senhor vai tomar para proteger as populações das mudanças climáticas?”
Flávio Bolsonaro: “Tralli, a melhor forma que nós temos de proteger o meio ambiente é oferecendo saneamento básico para a população. Isso impacta, inclusive, na saúde. Eu vou transformar a saúde pública numa saúde de qualidade. O SUS vai ser moderno. E eu quero aproveitar, Renata, para fazer um anúncio aqui em homenagem a você, Tralli, em homenagem a você, Renata. Eu quero conversar com o doutor Cláudio Lottenberg, que vai ser o meu ministro da Saúde, uma pessoa preparada, que vai poder adotar as melhores práticas do setor privado para o SUS.”
Renata Vasconcellos: “O senhor está nas suas considerações finais, candidato. Nosso tempo está esgotado. O senhor pode continuar a falar sobre isso, mas tem 1 minuto.” Flávio Bolsonaro: “Quero agradecer ao doutor Cláudio Lottenberg por aceitar esse convite para ser o meu ministro da Saúde. Eu acho que é uma pastinha importante, que a população leva muito em consideração. Quem precisa do SUS encontra muita dificuldade. Eu quero agradecer ao senhor e à senhora que ficaram até esse momento assistindo aqui às minhas falas. Eu queria ter falado mais de proposta, mais de futuro, mas não vai faltar oportunidade para que façamos isso. E eu quero te fazer já uma reflexão: o que a sua vida melhorou nos últimos 4 anos? Você acha que você, que está devendo, vai dever mais ou vai dever menos se continuar o atual governo? Você que está sofrendo com a violência, que mora numa área dominada por narcoterroristas, daqui a 4 anos, se continuar o atual governo, você vai estar vivendo com mais ou com menos violência?”
Renata Vasconcellos: “Candidato, obrigada pela entrevista”
publicidadeTodo conteúdo